segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Fantasma Escarlate 01




Não é segredo que o formato digital simplifica produção e custos para o artista, eliminando canais de distribuição elitistas, burocráticos e nem sempre eficazes. Pensando nisto o Laboratório Espacial começa a disponibilizar alguns títulos estreando com O Fantasma Escarlate de Fernando Lima. Já conhecido dos leitores do Armagem.com, o personagem chega a estas paragens no formato cbr. Aqui vc faz o dowload e lê na plataforma que achar adequada.

O Fantasma Escarlate chegou aos quadrinhos em 2009, repleto de influencias da ficção cientifica, de desenhos clássicos da Hanna Barbera e dos Tokusatsus (series live action faitas no japão a la Ultraman ou Cybercops). Para ler o quadrinho basta fazer o download de um dos programas de leitura (gratuitos) listados abaixo, em seguida baixe o quadrinho também gratuito. Não esqueça de deixar um comentário sobre o que achou esse retorno é muito importante pra gente. No player abaixo você escuta a chamada de áudio para o Fantasma Escarlate feita para o site Armagem.com.



Obrigado pela visita e boa leitura.
Programas para ler os quadrinhos:
CDDisplay
Comic Reader

Pra baixar o quadrinho:
Fantasma Escarlate #01

Fantasma Escarlate no Armagem.com (Várias HQs)

domingo, 7 de novembro de 2010

Entrevista com Valdeci Carvalho

asdes banner
Autor: JJ Marreiro

Valdeci Carvalho começou profissionalmente com tiras e ilustrações no jornal comunitário O Coletivo. Logo em seguida passou a ministrar as oficinas de HQ e Desenho para ONGs e projetos comunitários. Em 2001 foi 1º lugar no Festival de Artes de Fortaleza e em 2004 participou de uma exposição em Volta Redonda. Publicou os fanzines Insano e Insano Comics de 2002 a 2005. Produziu várias cartilhas em quadrinhos para instituições diversas e atualmente conduz oficinas de Histórias em Quadrinhos no Centro Cultural Bom Jardim. Semanalmente suas tiras vão ao ar no site Desventuras de Davi que originou a revista, agora publicada pela Editora Tupynanquim.


Valdeci, o que te levou para o mundo das Histórias em Quadrinhos?
Quando criança gostava de assistir o seriado Jaspion. Lembro de tentar desenhar ele  mas não conseguia. Então fui tentando desenhar e depois de muita prática já o fazia muito bem.
Depois tive acesso a revistas do Maurício de Sousa e do Mino. Depois de conhecer o trabalho destes dois, comecei a produzir minhas próprias histórias em quadrinhos.

zine Insano e revista As Desventuras de Davi


Como arte-educador qual a importancia dos quadrinhos e da criatividade na formação educacional dos jovens? Hoje há mais espaço para a arte nas escolas do que quando vc era estudante?
Quando estudante não havia espaço algum. Hoje vejo diariamente a importância desta arte dentro da sala de aula, pois é impressionante como os alunos da rede pública não gostam de ler. Mas sempre que levo os quadrinhos, eles lêem e relêem tudo rapidinho e os professores já se tocaram disto. O Governo Federal até inclui os quadrinhos nas aulas do projeto “Mais Educação” que acontece em várias escolas por todos os estados brasileiros.

Explica pros nossos leitores quem são os personagens principais da revista “As Desventuras de Davi”.
Os personagens principais são o Davi, um adolescente como eu e você, (Opa Jota, não somos mais adolescentes, mas tudo bem. He! He!). Tem a Lúcia, cuja beleza não é muito seu forte; o Cristiano que é o cara mais doido que qualquer um poderia conhecer (mas se você for ao Centro da cidade ou programa João Inácio Show da Tv Diário, aí você conhece gente parecida). Tem até um personagem chamado “Cabeça de bunda”; é que a bunda dele não é no mesmo lugar que todo mundo, a dele fica na cabeça porque ele assiste muita televisão. Bom, tem mais de 20 personagens … pouco a pouco irão aparecer na revista.
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Os personagens apresentam um convívio familiar e social muito parecido com o da maioria dos jovens, em que você se inspirou para criar as situações e passagens da revista?
Muitas idéias surgem em um ônibus, de uma reportagem que passou na televisão, de uma música que não pára de tocar no rádio. Resumindo, vem das pessoas e da realidade dos lugares que freqüento.

Quais autores de quadrinhos admira e que quadrinhos foram mais marcantes para você?
Os autores que mais admiro são; JJ Marreiro, Guabiras, Klévison, Daniel Brandão, Denilson Albano, Weaver, Lupin, Mino, Carlos Campus e Aloísio Lobo. Nacionalmente gosto muito do Maurício de Sousa.
Sei da diversidade de traços e de idéias bacanas que os artistas nacionais possuem, mas gosto de verdade do trabalho destes artistas. Os quadrinhos que foram mais marcantes para mim não foram grandes “Obras de Arte” que vem de outros paises, e sim quadrinhos que li em diversos fanzines.

A Editora Tupynanquim está lançando agora o terceiro volume da revista “As Desventuras de Davi”. Como você vê o espaço que o quadrinho nacional está ganhando através de editoras alternativas e independentes (como a Jupiter II, Marca de Fantasia, SG Produções e a própria Tupynanquim)
Eu acho muito bacana, mas acredito que o caminho certo é tentar levar as histórias em quadrinhos sempre para a massa, para o público grande mesmo. É por isso que não deixo minha função de arte-educador, porque levo os quadrinhos para o público que não tem contato com quadrinhos e fico muito feliz pois grande parte do público que lê minha revista, geralmente nunca teve contato antes com outras HQ´s.

