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sexta-feira, 17 de abril de 2020

O Punho de Aço (De Samuel Almeida & José Ramiro)




John Romita e John Romita Jr, Deodato Borges e Mike Deodato e José Ramiro & Samuel Almeida. 
Pais e filhos, ambos criativos, ambos talentosos, ambos fazendo História nos Quadrinhos.

Punho de Aço é a revista do super-herói de mesmo nome criado pela dupla Samuel Almeida e
José Ramiro. A trama mostra as histórias do jovem Mike Gordon que após um acidente recebe
uma prótese de tecnologia avançadíssima que lhe confere poderes incríveis e à partir disso começa
a viver altas aventuras na linha dos quadrinhos da Era de Prata.









O Personagem traz aos quadrinhos de hoje uma objetividade e clareza muito bem-vindas, haja vista
o nível de complexidade e confusão visual que tem se tornado o gênero dos heróis de uniforme.
Esse título distribuído deforma independente pelo Novo Selo HQ, também criado pelos autores,
revela um quadrinho para ser lido por todas as idades.

2016 foi o ano em que filho (Sanuel Almeida ) e pai (José Ramiro) sentaram para dar vida a seu herói.
“O Samuel ficou me pedindo pra desenhar o personagem que ele tinha a ideia. Ficava me cobrando.
Fiz a primeira história com 10 páginas e falei: E aí bora fazer pra botar na banca? Tem coragem?”
A repercussão positiva de amigos levou a dupla até para TV. E aos poucos autores e personagens
vão ficando mais conhecidos do público dos quadrinhos. A já tradicional coluna do Lorde Lobo no
youtube abordou o trabalho de Samuel e José Ramiro em um de seus programas (link no final)
e outras resenhas positivas do trabalho da dupla tem aparecido nas rede sociais.




A medida que a produção da revista foi ficando mais constante o próprio processo de trabalho da
dupla foi evoluindo. No início Samuel vinha com a ideia e ambos discutiam enquanto os desenhos
eram feitos. Hoje a dupla trabalha com um leiaute prévio antes da arte ser iniciada. “A gente cria um
plot e vai meio que desenvolvendo ele. A gente faz o esboço das história em caderninhos. Pra ter
um norte.” O Homem de Ferro (do cinema) é uma das referências do jovem roteiristas Samuel 
Almeida. X-Men e Super-Homem são referências para o trabalho de José Ramiro cujo traço se
aprimora a cada edição. Em suas palavras: “Estudar e pesquisar sempre” são elementos que
colaboram para essa evolução. Enquanto o pai se aperfeiçoa no desenho, o jovem Samuel aguça
a criatividade lendo Tolkien e J. K. Rowling.




Os exemplares podem ser adquiridos com os próprios autores no facebook de José Ramiro
(Facebook: /joseramiro.mauriciodasilva.50) 
Por meio do  Instagram: /joseramiromauricio 
Ou pelo E-mail: ramiro_al40@hotmail.com   
As revistas possuem capa e miolo em cores:
Ed. 1: 14 X 20 cm - 16 págs . 
Ed. 2: 14 X 20 cm - 20 págs 
Ed. 3: 14 X 20 cm - 20 págs 
Ed. 4: 16 X 23,5 cm - 20 págs
Criação e roteiro: Samuel Almeida e José Ramiro
Cores das capas, diagramação e letras: Téo Pinheiro 
Lançamento: Novo Selo HQ

Links:
Resenha das edições de 1 a 4 no canal do cartunista Lorde Lobo

http://laboratorioespacial.blogspot.com/p/quadrinhos.html






http://laboratorioespacial.blogspot.com/2015/07/classificar-para-otimizar.html

domingo, 25 de agosto de 2019

KUTANG - O Rei do Universo !

























