quarta-feira, 20 de julho de 2016

POWERGIRLS: Elas adoram a Mulher-Maravilha! (por Ricardo Quartim)















Nem todo nerd é homem, nem toda mulher nerd é feia. 

Durante décadas os quadrinhos e tudo relativo a cultura pop como cinema, séries de TV, animações, games, RPGs, dentre outras coisas era taxado não apenas de subcultura como também exclusivamente do universo masculino. O preconceito ainda ia além quando os indivíduos que gostavam disso eram considerados esquisitos, desajustados da sociedade, debilóides, medíocres e infantis. 

No entanto os anos foram provando o contrário e mostrando que o nerd, antigamente considerado uma ofensa, hoje é muitas vezes o profissional bem-sucedido e sinônimo de pessoa com QI acima da média e cultura eclética. Mark Zuckerberg, Bill Gates, Steve Jobs, Steven Spielberg, George Lucas até mesmo o presidente dos Estados Unidos Barack Obama bem como muitos outros nas mais variadas profissões e locais do planeta são nerds.  A lista é extensa! Além do que o nerd agora parece estar na moda!
Ei! Mas nem todos esse aí citados curtem quadrinhos! Por isso existem várias tribos de nerds e geeks que curtem também tecnologia, informática, literatura etc. É claro que existem muitos malucos sem noção nesse meio, e muitos chatos também que nem mesmo nerds legítimos são. Mas não estamos aqui para falar deles, nem mesmo para fazer um estudo minucioso sobre o nerd e suas diversas facetas. O objetivo dessa matéria é quebrar o tabu que apesar de toda essa mudança de status quo dos nerds e geeks, passando de termo pejorativo a elogio, ainda continua com a falsa ideia de que eles são predominantemente masculinos. E que caso haja uma mulher nesse meio (o que afirmam ser raro) ela certamente teria baixa inteligência, seria feia, esquisita e pouco ou nada feminina.
Após ler todos os depoimentos abaixo e conhecer suas autoras bem como suas qualificações e talentos profissionais, além de serem todas mulheres belíssimas e inteligentes, você verá que essa ideia equivocada mencionada acima vai por água abaixo. Essas garotas não só curtem quadrinhos e super-heróis como ainda espelham suas vidas nos exemplos destes seres mitológicos modernos. E muitas delas até trabalham na área de desenhos, são escritoras ou atuam como cosplayers. Como diz a própria Débora Caritá, uma das que prestam o depoimento abaixo: “Eu acho que quadrinhos é apaixonante para qualquer pessoa que tenha cérebro...”

E como a pauta desta vez é delas, nada mais lógico do que escolher como tema a maior das super-heroínas das HQs: A Mulher Maravilha. As declarações dessas mulheres mostram a força feminina e como a Mulher Maravilha inspira isso, mesmo para aquelas que não acompanham os gibis desta personagem. 

Todas são leitoras de quadrinhos, seja HQs, mangás. E apesar de serem mulheres, não possuem essa neura de que uma super-heroína não pode ser sexy e usar uniformes provocantes. Isso nota-se até mesmo pelo trabalho de algumas. São todas mulheres lindas, inteligentes e assumidas que sabem que o valor de uma mulher está em suas atitudes independente de sua aparência. (Os depoimentos a seguir estão em ordem alfabética)

BÁRBARA ELLEN
Mesmo não tendo lido HQs da Mulher Maravilha ela é um ícone e uma referência até para quem não curte quadrinhos. Quando dizemos Mulher Maravilha sempre vem uma ideia em nossa mente. O mesmo que ocorre com o Superman. Qual ideia vem em sua mente? Como você a enxerga? Seria até legal uma pessoa que apesar de curtir quadrinhos não ler a MM, pois mostraria como ela atinge a mente das pessoas!
Bárbara Ellen: "Técnica em Enfermagem, curte mangás e é desenhista nas horas vagas"
 

