quinta-feira, 14 de março de 2019

Um Monstro na Encruzilhada






Bill Mantlo é o grande roteirista do Hulk. Sua visão do personagem foi a mais duradoura e lembrada do personagem. E o grande momento da fase de Bill Mantlo foi a saga da Encruzilhada. Publicada entre 1984 e 1985, essa saga durou 13 mais de um ano. (nota do Laboratório Espacial: Nos Estados Unidos as edições que compõem a saga são: Incredible Hulk #301-313; Incredible Hulk Annual #13 e Alpha Flight #29)

Na história, o Hulk se torna incontrolável e o Dr. Estranho resolve bani-lo da Terra, enviando para um local que é um cruzamento entre vários mundos e realidades, a encruzilhada. Ali o Hulk pode escolher para onde ir.












O feitiço lançado pelo mestre das artes místicas tem um gatilho: se o monstro verde não estiver se sentindo feliz no mundo que escolheu, ele volta para a encruzilhada. Esse plot permitiu a Mantlo desenvolver o lado ficção científica e fantasia do golias esmeralda em tramas marcantes, a começar pela garota verde presa em um castelo que chora flores (que lembra muito Jarella). O Hulk tenta salvá-la, mas descobre que seus captores são extremamente poderosos, a ponto de uma criança poder enfrentá-lo.



Para que o roteiro não se tornasse arrastado, Mantlo muda constantemente o mundo escolhido por Hulk, colocando-o nas mais estranhas situações. Há desde um ser gigante que anda pelas dimensões sugando energia – e é caçado por um grupo (numa trama que lembra muito Moby Dick) até uma realidade em que o Hulk é pequeno como um brinquedo de criança.

E, finalmente, há um desenvolvimento da psiquê do gigante esmeralda até então inédita. Mantlo mostra que a gênese do Hulk já estava em Bruce Banner desde criança e cria um trio de personagens saídos diretamente de seu inconsciente: o duende (a raiva), a guardiã (instinto de preservação) e brilho (a racionalidade). Mantlo conseguiu desenvolver uma profundidade no personagem até então insuspeita.

Essa fase teve desenhos de Sal Buscema e arte final de Gerry Talaoc. A arte-final faz toda a diferença aqui, destacando ainda mais a arte expressiva de Buscema e, ao mesmo tempo dando a ela um ar de mistério e fantasia. Os capítulos finais foram desenhados por Mike Mignola, ainda em início de carreira. Mignola aliás, faz várias das capas da saga – e já mostra o monstro artístico que se tornaria.

Aqui no Brasil essa saga foi publicada pela editora Abril na revista O incrível Hulk, dos números 53 a 64. Considerando o nível da qualidade dessas histórias, é surpreendente que ela não tenha sido republicada pela Panini. (nota do Laboratório Espacial: Tudo indica que a saga da encruzilhada será republicada em breve no Brasil pela Panini)



IDEIAS DE JECA TATU (blog de Gian Danton)

http://roteiroquadrinhos.blogspot.com/

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2010/10/o-astronauta-de-mauricio-de-sousa-por.html


segunda-feira, 11 de março de 2019

Action Comics Especial


Em 2018 o Homem de Aço completou 80 anos de sua primeira publicação. Para comemorar, a DC lançou uma edição especial da Action comics, a revista na qual o personagem estreou (lançada agora aqui pela Panini). Além da data, mais um ponto interessante: é a revista de número mil, provavelmente o único gibi a alcançar essa marca. (Nota do Laboratório: Levando em conta que a revista Detective Comics está se aproximando desta marca, certamente trata-se de um dos poucos a alcançar esta numeração. Vale lembrar também que um dos membros desse clube seleto é sem dúvida o Pato Donald cuja revista no Brasil passou da numeração 2400).

Action comics Especial é um mix de histórias curtas realizadas por diversos roteiristas e desenhistas conhecidos. É uma equipe única, mas de resultado variável. Há HQs muito boas, algumas boas, algumas poucas medianas e uma realmente ruim.
A fina flor dessa edição é “Terra da ação”, com roteiro de Paul Dini (os mesmos dos desenhos animados da DC da década de 90), lápis de José Luís Garcia-López e arte- final de Kevin Nowlan. A história reconta a trajetória do personagem, brincando com sua mitologia. E o desenho é simplesmente lindo, digno de ser apreciado com lupa. São apenas cinco páginas, mas suficientes para valer a edição. 




















