sexta-feira, 20 de abril de 2012

Quadrinhos e Desenho: Qualquer um pode aprender?


A procura por cursos de desenhos e quadrinhos é uma constante. Fazer um curso de desenho é uma opção já que algumas escolas não contemplam desenho em suas aulas de artes. Esta procura é fruto de um amadurecimento do próprio mercado de quadrinhos no país. Seja por meio de editais do estado ou município, projetos de incentivo, verba pública destinada a cultura ou por meio de editoras tradicionais ou produções independentes, a arte sequencial que legou ao mundo personagens como Mandrake, Flash Gordon, Superman, Spawn, Cebolinha e tantos outros continua ativa e possibilitando experiencias de entretenimento e educação.
Enquanto os gêneros de quadrinhos se multiplicam e as temáticas propõem discussões mais profundas e instigantes, os leitores ganham um leque maior de opções de leitura e em dado momento pode surgir o interesse de veicular suas idéias fazendo uso desta mídia. Agencias, houses, empresas, organizações não-governamentais e o estado em diversos momentos fazem uso dos quadrinhos a seu favor, são os chamados Quadrinhos Institucionais.

Uma questão que permeia esse discurso e pauta a matéria é : Qualquer um pode aprender a fazer Desenhos e Quadrinhos? Vejamos: Escrever exige a apreensão de algumas habilidades mínimas de coordenação e memória. O exercício de formação de palavras e construções frasais se aperfeiçoa com a prática e esta é uma habilidade que pode ser adquirida por qualquer pessoa. Qualquer um pode escrever, entretanto, escrever como Machado de Assis ou Shakespeare envolve uma dedicação maior e outros elementos de caráter subjetivo. Do mesmo modo qualquer pessoa pode aprender a tocar flauta, surfar, andar de skate...desde que se proponha a absorver os ensinamentos técnicos relacionados à sua prática.



Se vou aprender a desenhar posso ser desenhista profissional? Isto é bem mais complexo. Mas correndo o risco de uma resposta pouco analítica: Depende de você! Uma pessoa que segue a profissão por vocação ao invés de escolher a carreira mais viável financeiramente no mercado atual, corre o risco de não ter muito dinheiro, mas pode ter dinheiro suficiente aliado a realização de um sonho, e convenhamos, há poucas pessoas no mundo dispostas a correr o risco para realizar seus sonhos. Independente de qualquer coisa, uma profissão tradicional levada em paralelo não deveria prejudicar o esforço para profissionalização numa área ligada a artes (ou esportes) e este tipo de ação normalmente pode ser encorajada pela família já que Pais e filhos precisam desta dinâmica de diálogo quando o assunto é definição profissional.


Por outro lado, se você desenha, obrigatoriamente deve possuir desejo de se tornar profissional da área? Bem, existem muitas pessoas que cantam em serestas por diversão e - embora façam isto muito bem - não é sua meta gravar discos e fazer shows. A compreensão de que a arte é para poucos iluminados ainda hoje é difundida e alimentada por muita gente, talvez por medo, talvez por conformismo. De fato é bem mais confortável dizer que não vai cantar porque não tem o dom ou não tem talento e ceder ao medo evitando frustrações, por esse lado é possível concordar que a coragem para experimentar, se testar, arriscar-se merece uma recompensa, mesmo assim isso não faz de um artista uma pessoa iluminada, dotada de poderes e dons sobrenaturais.

A questão é: você se sente bem desenhando? Desenhar, ou escrever histórias é algo que preenche algo em você e te trás contentamento? ... Então porque se preocupar com tantas conjecturas? Se desenhar te faz feliz, o que te impede de desenhar? ...ou cantar, ou dançar, ou atuar? O homem de hoje é afastado da arte para se enquadrar numa cadeia produtiva mercantilista que gira em torno da materialidade, do ter e do concorrencialismo. A Arte é um dos meios pelos quais o homem compartilha com outros bens imateriais, experiencias, vivências. Se o homem em suas atividades diárias está entregue a finitude mundana e limitado às próprias experiencias, é na arte que ele se supera, supera seu tempo, a opressão, a mediocridade e vivencia tantas vidas quanto se permitir.

