sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

FANZINE: A Democratização dos conteúdos !




O Fanzine, cujo termo tem origem na união das palavras Fanatic + Magazine consiste numa publicação sem fins lucrativos que tem por objetivo divulgar ou difundir determinado assunto, ou vários.  Ao pé da letra, a Democracia seria o governo do povo, mas compreende-se que é um regime onde os valores de todos são respeitados, onde um dos princípios fundamentais é a igualdade. Por sua simplicidade de produção e pela liberdade editorial o Fanzine democratiza a produção e compartilhamento de seus conteúdos que vão dos mais sensatos, objetivos e informativos aos mais nonsenses.

O mundo das publicações, no ocidente, desde o desenvolvimento da prensa de tipos móveis , de Gutemberg, sempre esteve sujeito a elevados custos  de produção. Deste modo era natural que os conteúdos tivessem a tendência de propagar as ideias, crenças e ideologias de grupos específicos —coisa que ainda acontece nos grandes veículos de comunicação. Centenas de jornais independentes foram varridos para debaixo do tapete da História por posicionar-se contra o poder estabelecido e seus valores.

 Enquanto as tiragens de Jornais e revistas ficam na casa dos milhares, os Fanzines são regidos pela casa das dezenas e centenas. Uma das características do Fanzine é a baixa tiragem. Isso aliado a ausência de fins lucrativos talvez tenha garantido seu caráter alternativo, marginal, periférico.

Os primeiros Fanzines surgiram nos Estados Unidos, no início dos anos de 1930, como forma de intercâmbio entre os leitores de Ficção Científica. Cosmic Stories (1929, Editado por Jerry Siegel— ele mesmo um dos criadores do Super-Homem) e The Comet (1930, Clube de Correspondência Científica) são dessa época. O título "Ficção" (1965, editado por Edson Rontani) é considerado o primeiro Fanzine brasileiro. Como se vê, desde sua gênese os Fanzines andam às voltas com as Histórias em Quadrinhos e com a Ficção Científica.

Nos anos de 1930 se usava o hectógrafo para reproduzir documentos e posteriormente o mimeógrafo, que até meados dos anos de 1970 também era usado para esta finalidade. O mimeografo era muito comum nas escolas para reproduzir provas e Trabalhos Didáticos. Esses equipamentos rústicos de impressão foram utilizados para imprimir os primeiros Fanzines que se tem conhecimento. Com a popularização das fotocopiadoras (xerox) a produção de Fanzines teve um vasto crescimento, em parte devido ao movimento Punk e o a ideologia do "Faça você Mesmo".  As temáticas também se multiplicaram ao infinito. Surgiram Fanzines sobre Rock, Terror, Filmes, Poesia, Sexo, Drogas, Escatologia, Teorias da Conspiração e por aí vai. As temáticas eram e são infinitas, pois quem decide o que publicar é o Faneditor (Editor do Fanzine). Eis aqui mais algumas características importantes do Fanzine: a pluralidade de temas e sua independência editorial, já que o editor não precisa se sujeitar a normas ou regras impostas por nenhum grupo econômico ou financeiro. O que é publicado no Fanzine é responsabilidade de seu publicador (ou de seu grupo de publicadores).















A distribuição, troca ou venda destas publicações ganha força em eventos e shows. Por meio dos correios as edições acabam chegando aos locais mais improváveis e com o apoio da Internet o Fanzine pode atingir qualquer lugar. Alguns fanzines hoje em dia são distribuídos em formato digital, com a possibilidade do leitor imprimir se assim desejar. Os Blogs e sua simplicidade de edição e publicação possuem o exato espírito de "faça você mesmo" presente nos zines. Publicações impressas mais audaciosas e de maior custo podem conseguir financiamento via crowdfunding (financiamento coletivo online).  Mas qualquer que seja a plataforma usada para a produção de um Fanzine, uma Linha Editorial é imprescindível. Ou seja: Ter um tema específico para abordar e deixar o público ciente disto de maneira clara.