Há histórias que não têm tramas, são apenas reflexões sobre ou do personagem. Um bom exemplo é “Carro”, de Geoff Jons e Richard Donner com desenhos de Oliver Coipel, que homenageia a primeira história do personagem e o mostra como justiceiro social que ele era nas primeiras HQs. Já “Do amanhã”, de Ton King e arte de Clay Mann segue o mesmo caminho com resultados bem medianos.
A pior história do volume é “A verdade”, de Brian Michael Bendis e arte de Jim Lee. Bendis apresenta do nada um personagem super-poderoso, capaz de matar o homem de aço (como se já não tivéssemos visto isso na morte do Super-homem) 
(Nota do Laboratório: O vilão chamado Rogol-Zaar rendeu piadas entre os fãs brasileiros devido a cacofonia em seu nome). Em meio à briga dos dois e tentativas mal-sucedidas da Super-moça de interferir no conflito, diálogos “descolados” e deslocados de duas moças sobre a cueca do Super-homem. É uma história que destoa de todo o resto do volume. Aí, na última parte descobrimos que essa história é apenas um trecho de uma HQ da nova fase do personagem.



Para promover essa nova fase, a DC resolveu colocar uma arte de Jim Lee como capa. No final, uma galeria de capas alternativas mostra pelo menos umas dez capas muito superiores, como destaque para as de Steve Rude, Gabrielle Dell´Otto, Stanley Artegerm Lau e até o brasileiro Felipe Massafera.

(Nota do Laboratório: O próprio Jim Lee apresentou uma arte mais arrojada tanto na edição capa dura quanto em uma das capas variantes. Aliás é importante registrar que "capas variantes" constituem acima de qualquer coisa um artifício de vendas. Foram cerca de 50 capas alternativas e antes do lançamento os varejistas norte-americanos poderiam encomendar capa com um artista específico constando aí 3000 exemplares exclusivos desta capa para a loja).
















IDEIAS DE JECA TATU (blog de Gian Danton)

http://roteiroquadrinhos.blogspot.com/











VEJA TAMBÉM:
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/04/porque-o-superman-e-tao-legal-por.htmlhttp://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/03/porque-o-batman-e-tao-legal-por-dennis.html 
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quarta-feira, 6 de março de 2019

Entrevista: Ricardo Quartim apresenta Os Senhores de Ur












Ricardo Quartim é jornalista especializado em quadrinhos e cultura pop, produtor e apresentador do DROPS Ricardo Quartim no Youtube, Editor do saudoso blog Chamando Superamigos,  colaborador do Laboratório Espacial, do jornal O Empoderado, da Revista Mundo dos Super-Heróis e da Editora Heroica. Ricardo Quartim também participa do programa Link Pop da Record News. E o título de ESCRITOR acaba de ser adicionado a seu extenso currículo com o lançamento do livro Os Senhores de Ur - O início (Red Dragon Publisher). E são justamente os caminhos misteriosos do Fantástico Mundo de Ur que serão desbravados no bate-papo a seguir. Acompanhe!

01- Você escreve para vários veículos como jornais, revistas, sites e blogs, apresenta e produz o videolog DROPS Ricardo Quartim no Youtube. Hoje você está entre os mais conhecidos jornalistas especializados em quadrinhos e cultura pop do Brasil. Quais foram seus primeiros passos nessa direção? 

Eu comecei a escrever para a revista Mundo dos Super-Heróis no ano de 2008 na edição #10, meio que por acaso quando eu sugeri ao Manoel de Souza, o editor, fazer uma entrevista com o brasileiro Rodolfo Damaggio, quadrinhista da DC Comics e profissional de Hollywood que havia também trabalhado em filmes de super-heróis com story board, design e desenhos de produção. Fiz essa sugestão porque o Damaggio é meu amigo de infância e crescemos juntos aqui em Ribeirão Preto (moro aqui apesar de ter nascido em São Paulo), sendo como irmãos. E como ele estava vindo ao Brasil passar o final de ano com a família (ele mora faz mais de 20 anos nos Estados Unidos), tive a ideia dessa entrevista.  Foi aí que o Manu me disse “Porque você mesmo não faz a entrevista com ele? Aí  passa também a ser um colaborador da revista”. E foi assim que tudo começou! (risos)

Desde então tenho escrito os mais diversos tipos de matérias para a Mundo. Sobre Conan, Tarzan, Tintim, Universo Bonelli etc. Além de notas curtas, notícias dentre outras coisas. Minha matéria sobre o Tintim inclusive foi a mais completa que já saiu em uma mídia escrita, falando tudo sobre o personagem como animações, filmes live action, comerciais de TV, o filme do Spielberg que estava estreando naquele ano além é claro de todos os álbuns dele. E a matéria sobre a Bonelli, que fiz com meu amigo Alexandre Callari (do Pipoca & Nanquim e ex-editor das revistas do Batman da Panini) foi considerada por um site europeu a mais completa matéria sobre a editora italiana em língua portuguesa.