Se você tem vontade de experimentar colocar um pouco de arte no seu dia-a-dia, os cursos de Desenho e Quadrinhos (e Artes em geral) estão aí para isto. Abaixo segue uma listinha de opções de cursos nessa área:

Fortaleza-CE
Estudio Daniel Brandão  link
(indicação: 14 anos acima)
(085) 3264-0051
Dicas do Daniel Brandão (em vídeo)

Natal - RN
Quadrinhos Estúdio (de Geraldo Borges) link
CURSO ONLINE (indicação: 16 anos acima)

Geraldo Borges desenhando o Lanterna Verde (em vídeo)
Oficina de Desenho (de Liandro Roger) link
(indicação: 5 a 12 anos)
(085) 3077-4337

João Pessoa - PB
Rascunho Estúdio (de Alzir Alves) link
(083) 8833-3791
Plantão Rascunho Videocast do estúdio

São Paulo - SP
Quanta Academia de Artes (Direção: Marcelo Campos) link
(011) 3214-4873
Conheça a Quanta Academia (inclui vídeo)
Impacto Quadrinhos (Direção: Klebs Jr) link
(011) 5072-6161

Contagem - MG
Estúdio A4 (de Ed Barrows) link
Lista dos cursos disponíveis
(31) 3911-1824
Conhece um curso bacana e quer dividir a dica com os amigos? Põe aí no comentário. Você discorda que qualquer pessoa pode aprender a desenhar? Registre aí sua opinião para enriquecer a matéria :)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Fora de Órbita 08: O Episódio Politicamente (in)Correto

Processados após defender as próprias vidas contra monstros extra-planetários nossos amigos precisam encarar um tribunal galático. Enquantio isso seriados e animações são relembrados em seus momentos politicamente corretos e incorretos:

quinta-feira, 29 de março de 2012

Uma Princesa de ontem, de hoje e de amanhã!


Para algumas das grandes histórias de ficção científica, ou de fantasia científica como preferem alguns, as 'Princesas' parecem ser um tema recorrente. Flash Gordon, Buck Rogers, Star Wars, o recente Avatar, todos esses e mais alguns fazem uso deste arquétipo modificando algumas características. Se analizarmos a fundo veremos que a personagem 'Sil' da filme série Spicies, Leeloo do Quinto Elemento, Alice de Resident Evil e a Tenente Ripley de ALIENS também trazem elementos das Princesas da Ficção Científica.

 Dejah Thoris é uma personagem que se enquadra neste perfil de personagem, uma Princesa em todas as acepções da palavra. Dona de uma beleza fora do comum, alia a suas características: coragem, habilidades combativas, um intelecto privilegiado e uma consciencia política que lhe conferem um distinção especial. Edgar Rice Burroughs, autor do livro Uma Princesa de Marte, criador da personagem guarda várias passagens do livro para descrever a beleza da Princesa de Marte e frequentemente ressalta a quantidade exígua de tecido a recobri-la notando que "nenhum aparato poderia aumentar ainda mais a beleza de sua figura perfeita e simétrica". Movida pelo dever ("Virtuosa, Bela, Nobre e bondosa" nas palavras de John Carter) a personagem é uma das forças que movimentam a Saga de Barsoom.


Embora o romance inicial da saga tenha sido produzido no ínicio dos anos 10 do século 20, e neste período a atuação feminina na vida política e social fosse um tando retraída com relação aos dias de hoje, Dejah Thoris surgia como novidade agindo como guerreira e líder dando a John Carter motivos para enxergar além do aspecto físico e além de sua falta quase absoluta de figurino. E por falar em figurino... Traci Lords, a atriz de filmes adultos, foi a primeira a interpretar a Princesa de Marte em película. O filme, Uma Princesa de Marte, lançado direto no mercado de video ( em 2009) trazia fracos efeitos especiais e uma equivalentemente fraca adaptação do livro. O ator brasileiro Antonio Sabato Jr encaixou-se muito bem no biotipo de John Carter, e embora sua Dejah Toris fosse uma ex-diva pornô, o figurino não favorecia em nada a sensualidade da personagem ou à química entre os atores. Uma curiosidade: os Tarks dessa versão não possuem quatro braços e John Carter não era um soldado da Guerra da Secessão, mas da Guerra do Golfo.