Valdeci obrigado por este breve papo e se quiser deixar alguma mensagem para nossos leitores o espaço é seu.
Gostaria de convidar a todos para comparecer ao lançamento da revista e sempre que possível acompanhar meu site www.desventurasdedavi.com e principalmente: Nunca desistam dos seus sonhos!
Agradeço a oportunidade Grande Jota e obrigado de verdade.
Para conhecer mais sobre o autor e suas criações visite Desventuras de Davi e o blog do Valdeci
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O X da questão!

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Autor: JJ Marreiro

A reciclagem faz parte da natureza e também faz parte do mundo do desenho. De vez em quando alguns artistas desaparecem e outros novos surgem. E entre essas novas revelações do quadrinho nacional, está o X. Dono de um traço rústico e de um humor não menos que rude, o artista arrebata uma nova geração de fãs dando voz à rebeldia juvenil visitando a temática punk e underground.
Conheça no bate-papo a seguir um pouco mais desse incômodo e incomodado cartunista chamado X.

Pergunta básica: Como você começou a se interessar por quadrinhos e tiras?
xcolunaNa verdade, foi porque eu não tinha porra nenhuma pra fazer… Tava em meu horário de trabalho, quando o entregador chegou com os jornais do prédio. Antes de colocar nas caixas de correspondência, comecei a ler as charges e tiras. A coisa começou a acontecer pra mim quando colocaram um computador velho na portaria do prédio… foi quando descobri as webtiras! Quando percebi, comecei a fazer as minhas próprias!

Um elemento que ajuda a colocar em perspectiva o trabalho de um artista é listar suas influências, por isso a pergunta acaba sendo padrão em quase toda entrevista. Existe a questão da influencia para vc?
Dentro do meu trabalho com os Bichos do Lixo, como assumi desde a primeira postagem lá no blog, é a mistura de “Malvados”, de André Dahmer e “Bichinhos de Jardim”, de Clara Gomes, mas tem muitos outros que eu já idolatrava, como o mestre da nojeira, o grande Marcatti!

Porque assinar como X? X é uma abreviação do seu nome ou é pseudônimo?
Bem, até tem essa letra em um dos meus nomes… Mas a coisa tá mais pra pseud… ô palavra ruim de escrever! Tá mais pra nome-artístico! Eu precisava de um e não consegui pensar em nada legal… mas como as tiras são ruins, não ia sujar meu nome verdadeiro! Por isso, “X”!

Na internet alguns assumem um codinome, herança da cultura digital dos nicknames, mas muitas pessoas aproveitam esse caráter anônimo para tecer críticas pesadas, difamar e perseguir outras pessoas sem recear as consequencias. Existe um limite onde a liberdade encontra a ética dentro da abordagem de anônimato no seu trabalho?
Lá no meu blog vale tudo! Num tenho essa frescurinha, não! Podem me xingar, podem dizer que as tiras são ruins! Mas se preparem para as respostas mal-educadas de minha parte! Acho lindo essa troca de carícias! Bwaaaahahahahahaha!

Você tem ciência de que a legislação atual permite abertura de processos contra proprietários de blog se os comentários de um internauta forem agressivos contra outro internauta? Há limite para os xingamentos? Você faz uma mediação quanto a isso ou mesmo no “lado negro da força” existe um código de ética?
Num sabia dessa parada aí, não! Mas é como eu disse, de minha parte num dá nada! Podem me xingar! Não levo pro lado pessoal, até porque não sabem quem eu sou mesmo!!!


Você se considera um artista marginal?
Não… nunca fui preso! Brincadeira! Sei lá, acho que sim! Acho que não faço parte dessa coisa bonitinha que publicam por aí… digamos que tô no “lado negro da força”!
Em muito pouco tempo sua tira tornou-se famosa na web sendo comentada até pelo Mauricio de Sousa e em muito pouco tempo você já chegou às páginas da revista Mad. A que você atribui essa resposta tão imediata?

O comentário do Mauricio veio pelo Twitter! Mandei uma propaganda pra cima dele e o Tiozão foi conferir as tiras e ainda me respondeu! A maioria das pessoas caga e anda pra mim, mas o cara respondeu! Confesso que me surpreendeu! Na Mad foi quase que assim também! Escrevi pro Raphael e ele curtiu, mas lá na Mad só tem louco! Não é parâmetro para o que é bom ou não! Hahahahahahaha!
Sua tira e personagens contém muita crueza e peso. Há alguma influência do mundo do rock pesado na sua produção?
Na verdade, ficaria bacana se eu respondesse que sim! Mas não tem, não! O tipo de som que curto é bem diferente! Um sertanejo, um forrozinho entram melhor nos meus ouvidos! Bwaaahahahahaha! Tô zoando! Na real eu curto som de bandas de garagem, sabe cumé?! Gosto do som selvagem dos independentes!

Há algum tema que vc não aborde na sua tira?
Hummm… tem muita coisa que ainda não abordei, mas se pintar uma idéia legal, demorô! Não tenho essa de assunto proibido por lá!

Seus personagens são sujos, desagradáveis, falam da podridão do mundo e da podridão interior das pessoas, mas o traço não é desagradável. Esse contraste foi algo proposital?
Na verdade, sequer pensei nisso! Na real, num sei desenhar de verdade… comecei a riscar e saiu aquilo! Eu desenhava quando era pivete… voltei a riscar há pouco! Quando comecei a fazer as tiras, como imagino que todos devem fazer, fiz primeiro um rascunho da coisa… mas achei legal e deixei no rascunho mesmo! Passei a tinta de um modo bem podrão e curti o que passei a chamar de “meu estilo”.