A revista Mundo dos Super-Heróis é a única no Brasil especializada em quadrinhos e cultura nerd/geek. Ganhadora por dois anos consecutivos do Troféu HQ MIX (a maior premiação do gênero no país) como maior publicação sobre quadrinhos vencendo inclusive a internacional Wizard que estava no Brasil. E em 2012 ganhou pela terceira vez, como a maior mídia sobre quadrinhos.  Além de ser referência no gênero, tem fama internacional. Após a Mundo dos Super-Heróis, comecei a ficar conhecido e me chamaram para escrever para o saudoso blog Chamando Superamigos do parceiro Clayton Godinho. E atualmente escrevo para este site do Laboratório Espacial a seu convite anos atrás, para o Jornal Empoderado que era uma publicação impressa em São Paulo distribuída no metrô e acabou se tornando virtual com um site e  uma página no Facebook, editado pelo Anderson Moraes. No Facebook também escrevo para a página O Frango. Tem mais alguns para os quais escrevi, mas não me recordo de tudo de cabeça (risos).

E tem o DROPS Ricardo Quartim, que é meu canal no qual procuro apresentar um conteúdo diferenciado do que tem na maioria dos canais desse tipo. Ao invés de falar o que todos falam como dos lançamentos de quadrinhos, histórico de um personagem como o Batman por exemplo, tento fazer matérias onde você não encontra em lugar nenhum. Como por exemplo Artistas que copiam outros artistas, onde mostro que na indústria dos comics desde os anos 30 já haviam artistas que copiavam descaradamente outros. Até Bob Kane copiou para o Batman uma pose do Flash Gordon de Alex Raymond. Mostro que isso ocorre ainda antes dos quadrinhos desde a antiguidade quando artistas como Manet copiava Monet e outros da época. Falo que isso ocorre em toda a mídia como em desenhos animados, filmes e música dando exemplo de cada um. Tem outro DROPS que é sobre mensagens subliminares e teorias da conspiração nas HQs. Outro também que é o Capas ridículas, no qual explico o motivo de haverem tantas capas ridículas com heróis fazendo coisas bizarras nos gibis dos anos 50/70. Vou na raiz histórica mostrando todos os fatos que levaram a isso.  Sem falar que saio do eixo Marvel/DC falando de quadrinhos de todos os gêneros, épocas e países e não só os comics americanos.

E finalmente também é importante citar que fui transformado em um personagem de quadrinhos Ricardo Quartim, o Super-Herói da Notícia, que na saga Força Extrema (cordenada pelo André Carim) passei a me chamar Quartzo Dourado.  Quem teve a ideia de me tornar um personagem foi o Odilon José Choba, um fã que mora no Japão e tem uma editora independente lá. O nome como você sabe, foi você mesmo quem deu quando eu apresentava o DROPS (risos). E a saga Força Extrema é uma HQ da qual participam 20 quadrinhistas cada um com seu personagem. Além disso sempre sou chamado para fazer palestras já tendo feito até em universidades, participar de debates, eventos etc. E no início de 2017, o diretor de filmes, comerciais e clipes Adilson Borges, que só trabalha com celebridades, queria pessoas famosas do meio nerd para aparecerem vestidas de super-heróis em um clipe da banda O Velho Profeta.  O Adilson me chamou para participar das filmagens ao lado da talentosa quadrinhista internacional Débora Caritá, que inclusive fez uma arte de Os Senhores de Ur. O clipe ainda não tem data de lançamento. Lá vocês me verão em ação utilizando alguns dos meus superpoderes (risos) Os Senhores de Ur - O início










02- Pelos previews e releases sabemos que seu livro trata de um mundo que mistura Fantasia e Tecnologia. Mas o que é possível falar a respeito de UR sem spoilers?

Ur é um planeta localizado em uma galáxia muito distante da Terra. Bom, por enquanto isso não é novidade pois a maioria dos mundos fictícios é assim (risos). Para ir até Ur, Urano, o personagem principal, tem de ir até uma civilização no centro da Terra onde existe um Stargate, ou seja, um portal dimensional que leva a outro portal no distante planeta Ur. Pois fazer isso viajando em naves espaciais demoraria muitos anos.






03- Quando você começou a imaginar a trama contada no livro 'Os Senhores de UR - O Início'?