DÉBORA CARITÁ
“Não é clichê dizer que a Mulher-Maravilha é uma heroína especial dentre as demais. Acredito que ela deva ser mais compreendida do que vista, ou seja, mais entendida como uma personagem que tem uma mensagem a respeito de ética do que uma beldade superforte – assim como o Superman.
Porém, a grande maioria das mulheres não-geeks – acreditem em mim! – confunde a MM com mais uma superpoderosa com pouca roupa - e com razão, talvez! Na obra de Alex Ross e Paul Dini, este conflito que, sem querer, a MM cria com ela mesma e com outras mulheres, aparece na genial Graphic Novel Mulher-Maravilha – O Espirito da Verdade . Na história, a MM é mostrada pedindo ajuda ao seu amigo Superman por não entender a reação negativa das pessoas a ela - afinal, como alguém tão virtuosa e cheia de boas intenções pode ser tratada com tanta desconfiança? - ela se perguntava.
A resposta vem do Kriptoniano, que diz que sua aparência, força e enorme beleza podia surtir o efeito contrário, de afastar as pessoas que ela tanto queria ajudar. No final da história, vemos MM como uma mulher vestida discretamente no meio da multidão, mas com uma enorme força moral que fica óbvia no seu olhar, por baixo de seus óculos de sol. 
Esta é a Mulher-Maravilha que todos (ou todas!) devem mais compreender do que ver.
Resumindo: “ Coitada da moça, ela REALMENTE só quer ajudar a humanidade! Vamos parar de prestar atenção somente no corpo dela?  kkkkkk”
Débora Caritá: Formada em Letras mas sua vocação mais predominante foi o desenho e a ilustração. Já fez trabalhos como colorista para editoras como a Marvel (Hulk, X-23) e Dynamite onde trabalhou sob a direção de Alex Ross na série Superpowers. Atuou durante dois anos como desenhista na revista mensal Dejah Thoris (Dynamite). Atualmente faz ilustrações publicitarias para animatics, desenhos de projetos de HQs, faz estudos de modelagem 3D.
Para conhecer o seu trabalho acesse:
Para contatar Débora acesse seu Facebook: Débora Caritá Facebook


HELENA LOPES
"Impossível falar de Mulher Maravilha e não associar sua imagem com poder feminino. Hoje ela é caracterizada e vivida de uma forma tão poderosa e que sobressai o que por tanto tempo foi o seu emprego: De um estereótipo sexual para um comércio quase que exclusivamente masculino. Como mulher e amante de quadrinhos sempre tive um amor profundo pelas personagens femininas. Seja Tomb Raider, Mulher Gato ou a semideusa Diana. E acho que além do entretenimento, a Mulher Maravilha deu uma nova perspectiva do que as mulheres nos quadrinhos (e fora deles) são capazes de fazer. E a prova disso é a evolução dos novos heróis de hoje que estão sendo trocados por versões femininas. Além de uma mitologia incrível e um background único como amazona, Diana exerce um poderio imenso de inteligência, valentia e beleza. E não é sem mais que a primeira e sem igual aparição dela no cinema causou tanto alvoroço. "
Helena Lopes: Escritora autora de três romances, formada em Marketing, cursando Arquitetura e Urbanismo, ex-youtuber e nerd “multifuncional”. Durante a noite costuma ser vista no alto dos prédios perseguindo um certo Homem Morcego vestida de Mulher Gato. Helenalopesh.blogspot.com.br

JAQUELINE ABRÃO (JACK ABRÃO)
Sempre vi a princesa Diana ou Wonder Woman como um símbolo do orgulho feminino, creio que é uma das mulheres mais marcantes da história dos quadrinhos, filha da rainha das Amazonas é um ser muito nobre e que sempre me fascinou não somente pelo seu senso de justiça como também por seus superpoderes como força sobre-humana, sentidos aprimorados e supervelocidade, sem contar aquele laço invisível e beleza, sem dúvidas devemos muito respeito a ela.
Jaqueline Abrão: 26 anos, Pedagoga,Maquiadora Profissional, Cosplay, Youtuber no canal Jcatchannel e Proprietária da empresa Its'ME - Moda Geek.