Você faz ilustrações, charges, ou sua produção é toda voltada para tiras?
Hoje em dia, me mantendo nesse meu traço, posso me arriscar numas ilustras! mas charge, não… prefiro usar as idéias nas tiras mesmo! Minha parada é manter o blog dos BL atualizado, por isso, se penso num argumento legal, uso por lá! Às vezes não dá pra usar com os próprios bichos, mas é quando entro em cena, pois também participo das tiras!
Se bem que já tô me aventurando no mundo das caricaturas! Num sei desenhar dinheiro, como bem podem ver… num sou nada caprichoso! Mas tá lá: Fotolog Bichos do Lixo.


Exceto o Fernando Gonsalez, não lembro outro artista que trabalhe esse tipo de universo de ratos e baratas…Como foi a escolha dos personagens principais? Como você os descreveria?
Rapááááá! Como pude esquecer dele! Esse também é um cara que acho genial! E também me é uma grande fonte de inspiração, claro!
Eles nasceram por acaso… um dia eu tava no trabalho, esperando alguém chegar pr’eu ter que abrir a porra da porta, quando vi, numa parede, uma barata! Eu teria que matar o bicho, mas resolvi deixar ela passar! Tinha uma mosca que tava me incomodando há um puta tempo, nesse mesmo dia… Comecei a pensar em como estes seres veriam o mundo! E lembrei que quem os mantém, somos nós mesmos! Essas pragas urbanas são culpa nossa, são reflexos da nosso sociedade!

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Na lista de personagens do blog tem o Aranha-Homem. A maioria dos artistas que trabalham essa linha underground tem asco desse universo Marvel-DC, você tem alguma afinidade com esse mundo dos heróis?
Haaaaaaaaahaha! Na verdade, não tenho muita afinidade com estes personagens, não! Na real, acho as histórias muito complicadas e o que sei sobre eles é o básico… mas já me disseram que tudo que eu sabia foi mudado, pra se adaptar aos novos leitores!
Na real, usei os super-heróis pra tentar atrair mais leitores nerds! Rsrsrsrsrsrsrsrsrs!
O Aranha-Homem é o super-herói do universo dos BL… digamos que é uma homenagem a esse gênero, que sei que vende bem! Ou não vende mais tão bem assim?! De qualquer forma, ele é só um coadjuvante por lá!

O Blog já começou a trazer fama pra vc e pros personagens, existe a pretensão de parar de usar o pseudônimo algum dia?
Nããããão! Seria o mesmo que o Silvio Santos mudar de nome artístico! O meu é “X”… O que eu poderia fazer é revelar o meu nome de batismo, mas de que importa se me chamo João da Silva, José Silveira ou Antôôôônio Nuuuunes?!

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X, queria agradecer pelo bate-papo, parabenizar você pelo trabalho e desejar boa sorte nessa caminhada! Tem alguma coisa que gostaria de dizer para os leitores que ainda não conhecem os Bichos do Lixo?
xw-01Obrigado pela sua coragem em me entrevistar! Tentei fazer bonito, evitei os palavrões e tal! Mas cuidado, lá no blog dos Bichos do Lixo, a coisa é bem diferente! Não apareça por lá se for todo educadinho!
Valeeeeeeeeu, JJ!

Encontre o X:
Bichos do Lixo
E-mail e MSN: bichosdolixo@gmail.com

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Entrevista com o Prof. Antonio Nunes!




O Prêmio Elita Ferreira é uma honraria concedida pela Academia Pernambucana de Letras destinada à produção em literatura para o publico infantil. Engenheiro e Professor Universitário, Antonio Nunes foi agraciado nas premiações relativas a 2008 e 2009 com os Livros: “O aprendiz de Don Juan” e “A visão do mundo de um cãozinho de estimação”.  Nesta entrevista exclusiva, o autor fala de educação, literatura, criatividade e sobre uma nova ótica de produção editorial à margem do mercado tradicional.






-Prof. Nunes, como um Engenheiro e Professor Universitário acabou se tornando também um escritor?
Rapaz, o primeiro registro de escrito meu datilografado (pela expressão já sabe que faz um bom tempo, não?) é de 1979. Eu tinha 9 anos de idade. Acho que o escritor é que se tornou engenheiro e professor universitário. Em verdade, houve um período em que me dediquei com mais afinco à engenharia e à carreira universitária. Mas, sabe com é, coisa latente é assim, um dia eclode e não deu outra… Desde então, a escrita (a literatura como um todo) vem ganhando cada vez mais espaço em minha vida pessoal e, quem sabe, se torne mesmo uma atividade profissional.
-Existe algum elemento em comum nas suas histórias?
Dizem que tudo o que um escritor é coloca no papel, mas que reflexo de sua percepção do mundo que o cerca, está recheado de impressões e de memórias pessoais. Comigo, no tocante aos contos infantis, creio que isso acontece. Quem leu as minhas histórias diz que elas trazem nas entrelinhas sempre um quê filosófico, que não são exatamente contos exclusivamente para crianças. Bom, como este comentário já se repetiu algumas vezes, creio que seja bem verdadeiro. Quanto aos assuntos tratados, estes são os mais variados. Acredito que a fonte de inspiração ainda tenha bons frutos a oferecer…



-Você é considerado pela crítica um contista revelação, o que sua produção textual inclui além da produção acadêmica e da literatura infantil?
Além dos contos, maior parte de minha produção textual (se puder me definir como escritor, digo que sou essencialmente contista), já escrevi algumas novelas (romances curtos ou contos longos, como dizem por aí). Uma destas novelas (Gênesis – uma história de amor e ciência…) recebeu menção honrosa na categoria ficção pela Academia Pernambucana de Letras em 2009. Como não podia deixar de ser, eventualmente, faço incursões pela poesia, mas não me considero apto a ser cunhado de “poeta”.