Eu comecei quando tinha uns vinte e poucos anos quando imaginei o que aconteceria se você... ops! Quase dei um spoiler! (risos) Bem, foi nessa época e até criei uma história com viagens de volta no tempo etc, mas o final era deprimente mais para filmes de terror do que de aventura. Os anos passaram, então no ano de 1999 resolvi colocar aquela ideia em prática mas com uma história completamente diferente. Antes eu tinha imaginado um conto fantástico com um final chocante! Quando comecei a escrever, transformei em romance e mudei toda a trama e personagens em uma narrativa que nada mais tinha a ver com a anterior exceto o fato que me deu a ideia inicial, que se eu contar estraga, pois é uma das maiores e mais impactantes revelações do livro!


04- Há muitas referencias históricas no livro e referencia a várias teorias que muitos acreditam ser verdade, como por exemplo a Teoria da Terra Oca. Como foi seu processo de pesquisa para a produção do livro? 

Eu pesquisei a história da humanidade, as formas que os governantes de todas as épocas utilizavam como estratégia para governar e ludibriar o povo. Estratégias de guerra, utilização da fé do povo na religião para dominação etc.  E a referência histórica mais direta é a época da ditadura militar no Brasil. Gabriel, o pai adotivo de Urano, personagem principal de Os Senhores de Ur, é perseguido pela ditadura na primeira metade do livro antes de Urano partir para Ur ao lado de seu mentor alienígena, o velho Ral Q










Mas uma coisa que quero deixar claro é que a ditadura militar que houve naquele período, é muito diferente de uma possível intervenção militar nos dias de hoje caso ela realmente venha acontecer. Na ditadura havia-se a intenção de ocupar o governo de forma permanente impondo o regime ditatorial e de repressão. Já na intervenção não existe essa intenção, apenas colocar ordem de forma severa na bagunça que aí está. Mesmo porque, também acredito que os militares de hoje são diferentes dos daqueles tempos e jamais cometeriam os erros e abusos dos de outrora.


Bom, voltando a falar das referências, as inúmeras citações no livro sobre ufologia, civilizações intra-terrenas, seres elementais, stargates, seres mitológicos etc, são através de muita pesquisa com base em fatos que apesar de contestáveis, muitos consideram verídicos. No entanto na parte da história que se passa no planeta Ur onde nada mais é pesquisado e sim criado. E ainda estudei A Jornada do Herói de Joseph Campbell que foi uma das bases para a criação da história, mesma fonte em que bebeu George Lucas  para escrever Star Wars. E ainda pesquisei mitos e fábulas de diversas regiões do mundo e a forma como eles influencias as pessoas e seu subconsciente.

05- Na sua opinião quais as diferenças entre redigir uma matéria ou artigo jornalístico e um romance?

São bem diferentes! As linguagens são completamente diversas. Na matéria deve-se ser imparcial, apenas dar a notícia sem manifestar sua opinião pessoal. A linguagem também deve ser direta, com frases curtas e sem adjetivação. O artigo jornalístico já pode haver a opinião de quem o escreve já que é algo mais pessoal e não meramente informativo. O autor apresenta fatos comentando-os e as frases podem ser mais longas para desenvolver as ideias de quem o redige. Já o romance, não existe muito uma regra, mas o escritor normalmente desenvolve parágrafos mais longos e pode ou não utilizar mais adjetivações dependendo de seu estilo. E diferente da matéria ou do artigo pode ou não ser ficção, além da possibilidade de se desenvolver a ideia o quanto quiser já que não há limite de tamanho.



06- Autores como Edgar Rice Burroughs, J.R.R.Tolkien, Robert E. Howard (que também está no catálogo da Red Dragon Publisher) também navegaram literariamente em mundos de fantasia e aventura. Criar de maneira coesa todo um mundo, todo um novo conceito de sociedade, todo um novo ecossistema e ainda reunir todos esses elementos dentro de um processo narrativo não é uma tarefa simples. O que mais te ajudou ao longo dessa construção?

Quanto ao tipo de sociedade eu quis criar uma dominada por um ditador que apesar de ser cruel e possuir um grande poder que se manifesta através da maldade, acredita que o que está fazendo é o correto pois acha que o povo por ser ignorante não tem condições de decidir o que é o melhor para ele.  Khaos controla as informações e aliena seu povo, porque acha que isso seria uma forma de proteção para eles mesmos, que por serem humildes e ignorantes, não tem capacidade de discernir o que é bom para sua integridade.  Como um pai na criação de um filho que escolhe o que é bom para a criança, proibindo o que seria nocivo para sua saúde e educação.  Então com base nesse critério foi que estudei através da história da humanidade tudo o que já citei na resposta anterior. Também quis mostrar que nem sempre o mais poderoso é o mais forte fisicamente. Tanto que o imperador Khaos é um homem decrépito, que de tanto utilizar seu poder acabou definhando e necessita de uma armadura para se locomover e aparecer para o povo.  Seu poder não vem da força física, mas sim da inteligência. Também quis mostrar que sua fortaleza, mesmo ele sendo um vilão assustador, onde vive não precisa ser um lugar de trevas, porque o mal também aprecia o belo.  