 O roteiro para o filme John Carter entre Dois Mundos (2012), adaptado pelo próprio diretor Andrew Stanton com auxílio de Michael Chabon e de Mark Adrews, consegue criar uma ponte entre a Dejah Thoris do romance original de 1911 e o público de hoje, pois se Dejah Thoris já era independente e forte naquela época, agora, em sua versão cinematográfica, ela é a síntese da mulher moderna: independente, forte, inteligente, guerreira. Pronta a ombrear a figura masculina em batalha, trocando a passividade pela ousadia. Lynn Collins, a atriz encarregada de dar voz a esta heroína, traz para o papel personalidade e sensualidade (mesmo com o equivocado figurino). Dona de um olhar cativante e de outros dotes igualmente atraentes, sua presença em tela não se resume a ser a ser uma mocinha-resgatável, ao contrário disto as crianças que se dispuserem a assistir à película voltarão para casa com um novo tipo de Mulher-Maravilha em mente, uma moderna, a cara dos dias de hoje, pronta para entrar na história e ir à guerra sem abrir mão daquilo que move seu coração.

MAIS:

Resenha do Filme John Carter Entre Dois Mundos
Trailer do filme Uma Princesa de Marte (2009) com Antonio Sabato Jr e Traci Lords

http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2012/03/entre-dois-mundos-divertido-em-ambos.html

 
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2012/09/aventureiro-de-marte.html

quarta-feira, 21 de março de 2012

Fora de Órbita 07: O Episódio da Cerveja Romulana

O videocast Fora de Órbita é mais um dos experimentos do Laboratório Espacial cujo objetivo é falar sobre coisas legais e – por que não? – interagir um pouco com esses elementos. A medida que os episódios vão sendo desenvolvidos testamos alguns recursos à nossa disposição, se por um lado os resultados nem sempre são perfeitos, por outro são fruto de processos de criação e execução muito divertidos. E como costumamos dizer aqui no Laboratório: Se não for divertido não vale a pena.
Nossos técnicos e todo nosso corpo de pesquisadores e clones estão trabalhando em novos projetos que podem ser conferidos aqui sob a forma de vídeos, áudios, textos, artigos, entrevistas e mais…é só checar as tags, categorias e posts pra conferir. Se esta é sua primeira visita ao Laboratório não se assuste com os experimentos, mas se esta não é sua primeira visita obrigado pelo retorno e fique tranquilo pois este ambiente é assim mesmo: cheio de surpresas.
Após derrubarem a nave do amigo Wookiee num promontório distante e serem resgatados por uma nave da Frota Estelar, Fernando Lima e JJ Marreiro conversam um pouco sobre Star Trek sua mitologia e o conceito de suas séries. Fique com o episódio 7 do videocast Fora de Órbita:

terça-feira, 20 de março de 2012

Entre Dois Mundos... Divertido em ambos!









John Carter e sua saga no planeta Marte foram apresentados ao público pela primeira vez em na revista All Story, em 1912. Não existiam Filmes em 3D, não existia computação gráfica, não existiam videogames e, praticamente, não existiam os Comic Books. As histórias de aventura, fantasia e magia chegavam às pessoas por meio dos livros e das revistas pulp, consumidas em larga escala dado o baixo preço, linguagem direta e simples e apelo popular de suas narrativas. Nesse contexto, criaturas verdes gigantes, monstros de quatro braços e princesas semi-vestidas pertenciam ao campo da imaginação, apenas.