-Qual a importância da presença da leitura no processo de formação? A família pode colaborar com a escola para presenciar o livro na vida dos estudantes?
Sempre digo aos meus alunos que existem dois processos para a mudança de comportamento, de valores, de posicionamento diante do mundo e da própria realidade. O primeiro é a exclusão, que te força a comparar o teu ser e estar com o do grupo social no qual você está ou pretende estar inserido. Esse caminho é duro e nem todos conseguem alcançá-lo. Já o outro, que depende exclusivamente de você e que ninguém pode negar, é a educação, a leitura, pois é independente das demais pessoas. O primeiro é uma mudança promovida de fora para dentro, enquanto a segunda é uma mudança de dentro para fora. Me entende? Nesse processo a família é de fundamental importância, incentivando, presenteando com leituras, proporcionando experiências desta natureza. Pode ser com um gibi, um livro paradidático, jornais  ou mesmo com clássicos da literatura. O importante é ter acesso, desde cedo, à leitura.

-O Brasil está desenvolvendo o Programa de Alfabetização na Idade Certa por culpa de uma deficiência no acompanhamento e avaliação de conhecimento do ensino público. Isso vai atuar na parcela da população jovem que passou pela escola e não aprendeu a ler. Mas as pessoas que mesmo sabendo ler e não lêem constituem um outro problema que é o analfabetismo instrumental. Para este outro analfabetismo deveria haver também um projeto de estímulo a leitura?
Claro que sim. Há uma máxima que diz o seguinte: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê!”. Se não sabemos ler bem, e isso inclui interpretar além do escrito (um livro, um jornal, um anuncio de outdoor, um contrato etc.), compreendê-lo por completo, perdemos muito de nossa capacidade de perceber o mundo ao nosso redor e de nos colocarmos diante dele, não é verdade?Algum tempo atrás cheguei a escrever um texto para o Programa Literatura para Todos, do Ministério da Educação, destinado a sistema nacional de alfabetização de jovens e adultos, mas os muitos afazeres do dia a dia acabaram por não permitir que concluísse a obra a tempo do certame existente à época. Para quem vive na terra de Paulo Freire e já bebeu de suas ideias, convém relembrar que o aprendizado é forma de construir a própria vida.




-Quais os autores nacionais e estrangeiros são referenciais de boa leitura para você?
Entre os brasileiros tenho como preferidos o Moacyr Scliar (que considero o maior escritor vivo de nosso país – e que assim permaneça por muitos e muitos anos, nos brindando sempre com obras-primas), o mestre Machado de Assis e o Rubem Braga, com suas maravilhosas crônicas. Entre os estrangeiros, tenho predileção pelos contistas russos (Tchekov, Tolstoi e Gorki), os franceses (entre eles o incrível Maupassant) e os italianos (Moravia, Pirandelo, Primo Levi e Calvino – embora cubano de nascimento este último). Leio muito e de tudo, por insistência de um bom amigo tenho descoberto no original contos de escritores ingleses maravilhosos (Munro – Saki, Wells, Poe, Dickens e Kippling, dentre outros). Ademais já travei contato com contistas excelentes de muitas outras origens (Kawabata, Lugones, Bashev Singer, Onetti etc.), além dos clássicos dos contos infantis, como: os irmãos Grimm, Andersen, Monteiro Lobato e muitos mais.

-Você acha que um autor tem sempre altos e baixos ou isso é apenas uma questão da maneira como o público repercute suas opiniões sobre as obras?
A questão é que sempre temos períodos mais produtivos e outros menos, seja na quantidade, seja na qualidade dos escritos. Creio que isso acontece com todas as atividades profissionais. Acontece também que a palavra escrita pode ser recebida, interpretada e avaliada. Alem do mais, uma vez que levamos um texto ao público, ele já não será mais nosso, passará por novas apropriações. Ganha vida independente, pois muitas vezes, conseguem apreender algo que o escritor jamais imaginou ou lhe passou pela cabeça conscientemente. Ah, o inconsciente! Daria várias entrevistas este tema…



-Como é seu processo criativo? Qual o gatilho que deflagra a geração de um livro?
Sabe que sinceramente não sei! Pode ser um fato presenciado, que ouvi contar, uma palavra que me soa de outra forma… É uma verdadeira bala perdida (desculpem-me o trocadilho) e que acerta o alvo certo. Em resumo, atento ou não para as coisas do cotidiano, os motes, as inspirações surgem a qualquer momento e local, por isso é sempre bom ter papel e lápis à mão. Tenho um banco de planos repleto em meu computador, um dia as histórias nascem… Adormecem por um período (ou não) e depois ganham vida… Às vezes me acordo no meio da noite e tenho aquela compulsão em escrever. Não penso muito no que escrevo e, quando me dou conta, já está lá. Na maioria das vezes, quase pronto. Gosto de manuscrever (pois, para mim, assim as ideias fluem melhor, mais rápido) e depois lapido o escrito enquanto o digito.