KALOY COSTA
O que falar da Mulher Maravilha que sem dúvida é o maior ícone feminino das histórias em quadrinhos. Uma mulher forte, valente, bondosa, persistente e acima de tudo fascinante. Sempre está disposta a lutar e nos ensina que não precisamos de salvadores e nem nos fazer de vítima, porque somos e sempre vamos ser capazes de chegar onde queremos com nossa força de vontade. Aprendi a buscar meus sonhos e espaço, correr atrás das minhas conquistas, enfrentar dificuldades e nunca desistir. Aprendi que mereço reconhecimento e respeito.
"Kaloy Costa é desenhista na empresa Ed Benes Studio, nerd, cosplayer, não perde um episódio de Game of Thrones e nas horas vagas tenta salvar o mundo" 
Kaloy Costa no Deviantart

          
LAVÍNIA UNDERBOUGTH
Lembro-me do meu primeiro contato com a Mulher Maravilha, foi no início de 2004 numa edição da Liga da Justiça que me parecia ser uma edição especial de fim de ano, com uma história um tanto quanto macabra do Papai Noel, e o que me marcou não foi nem aquele Papai Noel malvado, mas sim, uma personagem feminina totalmente diferente das que eu era acostumada em contos da Disney e também em revistinhas do Conan, a Mulher Maravilha. Isso foi bem marcante para mim e creio que para outras pessoas também, porque em quadrinhos que eu lia só existiam 3 tipos de personagens femininas, as donzelas em perigo, as princesas e as bruxas/feiticeiras, e de repente eu conheci uma heroína forte, independente e uma ameaça real contra o mal, a Mulher Maravilha em momento nenhum era ofuscada por outros heróis com outros poderes da Liga. Depois de muitos anos acompanhando os quadrinhos e vendo que aos poucos a Mulher Maravilha vem se popularizando cada vez mais, e outras heroínas também, ver a força daquela heroína retratada no cinema com a mesma força e independência daquela que eu lia nos quadrinhos foi uma MA-RA-VI-LHA, em momento nenhum nos cinemas ela ficou ofuscada muito pelo contrário talvez até tenha roubado a cena em vários momentos. A única coisa que não me agradava era que nos quadrinhos quem desenhava a Mulher Maravilha geralmente não era uma mulher, e eu como desenhista achava que a DC deveria representar a presença feminina por completo e seu artista fosse um reflexo do seu personagem, porque quem melhor para contar uma história de uma super mulher do que uma super desenhista? E 2016 veio pra me fazer amar mais ainda a DC, além da incrível aparição da Mulher Maravilha nos cinemas, no Rebirth da DC (marco que zera as edições dos Novos 52 e data uma nova etapa, e uma reformulação nas histórias) foram anunciadas várias desenhistas e roteiristas para criarem historias das nossas heroínas, Claire Roe, Julie Benson e Shawna Benson – Batgirl & Birds of Prey, Emanuela Lupacchino Super Woman, Amanda Conner – Harley Quinn, E quem desenhará as edições da nossa querida Mulher Maravilha, é uma maravilha de desenhista Nicola Scott, vale muita a pena conferir os desenhos dela. Quero concluir com uma observação que quem acompanhar as histórias da Mulher Maravilha ao longo das trocas de roteirista vai perceber, que cada roteirista se inspirou em uma mulher diferente para poder retrata-la e tem um pouco de cada uma de nós nela. 
Minibiografia- Estudante de Design na UFCA, trabalho como desenhista freelancer e concept artist, e também dá aula de concept art e princípios básicos do Design na escola Diocesano Pe. Anchieta.





LÉIA OLLIVER
"O que falar dessa personagem que é considerada a maior heroína dos quadrinhos? Bom, sempre tive fascínio pela Mulher Maravilha, mas minha paixão só cresceu ainda mais há alguns poucos anos, assim como meu interesse por quadrinhos de super-heróis.  
É a personagem que mais admiro e, claro, a que mais uso como referência em meus trabalhos (quem me conhece e acompanha meu trabalho sabe muito bem disso), tanto que, de vez em quando, me aparecem comentários do tipo: " Nossa! Mulher Maravilha de novo???"   Sim! De novo...! E se reclamar, vai ter muito mais! (risos) " 
Léia Oliver é desenhista profissional mas sempre tem de dar esclarecimentos provando que jamais utilizou um bat-uniforme e não atende pelo nome de Bárbara Gordon
Léia Olliver no Deviantart
Léia Olliver no Facebook 