 Após estabelecer esse sistema totalitário, criei o mundo físico de Ur com base no Planeta Mongo de Flash Gordon que possui o mundo das florestas, do gelo, do mar e do ar. Coisa similar que George Lucas também fez com Star Wars. Então você verá Urano nas profundezas do oceano, em florestas densas cheia de pântanos, em desertos, em lugares com gelo por todos os lados e na fortaleza voadora. 

Apesar da história ser em um planeta com tecnologia avançada, eu queria também narrar aventuras do estilo Espada e Magia como as de Conan, já que Robert E. Howard, pai do personagem e do estilo citado, foi uma das minhas inspirações e eu gosto muito do gênero. Mas ficaria incoerente os personagens utilizarem espadas e lutarem de maneira primitiva, com aqueles trajes bárbaros em um lugar tão avançado em um cenário futurista.  Então criei uma zona no planeta onde não é permitido o uso da tecnologia! O motivo é explicado no livro e se você quiser saber o porquê terá de lê-lo! (risos) Sendo assim Ur se divide entre o mundo avançado e o primitivo onde na fronteira entre um mundo e outro há um posto de trocas de trajes e armas. Mas os camponeses em sua maioria nunca saem das florestas porque alienados que são, não tem noção a realidade atrasada em que vivem. Somente guerreiros, bárbaros e mercenários costumam atravessar de um mundo para o outro. 

Já o visual de Ur, me baseei nas ilustrações clássicas de livros de Sci Fi bem como nas pinturas de Frazzetta e outros grandes mestres que faziam essas artes. Tanto que quando pedi ao Caio Cacau (Marvel, DC, STar Trek) que fizesse a capa do livro, já o instruí que remetesse as dos livros de Sci Fi dos anos 40 e 50, mas com uma roupagem nova, mais moderna.  Já que quando criei o mundo de Ur,  o concebi com base nessas ilustrações clássicas que retratam mundos alienígenas com cenários exóticos e coloridos. Quis dar a impressão de algo onírico com um estilo vintage e ao mesmo tempo futurista e arrojado! John Carter de Marte foi uma das minhas inspirações também, além do já citado Flash Gordon e as pinturas de Joe Jusko para os mundos perdidos de Edgard Rice Burroughs. Tanto o Caio quanto o outros ilustradores do livro como Paulo Tomson e Rom Freire leram a descrição que fiz no livro do Planeta Ur e seguiram à risca tudo, nos mínimos detalhes, e eu supervisionei cada passo não só da ilustração como das cores e tons da pintura para que fosse exatamente como concebi em minha mente! Os animais e criaturas que habitam Ur eu criei de minha mente, alguns baseados em seres mitológicos e outros a junção de vários animais em um só.











07- Há algum tempo a opinião dos leitores e apreciadores de uma obra só chegavam ao autor por meio de cartas ou por meio de alguma crítica em jornal ou revista. Com o advento das novas tecnologias e principalmente das redes sociais cada leitor se tornou um crítico, e pior que isso, foi intensificada a postura do "não vi e não gostei". Surgem depreciadores e críticos que se ocupam de denegrir e hostilizar autores e obras sem sequer as terem lido. Há muitos autores mudando o modo de escrever, alterando etnias de personagens e inserindo em suas obras pautas de representatividade, gerando muitas vezes um resultado artificial. Você acha que o autor precisa se submeter a pautas "engajadistas" hoje em dia para ter uma boa aceitação? 