- A pergunta a seguir pode parecer uma saia justa, então se não achar conveniente pode não respondê-la,ok? Ao contrário do que ocorre em algumas casas editorias, a Editora Bagaço permitiu que você como escritor pudesse escolher o ilustrador dos seus livros. Sabendo que Recife é uma capital repleta de artistas talentosos o que o levou a escolher como ilustrador o quadrinista Carlos Braga?
O bom e talentoso amigo Braga Câmara foi um achado. Literalmente. Caminhava pelas ruas do Recife Antigo quando conheci alguns de seus trabalhos na pintura. Achei que o traço dele se encaixava no que buscava para complementar os meus textos. Conheci primeiro a esposa dele, Tatiana, sua maior incentivadora, depois ele próprio. Daí em diante a coisa fluiu. Não me passa pela cabeça em ter outro ilustrador para as minhas histórias. Dizem que ele interpreta como ninguém os meus textos. Às vezes sou eu quem põe texto nos desenhos dele. E a coisa vai funcionando muito bem, obrigado. Nos tornamos parceiros desde aquele dia  e desejamos que seja infinitamente duradoura, quem sabe imorredoura esta dupla. Dizemos que nossos trabalhos se complementam. Quanto ao concurso da APL, submeti ao concurso literário o texto já ilustrado (embora apenas o texto tenha sido avaliado). Então como o livro já estava praticamente pronto, não haveria porque modificar ou buscar outras ilustrações.

- Como é receber um prêmio concedido pela Academia Pernambucana de Letras, uma das mais tradicionais instituições culturais do país?
Ser premiado, seja pela APL ou em outro certame, é sempre uma honra, um incentivo e também uma responsabilidade. Pois passamos a ser vistos com outros olhos, certamente com maiores exigências. E isso é bom, pois nunca  há sempre novos olhares a nos orientar em outras direções que não havíamos percebido, novas experiências podem surgir e, desta maneira, novos aprendizados.



- Ultimamente não é necessário trabalhar sua produção literária por meio de casas editoriais no eixo Rio-São Paulo, para ver resultados de qualidade, as novas tecnologias facilitaram a impressão e divulgação, isto é uma maneira de abrir espaço para a produção literária no Brasil?
Por um lado, podemos dizer que sim (a internet tem um inimaginável poder de divulgação – o meu primeiro blog literário – contonton.blog.terra.com.br – alcançou mais de 120 mil acessos em apenas um ano!), mas como as grandes casas editoriais ainda estão no eixo sul-sudeste, nós aqui no nordeste temos que desprender um esforço imenso para levar o nosso trabalho ao grande público. Em primeiro lugar em uma relação de escala. Lá há um número muito maior de consumidores (em números absolutos e em poder aquisitivo) para nossa arte, o que por si só já traz grandes vantagens em termos de custo e de tiragem. Costumo dizer que quem não tem um bom agente literário estando em nossas terras nordestinas, sempre vai ter dificuldades de ser percebido, inclusive pela mídia nacional. Que bom que o Raimundo Carreiro acaba de ser premiado na 3ª edição do Premio São Paulo de Literatura. Quem sabe os grandes editores renovem seus olhares ao nordeste para garimparem novos valores na literatura?!? As novas tecnologias de pequenas tiragens também abrem novas portas… este tema dá uma outra entrevista enorme.

- Professor Nunes, gostaria de agradecer sua disponibilidade e atenção e aproveito para parabenizá-lo pela premiação que vem para merecidamente reconhecer seu trabalho e seu esforço criativo dentro do rico cenário que é a produção literária nacional. O espaço é seu para suas considerações finais.
J.J, eu que agradeço a gentileza de seu interesse e disponibilidade em publicar esta entrevista. Parabenizo o seu Laboratório Espacial tão celebrado entre os aficcionados dos desenhos e dos quadrinhos. Que venham mais histórias com textos e ilustrações que se completam e que possamos juntos, escritores e ilustradores nordestinos, alçar novos e mais altos vôos. Receba meu abraço mais que cordial da terra do frevo e do maracatu. Até a próxima!
Prof. Antonio Nunes (Tonton) na internet:
Contos e Histórias de Tonton
Contos e Histórias de Tonton (atual)


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Astronauta de Maurício de Sousa por Danton & Marreiro


Por JJ Marreiro

Uma História em Quadrinhos começa com uma idéia, um elemento motivador. Em conversas com os roteiristas da equipe MSP, o Editor Sidney Gusman, responsável pelo planejamento e novos produtos editoriais da empresa imaginava fazer uma homenagem aos 50 anos de carreira do cartunista Maurício de Sousa. Ao invés de seguir o caminho tradicional, que seriam edições comemorativas com republicações ou especiais produzidos pelos artistas da casa, Sidney convidou artistas de diversos traços e estilos para que com sua própria linguagem fizessem HQs em homenagem ao cinqüentenário. Maurício aprovou a idéia de imediato e demonstrou um grande entusiasmo durante todo o processo de edição. O sucesso foi tamanho e a resposta tão positiva que logo foi engatilhada uma segunda edição.


Logo se estabeleceu uma expectativa sobre quem seriam os convocados desta segunda seleção de artistas. Os nomes foram revelados via Twitter causando um furor no fandom, pois até então apenas os artistas, Sidney e Maurício sabiam quem eram os convocados.



Conheci o Professor Ivan Carlo, que todos no meio dos quadrinhos conhecem por seu codinome Gian Danton, quando de uma visita dele de férias à minha cidade, Fortaleza. Na época eu trabalhava junto com Daniel Brandão nos cursos de Quadrinhos e Mangá. Estávamos no estúdio quando de repente o escritor-editor da celebrada revista Manticore toca a campainha. Ao chegar na cidade e visitar praias, pontos turísticos, shoppings, esses programas familiares, Gian parece ter sido acometido de uma curiosidade repentina: “onde está o pessoal dos quadrinhos daqui?”. Ele fuçou, pesquisou e encontrou o Estúdio do Daniel. Daí até se iniciarem as parcerias com os novos amigos do Ceará foi um pulo.