Por JJ Marreiro

Aos olhos de hoje a alcunha “Rei do Universo” pode parecer megalomaníaca ou mesmo soberba, mas aos olhos dos anos 60 com seus Reis do Rock, Reis do Iê-Iê-Iê, Reis dos Calouros, Reis dos Quadrinhos... o termo Rei parecia usual e plenamente adequado. Sem mencionar o caráter ingênuo e pueril que vinha a reboque. Joás Dias de Lima (como também é conhecido o cartunista Jodil) criou um personagem que, de certo modo, combinava um caráter místico e tecnológico. Poderia muito bem ser associado às idéias de Novo Aeon ou das disciplinas de ordem exotérica típicas daqueles anos 60 tão telúricos, mas tratava-se apenas de um personagem divertido que, a exemplo do Capitão Marvel ou de Jack Marvel (Marvel Man), usava uma palavra mágica para acessar seus dons superiores e proteger os necessitados.

Jodil, artista gráfico, publicitário, cartunista, ilustrador, faneditor (Fã Sim HQ, Túmulos Vazios) talvez não tenha imaginado que aquela sua revista de criança pudesse inspirar e instigar tanta gente ao ponto de seu personagem ser catalogado por Lancelott Martins no rol dos personagens brasileiros de histórias em quadrinhos ao lado de ícones como RaioNegro, Judoka e Capitão 7.

Abaixo você pode ver as páginas de Kutang produzidas por Jodil nos anos 60 e logo em seguida um preview da revitalização proposta nos anos 2000.

















Falando sobre o personagem e sua revitalização: Conheci o personagem Kutang por meio dos fotologs. Alguém havia postado uma imagem de um quadrinho infantil produzido em 1964. Achei curioso e o tempo se encarregou de colocar-me em contado com Rod Gonzalez que após ver alguns de meus desenhos sugeriu que reformulássemos o personagem. Após a devida permissão do Joás (criador do personagem que viria a se tornar amigo de ambos) iniciei os estudos e fiz algumas páginas. No entanto, necessidades mais prementes me impediram de finalizar o projeto na época, mas ainda há esperança desse material vir a público, principalmente porque hoje em dia existem várias maneiras de fazer isso. Veremos no que dá.

Abaixo, o material extraído do HQQuadrinhos de Lancelott Martins, o maior catálogo de personagens brasileiros da internet. 





E agora, pra encerrar, uma curiosidade. O Capuz usado pelo herói, com seu formato cônico, somado a letra 'K' estampada em seu peito tornaram o herói alvo de críticas que alegavam tratar-se, estes elementos, de referências à Ku Klux Klan (instituição extremista norte-americana que se opunha à luta pelos direitos civis), algo que obviamente jamais passou pela mente criativa do autor.

O 'K' no peito se justifica pelo nome do herói, que, caso fosse escrito com 'C' não traria a mesma aura exótica. Aliás, Kutang é um termo da língua indonésia usado para vestes, camisola ou colete. Quanto ao chapéu em cone, os membros da Klan podem tê-lo associado a uma rotina de terror, perseguição e ódio, mas sua origem remonta a procissões religiosas medievais e está ligada à modéstia, penitência, humildade e fé. Ao mesmo tempo que simboliza os soldados romanos cumprindo obedientemente sua obrigação, o chapéu, cobrindo o rosto, também representa a vergonha de ter sacrificado o Cristo. O formato do cone, como uma seta para cima, indica uma conexão com o céu e com o divino que habita acima dos homens. Desde suas origens os penitentes (chamados encapuzados, nazarenos ou farricocos) usam esta indumentária como maneira de seguir a procissão expiando os próprios pecados sem revelar publicamente suas identidades.

Algumas procissões da Semana Santa (tradição religiosa cristã que culmina na ressurreição do Cristo) na Espanha incluem a chamada Procissão do Fogaréu (Em cidades como Málaga, Sevilha—considerada a maior comemoração de Semana Santa do Planeta!), Valladolid, Salamanca, Cádiz, Monóvar, Pamplona, Tudela, Zamora e outras) e em Portugal (Braga, Óbidos e outras). Estes festejos datam da Idade Média e possuem elementos ritualísticos próprios. Algumas ocorrerem à noite ao som de tambores, com os participantes sendo precedidos por tropas à cavalo. As tochas e as indumentárias dos clérigos e dos penitentes também são carregadas de simbolismo. No Brasil, as famosas Procissões do Fogaréu, que ocorrem em Guarulhos-SP, Lorena-SP, Goiás-GO, Paraty-RJ, Petrópolis-RJ, Santa Luiza-PB, Reriutaba-CE e em várias outras localidades, são descendentes diretas destas manifestações europeias. O capuz, ou chapéu em cone, está lá, trazendo aquele ar de solenidade, misticismo e mistério aliado à sua herança medieval.