Um Fanzine pode ser usado para:
-Trabalhar a noção de grupo e trabalho de equipe;
-Divulgar um assunto específico ou vários;
-Transmitir conteúdos Educativos, Institucionais ou Instruções;
-Trabalhar a comunicação escrita;
-Estimular o intercâmbio, a troca de informações e a criação de contatos e amizades;
-Manifestar uma expressão artística;
-Entreter e divertir;
-Exaltar um personagem ou personalidade.

Por isso, um Fanzine (tradicional ou eletrônico—assim como um blog) pode ser tão útil ou tão inútil quanto deseje seu editor. 

http://manicomicsblog.blogspot.com.br/2016/02/mcs-extras-kario-por-jean-okada.html
MAIS:
UzineFanzine (Fanzinoteca Virtual)

FANZINE Q.I. (Um dos maiores —senão o MAIOR— catálogos de Fanzines do Brasil)

VÍDEOS:












Aqui embaixo você encontra dois arquivos para (caso queira imprimir. Você pode imprimir frente e verso ou imprimir as duas partes e colar segundo as instruções para que a sequencia de páginas fique na ordem correta. O importante é atentar para que a matriz a ser reproduzida esteja com a numeração correta ou seja: A página dois sendo o verso da capa; a pág 03 sendo o verso da pág 04; pág 06 verso da 05; pág 07 verso da 08. Os arquivos estão abaixo e em seguida as instruções de montagem.







Agora você vê as dicas de montagem. Imprima, monte e leia, a distribuição deste material está liberada desde que mantidos os créditos. Esta edição única do "FANZINE FEITO À MÃO" foi escrita ilustrada e montada por JJ Marreiro com propósitos didáticos e de entretenimento, o personagem apresentador, Lucas Barata (aka Rapaz Assombroso), foi criado por JJ Marreiro e aparece nas aventuras da Mulher-Estupenda. As informações apresentadas neste exemplar foram redigidas de memória, mas podem ser comprovadas no livro Fanzine de Edgard Guimarães, Editora Marca de Fantasia  e A Mutação Radical dos Fanzines, de Henrique Magalhães, mesma editora. 

 


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

DQN 2016 em Limoeiro no Norte - COMO FOI ?!


Limoeiro do Norte é conhecida pelos inúmeros desenhistas trabalhando para o mercado norte-americano. Superman, Justice League, Lady Death, Red Sonja são personagens conhecidos por lá. Tão ou mais populares que o Capitão Rapadura (criação do cartunista Mino) que retrata a cultura brasileira. Mas a afinidade com os personagens norte-americanos não os impede de celebrar os artistas brasileiros, questionar o papel do desenhista na cadeia de produção, divulgar, difundir e realizar produções com a cara do Brasil, a exemplo da Lenda de Uru (criação do desenhista/escritor Alex Lei, também autor do livro de fantasia As Filhas de Iris).


Capitaneada pelo vencedor do Angelo Agostini de Melhor Desenhista de 2015, Amorim, e contando com o apoio do Velame Estúdio, o Dia do Quadrinho Nacional em Limoeiro confirma a maneira democrática do brasileiro de celebrar sua cultura sem fechar portas a outras. Prova disso foi a presença dos cosplays de personagens norte-americanos, e a presença do som e maneios de caráter universal/regional do Hip-Hop. Com espaço para diversas atividades como Oficinas de animação, Seções de treino de espada(swordplay), arqueria (com a Equipe de Esportes Silver Soul) e apresentações de dança, uma banca especial com quadrinhos brasileiros rechearam  a comemoração.





As oficinas precisaram ser adaptadas para palestras pois as salas reservadas para as Oficinas não comportariam todo o público. Daniel Brandão falou sobre construção e narrativa nos Quadrinhos , JJ Marreiro falou sobre Publicações Independentes, Ron Adrian falou sobre liberdade criativa na Arte Sequencial e Talvanes Moura ministrou uma oficina de animação. A presença de Ed Bennes, famoso entre fãs de Marvel-DC, trocando idéias e apreciando a produção nacional deu um brilho adicional ao evento. André Pinheiro, Robério Leandro (Rob Lean), Walter Geovani, Lavinia Underbougth também estiveram no evento, prestigiando-o ou envolvidos na organização.