Fico feliz de ter desenvolvido algumas coisas ao lado de Gian que é um dos mais talentosos escritores de quadrinhos do Brasil…e obviamente ele não escreve apenas quadrinhos. Criamos alguns projetos em conjunto alguns deles ainda a caminho de ver a luz, a exemplo da tira O Camaleão, outros já devidamente iluminados como Os Problemas de Carlinhos, onde faço apenas o desenho.



No segundo álbum da série MSP, Sidney Gusman pensou em explorar melhor uma parte do que foi vislumbrado na primeira edição: o universo dos personagens de Maurício sob a ótica de outros artistas. Como Mozart Couto, Adriana Melo, Roger Cruz, interpretariam os personagens da turma. Que personagens eles gostariam de desenhar.


Com base nisso Gian e eu fomos convidados a trabalhar novamente em conjunto, desta vez sob a batuta do Maestro Gusman que regia a “sonoridade” afinada de mais 50 desenhistas sortudos. Minha alegria foi dupla ou tripla, pois trabalhar com amigos num projeto tão importante era muito mais do que eu poderia esperar.

Star Trek, Perry Rhodan, Dr. Who, Planet Comics, Strange Worlds, Flash Gordon, Buck Rogers já foram citados por mim inúmeras vezes nas matérias e divulgações relacionadas a esta produção, mas o fato é que, estes universos ficcionais encontraram morada fácil na minha memória e do Gian Danton.


O resultado dessa salada de influencias foi um Astronauta cujos elementos remontam a uma ficção científica retrô ou vintage. Após algumas tentativas iniciais, após o drama do peso da camisa, desvencilhamo-nos das complicações e saímos da experiência com um quadrinho que resulta da fusão de visões e possibilidades próprias de nossa ótica, mas que, creio eu, manteve-se fiel também à raiz plantada pelo Maurício quando da criação do personagem.



Aproveito para agradecer a todos que colaboraram direta ou indiretamente com minha participação nesse projeto Sidney, Maurício e Gian. Fernando, Allan e Walber com quem sempre converso sobre Ficção Científica e idéias malucas; Prof. Jesuíno um mestre e conseglieri;  a minha família que faz parte de um outro tipo de making of…o da vida. E como não pode faltar um agradecimento de ordem espiritual, à energia que permeia todos os seres vivos do universo.



No blog Roteiro de Quadrinhos você confere outro making of desta obra.

sábado, 10 de julho de 2010

Mino na Gibiteca de Fortaleza


Tive a honra de apresentar em começo de julho deste 2010, uma palestra do grande cartunista brasileiro Mino. O áudio da palestra você confere abaixo ou no download.

Quem conhece cartum nacional já deve ter tido contato com o trabalho do Mino, mas para os neófilos é uma excelente oportunidade de saber mais da trajetória dessse Mestre das Histórias em Quadrinhos brasileiras e ter contato com sua história, sua vivência e sua incomparável presença de espírito e bom humor.




O áudio foi mantido praticamente sem edição para manter a documentação desta gravação intacta para a audiencia. Bom programa e boas risadas.



DOWNLOAD

sábado, 22 de maio de 2010

Cursos agitam a cena dos quadrinhos em Sobral!


As Histórias em Quadrinhos e os mangás vem ganhando cada vez mais espaço no mundo pop com as adaptações para cinema, tv e outras mídias. Secretarias de Cultura de diversos  municípios e estados passaram a reconhecer a relevância social da Arte Sequencial e começaram a investir em espaços públicos e projetos associados a essa temática. E é nesse cenário que cada vez mais instituições abrem espaços para cursos de quadrinhos.

Em Sobral o cartunista Wescley Braga lança os cursos de Desenho, Quadrinhos e Mangá. Como a maioria dos profissionais da área, Wescley começou sua trajetória no meio independente editando seu material junto ao Grupo Gattai. Agora além de atuar na área do design e ilustração, o desenhista inicia um novo empreendimento ministrando os cursos de desenho, mangá e quadrinhos.
Em depoimento ao Laboratório espacial, o cartunista e designer ressaltou a importância dos cursos de quadrinhos que hoje existem nas principais cidades do país complementando: “O quadrinho é uma mídia de muito peso quando usado de maneira correta, até o Google já usou como recurso de publicidade.Infelizmente, algumas pessoas ainda vêem como algo infantil. Aprender a produzir em várias mídias é um diferencial de mercado. Para qualquer profissional que atua na área de comunicação hoje, é indispensável conhecer o poder dos quadrinhos.”
Wescley lembrou a presença do quadrinho nas mídias cinema, TV, games e as adaptações literárias de grandes romances brasileiros para quadrinhos como elementos motivadores para formação de público e mercado de trabalho para quadrinhistas.
Os cursos ministrados por Wescley incluem exercícios específicos dentro das aulas práticas e teóricas,onde o conhecimento vai sendo construído numa metodologia construtivista composta da interação com o aluno e constante avaliação de suas produções.




Entrevista
O Quadrinhista Wescley Braga (integrante do Gattai Zine e professor de artes) abre a cachola para dividir com o Laboratório Espacial algumas de suas impressões sobre os Quadrinhos e sua relação com a comunicação social e o mercado.

Quais elementos vc acha que podem ajudar o grande público a entender o Quadrinho como uma mídia de múltiplos gêneros e temáticas?
WESCLEY: Embora muitas pessoas não leiam quadrinhos, quando vão ao cinema ou veem televisão encontram derivações dos quadrinhos. O cinema e a televisão são é sem dúvida meios mais fáceis de atingir um público maior e tem usado quadrinho como fonte para se renovar.
As pessoas que vão assistir um filme e descobrem que foi baseado em HQs acabam se interessando também a procurar a obra original, algumas vezes até mesmo para ver informações que vão além do filme. Do mesmo modo, alguns quadrinhos basedos em grandes obras literárias também podem levar as pessoas a procurar os livros, que são a obra original. Então acaba tudo que interagindo, e uma mídia vai ajudando a outra a se propagar.