Sobre as procissões:
Semana Santa em Málaga (Espanha)
http://desbravandomadrid.com/2015/03/31/especial-semana-santa-procissoes-curiosas-em-espanha/
http://www.panosso.pro.br/2011/04/semana-santa-em-valladolid-espanha.html
https://www.icce.com.br/blog/2014/4/18/o-icce-deseja-uma-feliz-pscoa-conhea-um-pouco-sobre-as-tradies-da-semana-santa-na-espanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Confraria
http://lumeear.blogspot.com.br/2015/04/a-semana-santa-em-espanha.html
http://www.periodistadigital.com/religion/turismo/2015/10/13/el-pp-quiere-declarar-la-semana-santa-como-manifestacion-representativa-del-patrimonio-cultural-inmaterial-religion-iglesia-congreso.shtml
Nazarenos - Os encapuzados (wikipedia)
http://pt.aleteia.org/2017/04/10/procissao-do-fogareu-fe-e-tradicao-na-semana-santa/
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/33878-procissao-do-fogareu-em-goias
https://semlimitesjornalinovador.blogspot.com.br/2014/04/procissao-do-fogareu-antes-missa-com-pe.html
http://viagemeturismo.abril.com.br/destinos/procissao-do-fogareu-encena-perseguicao-a-cristo-em-goias-velho/

http://blog.comshalom.org/carmadelio/49950-fe-e-cultura-popular-a-variedade-das-procissoes-de-semana-santa

Procissão do Fogaréu (wikipedia) 

Procissão Ecce Homo  em Braga - Potugal (wikipedia)

Matéria originalmente publicada no blog Campo dos Sonhos - Link

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

FANZINE: A Democratização dos conteúdos !




O Fanzine, cujo termo tem origem na união das palavras Fanatic + Magazine consiste numa publicação sem fins lucrativos que tem por objetivo divulgar ou difundir determinado assunto, ou vários.  Ao pé da letra, a Democracia seria o governo do povo, mas compreende-se que é um regime onde os valores de todos são respeitados, onde um dos princípios fundamentais é a igualdade. Por sua simplicidade de produção e pela liberdade editorial o Fanzine democratiza a produção e compartilhamento de seus conteúdos que vão dos mais sensatos, objetivos e informativos aos mais nonsenses.

O mundo das publicações, no ocidente, desde o desenvolvimento da prensa de tipos móveis , de Gutemberg, sempre esteve sujeito a elevados custos  de produção. Deste modo era natural que os conteúdos tivessem a tendência de propagar as ideias, crenças e ideologias de grupos específicos —coisa que ainda acontece nos grandes veículos de comunicação. Centenas de jornais independentes foram varridos para debaixo do tapete da História por posicionar-se contra o poder estabelecido e seus valores.

 Enquanto as tiragens de Jornais e revistas ficam na casa dos milhares, os Fanzines são regidos pela casa das dezenas e centenas. Uma das características do Fanzine é a baixa tiragem. Isso aliado a ausência de fins lucrativos talvez tenha garantido seu caráter alternativo, marginal, periférico.

Os primeiros Fanzines surgiram nos Estados Unidos, no início dos anos de 1930, como forma de intercâmbio entre os leitores de Ficção Científica. Cosmic Stories (1929, Editado por Jerry Siegel— ele mesmo um dos criadores do Super-Homem) e The Comet (1930, Clube de Correspondência Científica) são dessa época. O título "Ficção" (1965, editado por Edson Rontani) é considerado o primeiro Fanzine brasileiro. Como se vê, desde sua gênese os Fanzines andam às voltas com as Histórias em Quadrinhos e com a Ficção Científica.