  O filme dirigido por Andrew Stanton (também responsável por Procurando Nemo e Wall-E) trouxe verossimilhança a todas as criaturas e elementos fantásticos criados por Edgard Rice Burroughs nos livros da Saga de Barsoom. Se por um lado o refino tecnológico da Computação Gráfica deu credibilidade aos monstros, máquinas e cenários por outro lado o character design e o desenho de produção poderiam ter sido mais ousados ou inovadores. De todo modo a diferença entre John Carter e outras produções do gênero está num lugar que não é seara dos efeitos visuais ou de recursos financeiros: emoção. E emoção vem de histórias bem escritas e bem contadas. Ao trabalhar o roteiro para um público leigo à mitologia de Barsoom, Andrew Stanton inseriu elementos que resolveram questões inclusive ignoradas por Edgard Rice, refinando a história e deixando tudo mais amarrado para uma nova audiência. Neste caso a adaptação saiu melhor que a encomenda pois ao invés de mutilar a história em favor da indústria de brinquedos ou games, a história recebeu uma micro-afinação para favorecer o espectador, sua compreensão e sua relação com os personagens e com a mitologia da saga.












John Carter está bem representado como um ex-soldado ensimesmado perdido em seu próprio mundo, apesar do ator Taylor Kitsch ser um pouco jovem para o papel. A bela princesa marciana, Deja Thoris, ganhou ainda mais dimensão fazendo um paralelo com a mulher de hoje, independente, guerreira, inteligente, dona do próprio nariz. A personagem que já era idolatrada por leitores de ficção, e por quase todos ilustradores de fantasia, ganha agora com a versão cinematográfica, um lugar ao lado das musas da ficção científica, um papel que vai fazer brilhar o currículo da atriz Lynn Colinns. Já falei que no filme ela usa roupa demais? Talvez o excesso de figurino na adaptação tenha sido um modo de favorecer a atuação da moça. Mas ela é boa atriz, não precisava desse protecionismo bobo... bem, coisas da Disney. Por falar em coisas da Disney, há cenas de ação atípicas para o padrão Disney, como a cena em que – ... – ok, não vou contar. Veja o filme e perceba que a ação é alucinante, surpreendente e violenta numa medida não-Disney. John Carter entre Dois Mundos é um filme pra se ver no CINEMA, com cenas apoteóticas, ação trepidante e cenários grandiloquentes. Depois de ver o filme, fica difícil não correr para a livraria à procura dos livros com as aventuras de John Carter.















Você pode querer ler também:
Dejah Thoris: Uma princesa de ontem, de hoje e de amanhã
Heróis do Espaço..Homens no Espaço! - Conheça ou relembre alguns dos grandes heróis espaciais e suas sagas fantásticas.
John Carter Wikipedia
ERBzine - Site Oficial de Tributo à obra de Edgard Rice Burroughs







http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2012/03/uma-princesa-de-ontem-de-hoje-e-de.html


http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/01/beto-foguete-e-os-patrulheiros-do.html

quarta-feira, 14 de março de 2012

Prismas

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O prisma é uma estrutura que modifica a luz que passa através de si. Assim são os desenhistas de quadrinhos. Eles observam o mundo real e reinterpretam segundo uma estética própria, ou encomendada. Os que possuem maior liberdade de expressão são artistas que produzem de maneira autoral (caso de alguns brasileiro, os undergrounds e boa parte dos europeus). Em contrapartida está o caso dos desenhistas norte-americanos, alguns dos japoneses, boa parte da produção de material de merchandising e institucional, ou seja, uma produção de aspectos visuais que atendem a demanda de um mercado específico, uma verdadeira estética encomendada. A princípio por existir uma questão mercadológica e editorial contextualizando esses produtos e enquadrando sua produção num esquema industrial que movimenta milhões de dólares.

Para se enquadrar no primeiro caso, ou seja trabalhar e seguir uma linguagem própria e definir soluções gráficas pessoais acredito que seja necessário algum conhecimento de desenho, mas sobretudo uma grande noção de “narratividade”. Um controle sobre fatos, personagens e transições de quadro que favoreça sobretudo a clareza e compreensão do que está sendo contado ou questionado. Neste caso específico, do artista talhado para comunicar suas próprias idéias, torna-se irrelevante o apuro técnico e a sedução através da “beleza” da imagem. A beleza não precisa estar presente no desenho dos quadros, personagens e cenários, mas pode estar sub-repticiamente costurada pelas ações ao longo da trama e seu significado. Mas é claro o que chamo aqui de beleza (a busca da simetria clássica romântica) pode não ter o mesmo significado pra você leitor.