Acredito que não! Fazer isso limita muito a criação do autor e acaba forçando situações ou inclusões forçadas que ficam artificiais,  e no caso de mudança de etnia, sexo ou opção sexual, descaracterizam completamente um personagem. O argumento que hoje é necessário fazer isso pois na época em que foram criados o mundo era diferente e esses grupos não tinham representatividade não procede, porque para que isso mude hoje em dia basta pegar personagens que já existem ou criar novos e não modificar os que não são assim. E incluir artificialmente esses grupos é algo que me revolta pois não sou obrigado colocar em minha obra personagens que não se encaixariam ali dependendo do contexto. Isso tem de ser algo natural. Em Os Senhores de Ur temos vários personagens negros de muita importância! O melhor amigo de Urano em Ur é negro e a protagonista do livro ao lado de Urano é uma mulher! Inclusive Gaia é uma mulher mais que empoderada! Ela não é empoderada porque não precisou se empoderar, ela já nasceu com poder e é assim naturalmente sem precisar se impor com muito custo! Ela é tão poderosa que nunca precisou lutar para demonstrar isso! E seu poder vem de todas as partes! Não apenas da força física e habilidades em combate, mas da mente, Inteligência e coragem! Gaia é a maior guerreira de Ur perita tanto em manejo das armas brancas, como nas de fogo, além de também ser imbatível no corpo a corpo. Ainda é uma exímia estrategista, depois do pai, ela é o cérebro de Ur. Como se não bastasse ela tem um poder de manipular as ondas do cérebro do oponente e faze-lo atingir um orgasmo podendo leva-lo até a morte de acordo com a intensidade. Nenhum homem ou mulher é páreo para a princesa em todo o planeta, exceto Urano, o único capaz de vence-la. Ela faz seus próprios caminhos e tem o poder de mudar o mundo. Eu não conheço nenhuma mulher tão poderosa assim e você? Portanto espero que as feministas não impliquem com a Gaia já que ela foi uma homenagem a todas as mulheres do mundo para provar que uma mulher pode ser tão poderosa ou até mais que um homem em todos os sentidos! E que para isso não precisa ser desprovida de sexualidade e pode ser sexy, sensual e sarada também. 

 Criei esses personagens naturalmente porque partiu de mim querer mostrar que eles são importantes.  No entanto não coloquei nenhum representante de LGBT no livro, mas isso não significa que não os respeito e que sou contra eles! Simplesmente a trama não pedia! E não vou criar uma situação forçada só para atender essas necessidades! Mas no Volume 2 teremos um personagem muito importante gay que será um bravo guerreiro conhecido como "O mais bravo entre os bravos! O Alex Magnos meu editor me disse que devemos escrever o que gostamos sem se deixar influenciar pela mídia! Quem gostar gostou e compra e quem não gostar que não leia. 





08- Agora vamos falar da Red Dragon Publisher que lançará em breve Os Senhores de UR-O Início. A editora possui títulos de ficção fantástica, espada e magia entre outros. Como se deu essa união entre UR e a Red Dragon?

Bom, foi meio que por acaso se bem que não acredito no acaso. Eu estava na CCCXP17 filmando algumas tomadas para o DROPS quando um rapaz parou do meu lado e ficou aguardando eu terminar. Achei até que estava atrapalhando no caminho e quando acabei, ele se aproximou dizendo meu nome e colocando duas revistas em minha mão dizendo que eram dois lançamentos dele na CCXP. Achei que  queria me vender mas na realidade ele estava me dando! Ele disse que era meu fã e me levou até sua mesa para conhecer seu trabalho. Já fiquei impressionado com a qualidade do material que nada devia a qualquer americano e até mesmo europeus. Ao chegar em Ribeirão (apesar de ser de São Paulo moro em Ribeirão Preto) fui ler e também fiquei impressionado com o roteiro escrito por ele e o procurei para elogiar dizendo que eu também tinha se tornado fã dele. Ao pesquisar o site da Red Dragon vi que além de quadrinhos também publicava livros e entrei em contato novamente com ele dizendo que eu tinha escrito um livro. Então mostrei a sinopse, a capa,  algumas ilustrações  e ele me disse imediatamente que iria publicar o  meu livro e que eu não precisaria me preocupar com nenhum gasto que a editora havia ficado interessada em minha obra e tinha visto potencial em Os Senhores de Ur.  E realmente ele estava certo, pois com menos de uma semana de pré-venda ele me disse que o livro já estava sendo sucesso de vendas ainda na pré-venda antes de completar uma semana! E ainda usou a expressão dizendo que “Os Senhores de Ur já é Marca de Sucesso!”. Dois grandes feitos nos dias de hoje, primeiro porque uma editora publicou o livro para mim, sendo que até escritores célebres reclamam que nenhuma editora quer publicar a obra deles dando preferência aos americanos e eles mesmos tem de financiar tudo se quiserem publicar seu livro.  Segundo pelo fato de em um país que afirmam, pouco se lê, em apenas 6 dias meu livro já era sucesso de vendas com uma previsão de depois ser lançada já uma segunda edição! 
Mas ainda tenho outra sorte do fato da Red Dragon ter uma parceria de importação/ exportação com uma editora italiana, a Weird Comic/Book! A Weird já estava de olho no material da Red Dragon pelo alto nível de qualidade que se assemelha aos europeus. E hoje nós publicamos as coisas da Weird por aqui e eles publicam as nossas lá na Itália! Sendo assim Os Senhores de Ur  tem planos também de ser publicado na Itália. Fora outras parcerias com outras editoras na Itália, Espanha e Estados Unidos. Então poderemos ter também Os Senhores de Ur publicados nesses países!