Nos anos de 1930 se usava o hectógrafo para reproduzir documentos e posteriormente o mimeógrafo, que até meados dos anos de 1970 também era usado para esta finalidade. O mimeografo era muito comum nas escolas para reproduzir provas e Trabalhos Didáticos. Esses equipamentos rústicos de impressão foram utilizados para imprimir os primeiros Fanzines que se tem conhecimento. Com a popularização das fotocopiadoras (xerox) a produção de Fanzines teve um vasto crescimento, em parte devido ao movimento Punk e o a ideologia do "Faça você Mesmo".  As temáticas também se multiplicaram ao infinito. Surgiram Fanzines sobre Rock, Terror, Filmes, Poesia, Sexo, Drogas, Escatologia, Teorias da Conspiração e por aí vai. As temáticas eram e são infinitas, pois quem decide o que publicar é o Faneditor (Editor do Fanzine). Eis aqui mais algumas características importantes do Fanzine: a pluralidade de temas e sua independência editorial, já que o editor não precisa se sujeitar a normas ou regras impostas por nenhum grupo econômico ou financeiro. O que é publicado no Fanzine é responsabilidade de seu publicador (ou de seu grupo de publicadores).















A distribuição, troca ou venda destas publicações ganha força em eventos e shows. Por meio dos correios as edições acabam chegando aos locais mais improváveis e com o apoio da Internet o Fanzine pode atingir qualquer lugar. Alguns fanzines hoje em dia são distribuídos em formato digital, com a possibilidade do leitor imprimir se assim desejar. Os Blogs e sua simplicidade de edição e publicação possuem o exato espírito de "faça você mesmo" presente nos zines. Publicações impressas mais audaciosas e de maior custo podem conseguir financiamento via crowdfunding (financiamento coletivo online).  Mas qualquer que seja a plataforma usada para a produção de um Fanzine, uma Linha Editorial é imprescindível. Ou seja: Ter um tema específico para abordar e deixar o público ciente disto de maneira clara.

Um Fanzine pode ser usado para:
-Trabalhar a noção de grupo e trabalho de equipe;
-Divulgar um assunto específico ou vários;
-Transmitir conteúdos Educativos, Institucionais ou Instruções;
-Trabalhar a comunicação escrita;
-Estimular o intercâmbio, a troca de informações e a criação de contatos e amizades;
-Manifestar uma expressão artística;
-Entreter e divertir;
-Exaltar um personagem ou personalidade.

Por isso, um Fanzine (tradicional ou eletrônico—assim como um blog) pode ser tão útil ou tão inútil quanto deseje seu editor. 

http://manicomicsblog.blogspot.com.br/2016/02/mcs-extras-kario-por-jean-okada.html
MAIS:
UzineFanzine (Fanzinoteca Virtual)

FANZINE Q.I. (Um dos maiores —senão o MAIOR— catálogos de Fanzines do Brasil)

VÍDEOS:












Aqui embaixo você encontra dois arquivos para (caso queira imprimir. Você pode imprimir frente e verso ou imprimir as duas partes e colar segundo as instruções para que a sequencia de páginas fique na ordem correta. O importante é atentar para que a matriz a ser reproduzida esteja com a numeração correta ou seja: A página dois sendo o verso da capa; a pág 03 sendo o verso da pág 04; pág 06 verso da 05; pág 07 verso da 08. Os arquivos estão abaixo e em seguida as instruções de montagem.







Agora você vê as dicas de montagem. Imprima, monte e leia, a distribuição deste material está liberada desde que mantidos os créditos. Esta edição única do "FANZINE FEITO À MÃO" foi escrita ilustrada e montada por JJ Marreiro com propósitos didáticos e de entretenimento, o personagem apresentador, Lucas Barata (aka Rapaz Assombroso), foi criado por JJ Marreiro e aparece nas aventuras da Mulher-Estupenda. As informações apresentadas neste exemplar foram redigidas de memória, mas podem ser comprovadas no livro Fanzine de Edgard Guimarães, Editora Marca de Fantasia  e A Mutação Radical dos Fanzines, de Henrique Magalhães, mesma editora.