O mangá mesmo sendo segmentado por faixas etárias e assuntos ainda é, em grande maioria, publicado no Brasil apenas como produto de consumo para adolescentes, não é?
WESCLEY: O maior problema dos quadrinhos é a divulgação e isso ocorre também no mangá. O mangá tem vários temas, gêneros, dirigidos a várias faixas etárias e ainda assim é consumido apenas por uma maioria de adolescentes, porque simplesmente o público em geral desconhece essa diversidade. A nova turma da mônica em estilo mangá está sendo um grande sucesso e isso também é algo que vai levar outras pessoas que eram só acostumadas a ler Mônica a buscar também outros mangás. Mas por trás de tudo isso teve uma divulgação que valorizou a turma da Mônica. Porque será que na televisão não tem um comercial sobre um lançamento de um mangá? É porque falta investimento e reconhecimento da grande mídia que é o quadrinho.

Se fizermos uma pequena observação como funciona o mercado de mangás no Japão e o quanto as editoras lucram com com seus derivados, animes, jogos, filmes e outros. Isso nos bastaria para ver o quanto o quadrinho tem o seu valor.
Ainda sobre quadrinhos e mangá, eles fazem parte de um composto maior que é a arte sequencial. Que áreas do conhecimento você acha que podem fazer bom uso das técnicas narrativas e visuais do quadrinho e do mangá?
WESCLEY: Em filmes e animação os conceitos são muito parecidos, como a criação de roteiro. Se você cria um roteiro para um quadrinho, ele pode ser usado para criar uma animação, um filme, uma novela, um seriado. Tudo tem uma relação de mensagem e visão. Seja no design gráfico, no web design, nos quadrinhos. Mais do que tudo, nesses meios, uma mensagem deve ser levada através do elemento visual, ou seja, são os recursos visuais, desenho, ilustração, tipologia, diagramação, cores, layout dentre outros, que irão transmitir a mensagem ao público.

Agradecemos ao Professor Wescley Braga pela entrevista e torcemos para que mais e mais pessoas venham a descobrir o mundo dos quadrinhos e suas múltiplas facetas através dos seus cursos de desenhho, quadrinhos e mangá. Para mais informações sobre o trabalho do Wescley Braga visite:
www.Wescleyb.com
www.wescleyb.blogspot.com
Grupo Gattai
Mais detalhes sobre os Cursos ministrados por Wescley Braga clique aqui.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Heróis do Espaço... Homens do Espaço!















O personagem Buck Rogers, surgido em 1928, é considerado o primeiro herói espacial dos gibis. Originário do romance pulp Armaggedon 2419 A.D. de Philip Francis Nowlan, chegou aos quadrinhos em 1929, com arte de Dick Calkins, inspirando vários autores a enveredar no tema da ficção científica.













A exposição direta a um estranho gás, leva o oficial da força aérea Antony “Buck” Rogers a um sono de 500 anos. Ao despertar, encontra um planeta devastado e dominado por alienígenas, iniciando assim sua missão de libertar o planeta, conferindo à série o tom de aventura em meio a exóticas interpretações do ambiente futurista-espacial. O herói permeia o mundo pop através de seriados de tv e cinema e várias versões em quadrinhos, incluindo uma elogiada fase na editora Dynamite.




No rastro de Buck Rogers veio Flash Gordon. No cinema o ator Buster Crabbe chegou a interpretar os dois personagens, Flash Gordon em 1936, 1938 e 1940 e Buck Rogers em 1939. Em 1979, Buster Crabbe participou de um episódio da série de TV 'Buck Rogers no Século 25'.

Flash Gordon, criado pelo traço realista de Alex Raymond para distribuição pela King Features em 1934, vivia aventuras folhetinescas em grandes páginas dominicais. Com o formato maior da página dominical era possível explorar cenários, texturas e grandes figuras, elementos que Raymond dominava muito bem. Dan Berry, Al Williamson e Jim Keefe também produziram sequencias marcantes de hqs e tiras para o herói.

O astro dos esportes Flash Gordon viajava por terras inóspitas enfrentando desafios diversos para evitar catástrofes provocadas por seus inimigos do planeta Mongo. O Reino de Frígia, Arbórea, o Reino das Cavernas são alguns ambientes de Mongo explorados ao longo das aventuras que nos quadrinhos foram ampliadas e revisitadas. Além de seus companheiros constantes de viagem nos quadrinhos, Flash ganhou muitos outros coadjuvantes e suas histórias conseguiram quebrar o padrão estabelecido pelas tiras sem perder o encanto.



Dos anos de 1930s a 1950s, revistas como Adventures into the Unknown, Planet Comics, Weird-Science e outras notabilizaram as aventuras espaciais e estreitaram sua relação com o terror. A quantidade de personagens no gênero proliferou ao ponto do incontável.

Nos quadrinhos dos anos 60-70, a futurâmica espacial trouxe aos leitores personagens como Adam Strange (Joe Cometa no Brasil), Rip Hunter…Time Master. Magnus, Robot Fighter. Personagens de Edgar Rice Burroughs como John Carter de Marte e Carson de Venus foram quadrinizados e apareceram em publicações próprias ou como hqs complementares nas revistas Tarzan e Korak da DC Comics.

No Brasil, 1949, Ziraldo publica, na revista Sezinho, os heróis espaciais Teleco e Tim e na revista Era uma Vez. Gedeone Malagola criou uma série de personagens no gênero. Capitão Astral, Capitão Jupiter, Eletra, Steve Kirby, Radite e Jony Ciclone.