PAMELA HELLEN
Aproximadamente com 15 anos estava eu em uma banca de jornal olhando inúmeros HQs e Mangás com os olhos brilhando de tanta arte encantadora. Depois de minutos bem longos sai de lá com sorriso enorme e as mãos cheias daquilo que na época chamava de gibi. Infelizmente não tive ninguém que pode me influenciar, tudo que sei hoje descobrir depois de muitas pesquisas. Aos 22 anos depois de escutar vários “isso é só uma fase”, ainda tenho o mesmo encanto quando vejo meus heróis favoritos no cinema. E ao ver a Mulher Maravilha nas telinhas, aquela que me inspirou de tantas formas foi como subir de nível na minha vida. Hoje não é difícil de encontrar garotas que amam esse mundo, elas estão por aí disfarçadas de advogadas, publicitárias, engenheiras e de várias outras formas, algumas com mais evidencias do que outras!
Pamela Hellen, 22 anos. Estudante de Publicidade e nas horas vagas saiu por ai salvando o mundo como ajudar uma velhinha a atravessar a rua...

TÂMARA LOPES
Em minha infância eu não tinha contato com quadrinhos a não ser que fossem da Turma da Mônica, portanto, a primeira vez em que vi a Mulher-Maravilha foi na série animada da Liga da Justiça. De início já gostei da personagem, pois ela era bonita e eu desejava ser como ela. Com o passar do tempo e com um contato maior nesse mundo da cultura pop fui percebendo que a personagem é muito mais que um rostinho bonito.
 O que acho mais "fofo" nessa personagem é que ela é a personificação da visão que William Moulton Marston tinha das mulheres. A Diana é bonita, inteligente, elegante, forte, lutadora, astuta e boa o suficiente para chegar a fazer parte da trindade da DC, além de quebrar padrões e preconceitos sociais impostos as mulheres que muitas das vezes não são aplicados em prática, como o ditado de que beleza e inteligência não combinam. 
Como mulher, adoro a imagem e conceitos que a Mulher-Maravilha transfere, e no mundo dos quadrinhos onde o domínio sempre foi masculino, eu me sinto muito bem representada por esse grande ícone feminista da cultura pop. 
Tâmara Lopes, 22 anos, formada em Artes Visuais e estudante de escultura.
Ilustradora / Concept artist 
Behance.net/Tammyart


VERÔNICA ÉRICA BERGAMIN 
A Mulher Maravilha representa para mim coragem, força, determinação, justiça e lealdade. Além de ser uma heroína excepcional e grande guerreira ela eleva ainda mais a figura feminina, mostrando que nós mulheres não somos só sexo frágil. E ainda tem como grandes amigos o Batman e o Superman, faz parte da Liga da Justiça, salva o mundo por décadas e forma o trio mais famoso dos quadrinhos. 
Verônica Érica Bergamin: É Técnica em Nutrição, adora ler e não perde um filme de super-heróis.  É fã do Batman e do Justiceiro porque gosta de heróis violentos mas chorou quando leu A Morte do Superman.




http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/04/porque-mulher-maravilha-e-tao-legal-por.html




https://osantuario.com/2013/06/25/a-estonteante-mulher-estupenda-a-era-de-ouro-dos-quadrinhos-nacionais/



Francisco Iwerten, A Biografia de uma Lenda! (sobre o press release)









Na década de 1940 um quadrinista curitibano criou um dos primeiros super-heróis brasileiros, o Capitão Gralha. Dono de uma ampla galeria de histórias e vilões o herói foi resgatado na década de 1990 por jovens artistas que, em sua homenagem, criaram o personagem O Gralha. Assim nasceu a Lenda de Francisco Iwerten, um autor que, na verdade nunca existiu.

Nos anos que se seguiram à publicação da revista Metal Pesado Especial (1997), onde o autor fictício e sua criação foram mencionados pela primeira vez,  Iwerten ganhou o título de Mestre do Quadrinho Nacional, tornou-se famoso e quase foi homenageado por uma escola de samba. Toda essa trajetória é contada em detalhes no livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder, editora Quadrinhópole. 

O livro é do tipo vira-vira (também chamado Flip-Flap), com dois lados que se completam. Na primeira parte, é contada a biografia fictícia de Iwerten como se ele de fato tivesse existido, sua vida, seus anseios, as inspirações para o Capitão Gralha e as dificuldades com a concorrência dos quadrinhos americanos e a perseguição local contra seu personagem. Detalhes sobre a vida de Iwerten, sua família, notas biográficas, fotos de época e artes raras do autor retiradas de alguns de seus diversos diários. Tudo cautelosamente engendrado para dimensionar o personagem Francisco Iwerten. De fato um exercício criativo coordenado por Antonio Eder e Gian Danton que resulta numa obra de ficção com o charme incomparável do "e se...".