Ao final do dia, o saldo não poderia ter sido melhor. O Dia do Quadrinho Nacional, este espaço voltado para os produtores brasileiros, mas aberto a influencias criativas e interações diversas solidifica-se como uma atração para públicos de todas as idades. 2016 começou bem para os artistas de Limoeiro do Norte.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Reabriram o Arquivo X !


2002 foi o ano em que nos despedimos das aventuras semanais de Mullder & Scully à procura da verdade, 14 anos e 2 filmes (1998 e 2008) depois a dupla retorna com salários melhores e desafios maiores. 26 de Janeiro de 2016 foram exibidos em sequencia os dois novos episódios inéditos da chamada 10a temporada.  Para quem não sabe, a série original (1993 a 2002) acompanhava os agentes Mulder e Scully tentando resolver os casos (ligados a Ufologia e atividade paranormal) que o FBI considerava sem solução.

Chris Carter, criador e produtor da série está de volta com mais energia e mais ideias, sem entretanto fugir dos temas que transformaram Arquivo X em ícone pop. A rede de TV Fox exibiu os novos episódios após uma maratona de 24h de programação com 22 episódios selecionados pelo próprio criador da série. Enquanto algumas pessoas estão ouvindo falar de Arquivo X pela primeira vez com sua recente superexposição por causa do retorno, outras são fãs de longa data e lamentavam a distancia de Mulder e Scully de novas produções. Os atores que protagonizam esta cruzada, fizeram alguns filmes e séries sem o mesmo êxito de repercussão deste seu trabalho em dupla.



Nestes tempos de resenha sem spoilers é preciso dizer que todos os elementos da série original estão presentes nos episódios de retorno. A conspiração, ETs, o FBI, a atividade paranormal, pessoas dotadas de dons especiais, Mulder, Scully e o Cheffe Skinner — todos os elementos devidamente evoluídos e amadurecidos. Em todos os aspectos Arquivo X evoluiu, mas continua surpreendendo e envolvendo. A verdade ainda está lá fora, a busca por alienígenas e a batalha contra aquelas pessoas poderosas que dominam o mundo da economia, da política internacional, de governos, os quais— nós todos— de vez em quando nos referimos como "eles".

Enquanto David Duchovny (Agente Mulder) parece ter amadurecido bastante, Gillian Anderson (Agente Dana Scully) mostra-se visivelmente rejuvenescida, Mitch Pileggi (o Diretor Skinner) mudou um pouco o visual com a barba e o novo escritório de Mulder (um cenário tão familiar quanto os personagens) ficou mais moderno e, por enquanto, mais organizado que o anterior.














O primeiro episódio trata da grande conspiração devidamente ajustada para os novos tempos de monitoramento eletrônico e velocidade midiática. Abduções, entidades biológicas extraterrenas e gente poderosa no governo manipulando informação são elementos da trama que encontram um Mulder mais maduro e que sabe como esperar o inesperado enquanto Scully exerce sua objetividade para confirmar cada evidência. O episódio 02 dessa estréia (simultânea com a Fox norte-americana) trás um "monstro da semana" revisitado. Arquivo X sempre foi uma série calcada no suspense, investigação e no sobrenatural com um tratamento mais realista que a grande maioria das produções de temas semelhantes, deste modo um garoto com poderes insetóides, um adolescente para-raios-humano, um homem-platelminto ou um homem com capacidade elástica geralmente rendiam abordagens mais naturalistas que românticas. Seguindo esta tradição o segundo episódio desta nova temporada apresenta novos personagens com habilidades que são vistos mais como ameaças do que dons.



Ainda é cedo para avaliações maiores, levando em conta que a mitologia da série se amplia a cada produção, mesmo assim foi mostrado o suficiente para que um novo público possa se reunir à legião já existente de eXcers ou apenas aproveitar a companhia inteligente e perspicaz do universo criado por Chris Carter.
























http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2013/04/ufos-hqs.html
MAIS:
FOX.com/ The X Files
Arquivo X: Episódios Essenciais
Arquivo X (Wikipedia)
Os 22 episódios da
Maratona FOX selecionados
por Chris Carter (criador da série)
X-FILES BRASIL

UFO's & HQs

Season10 Episode 01(torrent)

Season 10 Episode 02(torrent)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

As Aventuras do Capitão Próton




Ninguém imaginaria que estreia da série Jornada nas Estrelas a Nova Geração (1987- 1994) seria tão importante para a franquia televisiva e cinematográfica de Jornada nas Estrelas. Além de retomar temas, personagens e raças (e culturas) alienígenas citadas na série original (1966 a 1968) a Nova Geração trouxe elementos que refletiriam no futuro da franquia, ou seja, nos filmes de 1994 (Generations), 1996 (First Contact) , 1998 (Insurrection) e 2002 (Nemesis) e nas séries subsequentes DS9, Voyager e Enterprise.