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Por outro lado o artista que verte seus esforços para o esquema industrial de produção tem um limite de estilização que deve se enquadrar nas regras ditadas pelo mercado, pela estética convencionalmente aceita e difundida entre seus apreciadores. E estes estilos são mutáveis sofrendo influencia de modismos e de recursos tecnológicos. O traço de Jack Kirby, influenciou gerações inteiras de artistas, marcou época e virou moda nos anos 60/70. Hoje entretanto (a menos que se aborde em termos de estética retrô) dificilmente ganharia atenção e espaço no mercado.

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Ao se comentar e criticar um trabalho de quadrinhos é necessário levar em conta estes fatos. Se é um trabalho com personagens do primeiro escalão da DC ou Marvel Comics por exemplo, faz sentido esperar traços encantadores como são os de Mike Deodato, Ivan Reis, Ed Barrows, Carlos Pacheco, Brian Hitch. Quando um artista de traço pessoal chega a esses personagens a leitura do grande público ganha um ruído de compreensão, pois Batman e Homem-Aranha foram criados para serem desenhados como super-heróis: corpos esbeltos, fisionomias marcadas, fortes, retratados em posturas combativas e como produtos de mercado são talhados também para sintonia do traço da moda. O que acontece com algumas exceções quando um desenhista de origem autoral lança seu nankim sobre a égide do produto é que este produto está sendo revisto, revisitado, relido e com a audácia do artista autoral pode acabar ganhando mais força e algum diferencial entre seus pares.

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segunda-feira, 12 de março de 2012

MOEBIUS - O Ciclo enigmático de uma arte que tende ao Infinito...



Foi noticiado neste 10 de março de 2012, o passamento do artista Jean Giraud, o cartunista francês conhecido no mundo todo como Moebius.

Jean Giraud começou na faculdade de artes e ganhou o mundo com suas ilustrações, quadros, arte sequencial, animações e desenho de produção para filmes como Segredo do Abismo, Duna, Mestres do Universo, Tron, Alien e Quinto Elemento. Numa estrada intensa repleta de criatividade e experimentalismo Jean Giraoud provocou, instigou e inspirou como poucos. Suas pranchas da série Incal, seu trabalho pioneiro na Metal Hurland e suas narrativas de faroeste com o Tenente Bluebarry encantam hoje como encantaram em sua estréia. Poucos artistas tem esse poder de serem geniais transcendendo seu próprio tempo.



Dono de um traço seguro, cheio de tridimensionalidade, Giraud integrava uma elite de quadrinistas que não economizava cenários, nem detalhes. Sua representação de ambientes e figurinos era complexa, refinada e tão leve ou densa quanto exigisse a trama. Ficção científica, fantasia e western foram gêneros que o consagraram.  Poucos artistas conseguiram, tão bem quanto ele, representar ou sintetizar o quadrinho europeu e seu pensamento ao explorar o homem em sua fragilidade e pequenez diante do gigantismo do mundo a seu redor. Os cenários de suas narrativas eram grandiloquentes, magnanimos, vastos, seus enquadramentos davam vazão a horizontes infindáveis deixando o leitor a se indagar "como Moebius consegue desenhar um mundo tão imenso num painel tão pequeno?".




O pseudônimo "Moebius" era homenagem a um matémático alemão do século 19, August Ferdinand Möbius e a seu objeto de estudo mais famoso a fita de Möbius, um objeto que possuía apenas uma borda e apenas um lado, mas propunha um movimento contínuo, complexo, propenso a suscitar reflexão tanto nos bobos quanto nos gênios. Assim era Giraud, um enigma, uma proposta de inexistencia dentro da existencia.

Se foram limitados seus dias materiais sobre o planeta, seu trabalho, sua energia e sua inteligência continuarão sendo -  sem limites  -  uma grande força impulsionadora enquanto seu traço continuar a encantar, influenciar, inquietar e estimular leitores e artistas nos dias que vierem.

O Homem passa, sua arte fica.
Notícia e perfil no Universo HQ
Notícia da BBC Brasil


http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/p/quadrinhos.html