No outro lado, é contada a história “real”, com o contexto da criação de Iwerten e as consequências da história fake, que, de uma brincadeira para dar verossimilhança ao personagem Gralha, escapou do controle de seus autores e se tornou muito maior do que cada um poderia esperar. A lenda Iwerten cresceu tanto que se chegou a dizer que ele foi um dos criadores do Batman.  


Um dos destaques do livro são as capas criadas por JJ Marreiro. No lado “A história do Capitão Gralha”, Iwerten aparece em sua prancheta, ilustrando o capitão e tendo seus quadrinhos ao fundo. No outro lado, em que se conta a história por trás da lenda, Iwerten aparece dentro dos próprios quadrinhos, sendo desenhado por uma mão em estilo realista. As capas representam os dois aspectos abordados na obra: Iwerten como autor e Iwerten como personagem


O livro traz ainda o processo de criação visual de Iwerten, feita por JJ Marreiro e Fernando Lima a partir de manipulação digital de fotos antigas.
Gian Danton e Antonio Eder fizeram parte do grupo de autores que criou o Gralha e elaborou a lenda de Iwerten e do Capitão Gralha. O livro integra a pesquisa doutorado em Arte e Cultura Visual de Gian Danton realizada na FAV-UFG, sob orientador do professor Dr. Edgar Franco. 

O livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda  pode ser adquirido pelo e-mail: profivancarlo@gmail.com.

SERVIÇO
Formato: 12 x 18 cm
80 páginas
Lançamento Julho/ 2016
Editora Independente
Link para compra online: GIBISTORE 
Contato: Através do e-mail profivancarlo@gmail.com


http://www.gibistore.com/loja/francisco-iwerten

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Criação de personagens (por JJ Marreiro) — Parte I











Introdução:

O elemento condutor principal de uma história, que vai atrair o leitor e conduzi-lo através da jornada narrativa, aquele com quem as situações acontecem…este é o personagem.

Cada personagem numa história precisa ter uma função, um motivo de estar ali… mesmo os figurantes. Obviamente os figurantes não precisam ser compreendidos tão profundamente quanto os protagonistas, ainda assim devem ser pensados como elementos constituintes do ambiente, alinhados ao tom da história.

Enquanto os figurantes devem ser basicamente sintonizados com o cenário e época, os protagonistas devem ir bem além disto, afinal são esses personagens que servirão de convite para apresentar todo um universo criativo aos leitores. É preciso então que os leitores percebam os protagonistas como elementos interessantes e se importem com eles.










Aspectos Físicos:

Aparência não é tudo, mas ajuda a vender um produto. O que faz você escolher um salgadinho em detrimento de outro? Imagine, numa lanchonete, dois salgadinhos: Um deles robusto, douradinho, de formato regular, sequinho na medida certa; e outro mirado, amassado, meio cinza, pingando óleo. Essa é a mesma relação de atração ou repúdio que pode ser manifestada na imagem de um personagem: Um desenho bem cuidado, figurino, adereços e postura passam as primeiras informações sobre um personagem. É o personagem e sua apresentação que servirão de cartão de visitas para sua história.




Elementos para a elaboração do visual do personagem:

Adequação ao ambiente da história, Estilo de desenho, Compleição física, Figurino e Adereços. Para cada desses itens você pode realizar uma pesquisa de imagens, reunindo referencias para desenhar adequadamente cada item.











Personagens criados para animação ou quadrinhos possuem visual mais prático, pelo simples fato de que serão desenhados muitas vezes. Assim, fitas soltas no uniforme, múltiplos cintos, ferramentas, adereços, correntes, rebites, fivelas e itens que exigem detalhamento e paciência são menos comuns nestes personagens. Ao contrário por exemplo dos games, onde os frames serão reproduzidos digitalmente e o criador só precisou gerar esses itens uma vez no modelo digital. Em parte isso explica porque os filmes modificam os uniformes simplificados dos super-heróis.












No design de personagens para empresas, os famosos mascotes, a simplificação também é uma ferramenta importante pois, através dela se reduz a quantidade de mensagens que o consumidor precisará para perceber a imagem do mascote e do produto. É importante pensar, neste caso, o mascote como extensão da empresa que representa, trazendo consigo seus valores e suas características.