Um dos elementos importantes introduzidos à partir das primeiras missões da Enterprise-D na data estelar 41025.5 (ano 2364 calendário da Terra) foi o Holodeck, um ambiente da nave que usa hologramas para gerar cenários realísticos e o processo de conversão de energia em matéria que cria objetos físicos à partir dos suprimentos de matéria-prima da nave. Se o teletransporte converte energia em matéria e depois reestrutura a matéria através do feixe de energia, o holodeck utiliza este mesmo princípio para criar objetos, adereços e personagens interativos. Usado para propósitos de pesquisa ou entretenimento é possível visitar ambientes, cenários e interagir com figuras históricas ou fictícias em aventuras quaisquer desde que inseridas no sistema por meio de programação. Numa dessas programações o Alferes Tom Paris (personagem regular da série Star Trek Voyager) recria um seriado de ficção nos moldes dos anos 40: As Aventuras do Capitão Próton.


A holonovela, ou holoromance, criado por Tom Paris aparece nos episódios: Night (season5 Ep01); Thirty Days (season05 Ep09); The Bride of Caotica (season05 Ep12); Shattered (season07 Ep11).
A homenagem de Voyager às primeiras produções Sci-Fi é bem cuidada, do figurino, composição de personagens, cenários, adereços e fundo histórico. O visual, sempre em PB, remete aos serials como O Homem Foguete( The King of the Rocket Men, 1949—o casaco usado pelo Cap Próton é idêntico ao do Rocket Man, incluindo o painel de controle no meio do peito), ou Império Submarino e Zumbis da Estratosfera (Undersea Kingdom, 1936 e Zombies of Stratosphere, 1952 de onde veio o robô usado pelo vilão).

Em Jornada nas Estrelas, As Aventuras do Capitão Próton são pano de fundo para outros acontecimentos, entretanto no episódio A Noiva de Caótica um mau funcionamento no Holodeck põe a USS Voyager em perigo quando alienígenas invadem a nave e parte da tripulação, incluindo a Cap. Jeneway, precisa interagir com os personagens deste universo pulp (para maiores informações busque os episódios listados no fim da matéria). 

Capitão Próton (Espaçonauta primeira casse, protetor da Terra, flagelo da maldade intergalática) é um herói espacial que luta contra a vilania e as forças malignas que planejam conquistar ou destruir a galáxia. A Rainha Arachnia, o Doutor Chaotica, As Gêmeas Amantes do Mal (Demonica & Malicia). Em suas aventuras o herói espacial é auxiliado pelo seu parceito, ás da reportagem, Buster Kicaid e por sua secretária Constance Goodheart.

Tendo surgido no seriado como uma referência a um personagem que nunca existiu, o Capitão Proton acabou tornando-se um romance (do autor Dean Wesley Smith) que pode ser descrito como: a revista pulp que inspirou a Holonovela de Tom Paris. Se os roteiristas e produtores de Jornada nas Estrelas exploraram a Ficção Científica Hard em alguns episódios, nestas referências à Space Opera eles prestaram uma bela homenagem não apenas aos serials, mas a seus roteiristas, diretores, atores, figurinistas e sobretudo aos seus fãs.





MAIS:
Holodeck
Jornada nas Estrelas
Jornada nas Estrelas - A Nova Geração

ST Voyager (Memory-alpha)
ST Voyager no Trek Brasilis 
ST Voyager Guia de episódios
Captain Proton  
Captain Pronton (tvtropes)
Captain Proton: O Livro
Radarmen of the Moon



ST Voyager Seleção de Episódios:

sábado, 2 de janeiro de 2016