09- Ricardo, o título do seu livro é 'Os Senhores de Ur - O Início'. Isso instiga uma curiosidade que imagino esteja na cabeça de muita gente:  significa que vem mais coisa por aí?

Sim, Os Senhores de Ur é uma saga que se estenderá por vários livros, por isso o primeiro tem o subtítulo “O Início”. Quanto quantos livros serão, isso depende mesmo de minha disposição, já que o Alex me disse que o que eu escrever ele publicará! E pela minha disposição pretendo escrever enquanto viver, assim como Edgard Rice Burroughs escreveu mais de 30 livros de Tarzan pretendo ir criando histórias até quando Deus permitir! O primeiro livro (Os Senhores de Ur - O Início) foi publicado em dezembro (2018) e em menos de um mês esgotou a edição (clique AQUI para adquirir o livro). O segundo livro já está em andamento.


Escrevi uma Graphic Novel que se passa dentro do universo dos livros e não uma adaptação do romance. No livro deixei brechas propositais de tempo para encaixar outra história lá. Ela terá 75 páginas e será um álbum de luxo estilo europeu que levará em média 3 anos para ser ilustrada pelo artista Paulo Thomson. E ainda há planos para transformar Os Senhores de Ur em RPG, Games, merchandising com bonecos, camisetas, canecas etc., animação (logicamente adaptada ao público juvenil) e quem sabe um dia chegar a uma franquia de filmes de Hollywood! Um diretor de cinema já se interessou, mas preciso encontrar um estúdio para produzir. Independente de dar certo ou não com esse diretor, o projeto de transformar em filme continuará adiante, mesmo que com outro diretor.


https://www.reddragonpublisher.com/os-senhores-de-ur



























10- Agora uma pergunta "daquelas": O que você diria para um possível leitor para ajudá-lo a se decidir de levar 'Os Senhores de Ur- O Início' entre vários outros da prateleira de uma livraria?

Primeiro lugar porque é uma história surpreendente, com uma trama que tem várias reviravoltas onde acontece o inesperado e fatos impactantes que você é pego de surpresa. Não é uma trama previsível e simplista. Além de ter aventura e ação em um ritmo alucinante digna de Indiana Jones! Para quem gosta de Sci Fi a trama possui paralelos temporais como na trilogia De Volta Para o Futuro e Exterminador do Futuro. E como disse tem um pouco de Flash Gordon e Star Wars além de em certas passagens terem um clima de Conan. Ainda temos a capa incrível do Caio Cacau, que é o responsável pelas capas da série de livros de Star Trek nos Estados Unidos e Prefácio do jornalista e escritor Marco Moretti um dos finalistas do Prêmio Jabuti. Sem falar que o livro é rico em ilustrações exclusivas por quadrinhistas nacionais e internacionais incluindo Gabriel Andrade Jr que produziu com Alan Moore a série CROSSED + ONE HUNDRED (Crossed +100) e o espanhol Benito Gallego Sanchez que atualmente desenha as tiras de Tarzan com roteiros de Roy Thomas. Sendo assim é um livro realmente imperdível!







11- Ricardo Quartim, muito obrigado pela entrevista, pela colaboração aqui no Laboratório Espacial e pelo belo trabalho que você tem feito apoiando e incentivando a produção de quadrinhos e cultura pop. O espaço é seu:

Como já falei sobre meu trabalho e dos Senhores de Ur, acho que ao invés de fazer meu jabá aqui prefiro usar esse espaço para mostrar que não apenas eu posso conseguir realizar meu sonho e concretizar meus objetivos. Qualquer um pode! 


Se você tem um objetivo lute por ele. Você não é um fracassado por não estar conseguindo. Se você persistir você conseguirá, não importa o tempo que levar. Mas se você desistir, então não conseguirá nunca! Aí sim você será um fracassado! Lembre-se sempre disso! E não basta apenas lutar e se esforçar, sua mente tem de ser positiva e acreditar!


Então aí vão algumas dicas através de frases eu que mesmo criei e postava nas redes sociais para incentivar a galera:

      1) As pessoas que dizem que você não consegue são medíocres e invejosas. Não dê ouvido aos fracassados!
2) Não se preocupe com o que os outros tem. Concentre-se no que você quer conseguir!
3) Pare de dizer que está velho! O conformismo é para os fracassados. Você é o que acredita ser.

        4) Nós somos fruto da constante evolução, física, mental e espiritual. Você nunca é velho demais para mudar nem bom o bastante para acomodar.