Relação entre Aparência e  Personalidade:

Personagens bem parecidos e bonitões normalmente representam a ordem, a justiça, o bem, enquanto, os feios, magricelas de nariz adunco, olhos oblíquos são mais associados ao mal. Existem formas e conceitos básicos que possuem o mesmo significado para um grande número de pessoas por estarem presentes no chamado inconsciente coletivo, esses conceitos básicos recebem a denominação de arquétipos. (Para mais informações sobre isto pesquise Carl Gustav Jung, arquétipos e inconsciente coletivo).


A vantagem de usar uma associação direta entre imagem e significado é que você transmite valores, ideias e conteúdo por meio do desenho do personagem. Há um ganho de tempo neste caso onde não é necessário tecer muitas considerações para explicar que o cavaleiro de armadura reluzente é um guerreiro do bem, ou que o garoto pequeno de óculos fundo de garrafa é um geniozinho nerd. Neste caso os arquétipos possuem uma leitura direta e é um dos momentos em que o clichê ajuda no processo narrativo.












Por outro lado, ao subverter os arquétipos mostrando, por exemplo, um mago de barbas longas e óculos como um imbecil inepto, você trará o elemento surpresa para a constituição do personagem. Esta é uma boa vantagem para este recurso, infelizmente demandará mais tempo em termos de quadros e páginas para você fazer o leitor perceber que as aparências enganam.





Referências:

Com o uso das novas tecnologias ficou bem mais fácil encontrar imagens para estruturar suas criações, existem vários sites que fornecem elementos para composição não apenas de figurino, mas de cenário e adereços. O difícil neste caso é saber usar as ferramentas com criatividade mesclando a imagem fonte com seus próprios estudos para não cair em armadilhas comuns. Um tempo atrás vi em blogs dois desenhos baseados numa mesma foto usada como base para o desenho do personagem Judoka. Infelizmente nenhum dos artistas interferiu na imagem, usando-a sem modificação alguma. Esse tipo de incômodo deve ser evitado simplesmente usando a referencia como se deve, ou seja como uma bússola para conduzir seu caminho. A referência é um instrumento e não o trabalho final.

As enciclopédias visuais, catálogos de lojas, recortes de revistas e jornais ajudam a formar um banco de dados mais pessoal e por consequência vão diminuir as coincidências no caso de você aproximar muito sua arte da referencia usada.


Outra ferramenta útil é a câmera fotográfica com a qual pode-se gerar um guia de referencias ainda mais exclusivo e pessoal.Por fim figurinos e adereços aparecem com detalhes em diversos filmes e seriados. E mesmo que você possa fazer uma captura de imagem digital, usar o bom e velho caderno de desenhos para esboçar os elementos de seu interesse pode ser um bom exercício para seu poder de observação e para evoluir seu traço.











Há muito o que se falar sobre criação de personagens, suas funções e usos, métodos de criação e adaptação de uma mídia para outra. Um artigo apenas é pouco para contemplar o universo de coisas que se pode explorar dentro do tema, sem falar que cada autor pode desenvolver seu próprio método e sua própria classificação. Então é necessário entender essas dicas, sejam originadas de livros, matérias ou artigos como bússolas e nunca como dogmas.

Esta é uma repostagem de um artigo que perdeu-se quando o Laboratório Espacial migrou de servidor e foi refeita atendendo a pedidos. Se você curtiu, comente, compartilhe e espalhe pros amigos. Para ler a PARTE II desta matéria é só clicar AQUI.










Alguns sites para busca de imagens:
fotosearch
compfight
Outros links para explorar o tema:
Recriação do ASTRONAUTA (de Maurício de Sousa) por Gian Danton e JJ Marreiro
Por que devo saber classificar minhas criações?
Ajuste sua criação a faixa etária desejada: Manual de Classificação do Ministério da Justiça



http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/07/criacao-de-personagens-por-jj-marreiro.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/07/criacao-de-personagens-por-jj-marreiro_22.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2010/10/o-astronauta-de-mauricio-de-sousa-por.html

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/05/dicas-de-producao.html






quarta-feira, 15 de junho de 2016

COMUNHÃO: Segundo álbum de Felipe Folgosi via Catarse! (por Ricardo Quartim, o Super-herói da notícia)



O ator, apresentador e roteirista Felipe Folgosi conhecido por várias novelas dentre elas Olho no Olho da Rede Globo, a trilogia dos Mutantes na Record e pela participação no Reality Show A Fazenda está com seu segundo projeto de uma HQ no Catarse.