O Astronauta (de Maurício de Sousa) criado em 1975, com o traço cartum típico de seu autor, é um explorador espacial, o que exige uma coragem heroica. A serviço da BRASA (Brasileiros Astronautas) o personagem sempre teve um tom bem humorado, chegando a encontrar personagens parodiados de outras manifestações famosas da Ficção Científica da TV, cinema e gibis. Ainda que haja uma proximidade com a aventura, as histórias do Astronauta muitas vezes adquirem um tom filosófico digno das melhores obras da ficção, como no episódio em que o Astronauta encontra a namorada perfeita e, no fim, descobre tratar-se de uma garota-robô.

Kenton of the Star Patrol, Space Rangers, Rex Clive and The Space Officers, John Hunter of the Marsmen, Rod Hathway, Space Detective, The planetary Adventures of Flint Baker, Captain Science e tantos outros povoaram a imaginação dos leitores de quadrinhos numa época em que o cenário era muito mais rico e democrático.

A Europa e o Japão possivelmente nos forneceriam mais umas boas dezenas de personagens do gênero nos Fumettis, Band Desinès ou Mangás. Da Sergio Bonelli Editori na Itália vem Nathan Never, Legs Weaver, Gregory Hunter e Brad Barron, a Alemanha tem em Perry Rhodan seu mais famoso e longevo homem do espaço—protagonista da mais longa série literária de Ficção Científica do mundo; o espanhol Rocco Vargas traz um apelo e charme latinos ao gênero, enquanto Dan Dare trás um refinamento britânico. Nos mangás (e nos animes) o famoso Goku em Dragon Ball GT viaja pela galáxia em busca das Esferas do Dragão; Capitão Harlock e Patrulha Estelar (Uchu Senkan Yamato) também envolvem viagens espaciais em tramas mais complexas e refinadas. National Kid, Robô Gigante (Jaspion, Ultraman, Spectreman , os três espaciais (W3, Wonder 3 ou Wanda Suri) de Osamu Tezuca, o superomem do Espaço (Yusei Kamen), Space Dandee, Macross,  Príncipe Planeta (Yusei Shonen Papi ), Ás do espaço, todos esses, antigos ou novos,  e mais alguns injustamente esquecidos ou por não caberem na lista, tem um pé na ficção científica e fortes influencias do gênero Heróis Espaciais.

O gênero ‘Heróis Espaciais’ ou ‘Heróis Sci-Fi’ fez história e, adaptando-se aos novos tempos e a novas linguagens, não desapareceu completamente das Histórias em Quadrinhos. Aliás, dada a facilidade que os recursos tecnológicos oferecem, invadiu o cinema e a tv que tem enveredado pelas trilhas do espaço desconhecido em produções cada vez mais requintadas. De tudo isso pode-se depreender que tanto na ficção quanto na realidade a história do homem no espaço (e dos Heróis Espaciais) está apenas começando.

MAIS:
Buck Rogers History and Evolution
Buck Rogers serial 1939 (com Buster Crabbe)
Flash Gordon serial 1936 (com Buster Crabbe)

Planet Comics (wikipedia)
Planet Comics (wikipedia em português)
Planet Comics para ler (em inglês)
Sci-Fi Comic Books (Comic Book Plus)
Out of this World (Comic Book Plus)
Strange Worlds (Comic Book Plus)
Space Action
Capitain Zoom

Heróis Sci-Fi em domínio público
Água e heróis espaciais em Marte
Quadripop: Desenhos animados do Gênero Sword & Planet Parte I
Quadripop: Desenhos animados do Gênero Sword & Planet Parte II
Quadripop: Ficção CIentífica nas primeiras revistas em quadrinhos brasileiras
Quadripop: Homem-Foguete, uma visita aos Heróis voadores pulps
Alex Raymond e as Origens da Space Opera (por Rochett Tavares no Cyber Aeon) 

http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/01/beto-foguete-e-os-patrulheiros-do.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2014/08/beto-foguete-e-os-patrulheiros-do.html



sexta-feira, 19 de março de 2010

Um Laboratório em órbita de idéias legais!



Bem vindo ao Laboratório Espacial, um espaço para experiências e implementações, ou seja, ciência de borda aplicada à arte seqüencial. Este empreendimento é a materialização de algumas idéias e anseios ligados a criação de novos espaços para falar e publicar quadrinhos levando adiante a crença de lutar por mais espaços ao invés de lutar pelo espaço.

O selo que teve vida pública iniciada num fotolog adquire agora a audácia de referendar quadrinhos de múltiplas origens e autorias buscando com isto deixar uma marca de diversão e descontração. Muitos temas serão ignorados em função da busca por produtos que reflitam o bom humor e as boas energias de épocas em que os quadrinhos eram despretensiosamente divertidos.

O Laboratório Espacial não é uma editora, é um projeto editorial. Assim muitas vezes se manifestará aliado a editoras, faneditores, sites e selos diversos sempre que um interesse comum se apresentar de maneira sólida e mostrar força suficiente para suplantar desafios e adversidades. Os autores e projetos parceiros do Laboratório serão apresentados a seu tempo. O site servirá de eixo para divulgação e diálogo de projetos interessantes ligados a quadrinhos em suas diversas facetas e manifestações. Será possível contratar serviços (aulas, workshops, artes originais, desenvolvimento de personagens e projetos) e adquirir os produtos com a marca do Laboratório.

Em tempo o site apresentará quadrinhos, tiras, making ofs, contos, ilustrações, entrevistas e o que mais concordar com o preceito de buscar e dividir coisas legais.
Obrigado pela visita.