       5) Aprenda a agradecer, apreciar a natureza e ver o lado positivo da vida. A mente positiva atrai o positivo!

        6) NÃO ACREDITE NO IMPOSSÍVEL, ACREDITE EM VOCÊ!

        7) E NUNCA! JAMAIS se esqueçam... COMPREM OS SENHORESDE UR! (Risos)


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http://laboratorioespacial.blogspot.com/p/quadrinhos.html









quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Titãs nas Telas das TVs
















Quando foram divulgadas as primeiras fotos não oficiais da série Titãs, o seriado recebeu uma enxurrada de críticas. Os fãs morderam a língua. Titãs é o melhor seriado de super-heróis de todos os tempos e melhor que 90% de todos os filmes de super-heróis já lançados.

Para quem não conhece quadrinhos, Titãs é baseado no grupo de parceiros mirins da DC Comics. Sim, durante um longo período todo super-herói tinha que ter um parceiro mirim. Batman tinha o Robin, Mulher Maravilha tinha a Moça Maravilha, Flash tinha o Kid Flash e assim por diante.

Na década de 60 a DC teve a ideia de reunir esses heróis mirins em uma revista, Teen Titans. Não deu muito certo. Os personagens usavam gírias da década de 40 ou 50, eram extremamente respeitosos com os heróis principais e tinha a metade do tamanho desses. Ou seja, não agiam como jovens.
Na década de 1980, o roteirista Marv Wolfman, que odiava o gibi quando era jovem, resolveu mostrar como se faz uma série para a juventude. Além de criar novos personagens, como Ravena, Estelar e Mutano, ele mudou a relação dos parceiros com os heróis. Robin, por exemplo, passou a ter uma relação de conflito com o Batman. Foi um sucesso tão grande que levou à criação de três animações (a mais recente voltada ao público infantil) e o live action, criado, entre outros pelo roteirista de quadrinhos Geoff Johns e lançado recentemente pela Netflix.

E o que Titãs tem de revolucionário?

Essencialmente a forma como é estruturado um seriado de super-heróis. Tirando os heróis urbanos da Marvel, como Demolidor, a maioria desses seriados é focada em heróis em uniformes coloridos lutando a cada episódio contra um vilão, em meio a uma grande quantidade de efeitos especiais meia-boca (o orçamento dos seriados é bem menor que o dos filmes).

Titãs quebra com esse esquema ao se estruturar como um seriado de mistério. O expectador não sabe quem são os personagens e, em alguns casos, nem eles mesmos sabem (como é o caso de Estelar e Ravena) e mesmo aqueles heróis que conhecemos como tal desde o início, a exemplo do Robin, têm algo a ser revelado. Além disso, há uma trama maior, que também se revela um mistério - quem quer matar Ravena? Essa estrutura faz com que o seriado seja interessante não só para os fãs de quadrinhos, mas para os expectadores em geral. Além disso, muda o foco da trama da ação e os efeitos especiais para o desenvolvimento dos personagens – e esses são muito bem desenvolvidos. Nesse sentido, a escolha de atores foi acertadíssima. Destaque para Teagan Croft, no papel de Ravena e Anna Diop, no papel de Estelar. Aliás, a criticada roupa usada por Anna Diop na série acaba fazendo todo sentido, dentro da proposta do seriado.





















Os efeitos especiais, quando aparecem, são em momentos chave, e muitas vezes, nem exigem o famoso CGI. Há uma cena, por exemplo, em que Ravena usa seus poderes que é feita exclusivamente com maquiagem, interpretação e montagem.

Bons diretores já haviam mostrado que para fazer produções sobre seres super-poderosos não é necessário uma fortuna em efeitos especiais – basta uma boa direção, bom roteiro e bons atores. Scanners, filme de 1981, de David Cronenberg, é um exemplo. Mais recentemente, a trilogia de Shyamalan (Corpo Fechado – Fragmentado – Vidro) é outro.



Titãs parece mostrar que a DC aprendeu essa lição: Boa direção, efeitos especiais na medida certa, bons atores, bons roteiros e uma trama que vai num crescendo até o capítulo final.
Se não bastasse tudo isso, há o ótimo capítulo com a Patrulha do Destino (que o tradutor da Netflix rebatizou como Patrulha dos Condenados) e uma visão do Batman muito mais adequada que todos os últimos filmes da DC. A forma como o Homem-morcego — e Gotham — é mostrado na série (ou não é mostrado) é simplesmente genial e lembra grandes obras dos quadrinhos, como Asilo Arkhan. O recente anúncio de que a Patrulha do Destino vai virar série parece mostrar que Titãs será o norte da DC na telinha. Tomara.











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