Folgosi é fã de quadrinhos desde criança. Não apenas dos super-heróis Marvel e DC mas como ele mesmo diz, lia de tudo desde Asterix, Maurício de Sousa até Moebius dentre outros. Um dos seus maiores sonhos era produzir uma HQ e se realizou com seu projeto anterior, Aurora.

Agora ele retorna com a Graphic Novel Comunhão. Na trama um grupo de corridas de aventuras vem ao Brasil para participar de uma etapa do circuito mundial. Após a prova eles resolvem fazer uma trilha na Mata Atlântica longe da organização e da imprensa. No entanto eles se perdem e acabam encontrando uma tribo misteriosa dominada por um reverendo psicopata chamado Adam Byington.


A  história é narrada pelo ponto de vista da protagonista Ammy Stuart. Ammy é uma das maiores corredoras de aventura do mundo. Dura na queda a jovem começou correndo na equipe do irmão Mark, mas depois acabou formando seu próprio time só de mulheres. De temperamento forte e possuidora de certa teimosia, por uma decisão errada dela um acidente grave acontece e isso a traumatiza fazendo-a parar de correr, sendo um ponto de virada da personagem.

Após isso Ammy passa a ser coordenadora da equipe do irmão. Quando vem ao Brasil junto da equipe e eles se perdem, ela tem de voltar a correr só que desta vez pela própria vida.

A história é recheada de suspense, aventura, ação e terror psicológico. Há também muita influência slasher e gore, subgêneros de filmes de terror quase sempre envolvendo assassinos psicopatas que matam aleatoriamente com muito sangue. Os personagens são levados ao extremo da sobrevivência humana. Mas nem por isso deixa de ter humor, romance, heroísmo e até questões religiosas/filosóficas. 

“Quem será o melhor adaptado para sobreviver na natureza selvagem, um corredor de aventuras de nível mundial ou um nativo que cresceu caçando na mata e a conhece como a palma da mão? Quem é a presa e quem é o predador?”

Da mesma forma que o projeto anterior, Aurora, era um roteiro para o cinema e que Felipe resolveu transformar em HQ, o mesmo ocorreu com Comunhão. Em uma conversa com Felipe ele declarou para o Laboratório Espacial que “O Comunhão surgiu da sugestão de um amigo americano para que eu escrevesse um filme de terror, pelo fato desse gênero ser muito produzido lá fora e ter mercado. Mas eu não queria fazer apenas um slasher violento que gostava quando era adolescente, queria que tivesse outros elementos para dar uma profundidade à história.” 
  
Após ver o potencial de Aurora nos quadrinhos e a boa repercussão da obra, ele resolveu transformar também Comunhão em uma HQ. Felipe está na lista de indicados do Troféu HQ MIX (ano 2015) por Aurora em três categorias, Roteiro, Novos Talentos e Publicação de Aventura, Terror e Fantasia. Em Comunhão Felipe retorna a parceria com o Instituto HQ em busca de financiamento no Catarse.

No entanto desta vez o responsável pela arte é o quadrinhista JB Bastos, um dos destaques da nova geração já tendo desenvolvido trabalhos para o mercado internacional como Night Trap e Knight Rider para Lion Forge e Black Bag para Legendary Comics.

A princípio o álbum será lançado no formato: 22,3 x 31,5 cm, capa triplex, lombada quadrada 250 g e miolo offset 90 g, com 144 páginas preto/branco (134 de arte). Haverá várias recompensas entre elas, assim como também ocorreu em Aurora, poder tornar-se personagem da HQ e convites VIPs para a festa de lançamento com a presença dos artistas e da imprensa na Stunt Burger  uma das mais conhecidas hamburguerias da cidade de  São Paulo.

Comunhão poderá ser financiado até o dia 30 de julho. Para apoiar e conhecer mais detalhes sobre o projeto acesse a página no Catarse:  https://www.catarse.me/pt/comunhaohq














































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