terça-feira, 31 de janeiro de 2023
DQN - O Dia do Quadrinho Nacional !
sábado, 14 de janeiro de 2023
Uma olhadinha no roteiro de WATCHMEN
WATCHMEN é uma História em Quadrinhos, publicada pela DC Comics, originalmente no formato de minissérie de 12 edições escrita por Alan Moore com Arte de Dave Gibbons em 1986. A obra influenciou vários autores e editores ganhando sequencias posteriores (não autorizadas pelo autor original), bem como uma série de TV (Watchman HBO, 2019) e um Filme de 2009 dirigido por Zack Snyder (Liga da Justiça, 2021).
A obra original tem sido relançada em outros formatos, formato econômico com capa cartão, Formato álbum 6 edições, formato edição definitiva, formato edição comemorativa de luxo e estimulou o desenhista Dave Gibbons a lançar o livro Os Bastidores de Watchmen com anotações, esboços, muitas artes de produção e curiosidades sobre a série.
A título didático colocamos aqui a página 01 de Watchmen , um recorte do script de Allan Moore e o leiaute da mesma página feito pelo desenhista Dave Gibbons.
O roteiro para quadrinhos se diferencia do roteiro para cinema, entre outras coisas, por conter mais da expressão artística do escritor. Pode-se dizer que o roteiro de cinema é impessoal e que o roteiro de quadrinho, como um policial que tem o parceiro assassinato, leva texto e descrições pro lado pessoal (hehehe). E este script de Alan Moore é um ótimo exemplo disto pois temos a descrição detalhada de todos os objetos, personagens, ambientes em cena e ainda um reflexo do ânimo do autor. Enquanto alguns roteiros são chatos e tensos Moore transforma seu material em algo envolvente.
Em vários momentos o texto cita quais elementos são vitais para o que se pretende da página em si (e da narrativa visual) e aponta elementos visuais opcionais citando suas vantagens e desvantagens. A solução gráfica dos recordatórios que usam a narrativa em off de Rorschach é sugestão de Moore, mas vendo a versão final nota-se que Gibbons sabiamente usou a opção que melhor favorece a leitura sem roubar atenção da narrativa visual. O trabalho de Moore e Gibbons pode ser entendido como um processo de negociação estilo ganha-ganha, onde tanto o escritor tenta oferecer bons elementos visuais para serem materializados quanto o desenhista tenta colaborar ao máximo para que imagens e personagens se aproximem o máximo possível das descrições.
Pela quantidade de texto para descrever cada painel nota-se a preocupação de Moore para que a narrativa visual não saia dos trilhos, embora seja patente o respeito que ele tem pelos seus parceiros desenhistas.
O material visto aqui é tal qual posto na edição definitiva de Watchmen (primeira edição), segundo a Lei brasileira do Direito Autoral, Lei 9610/98 , Capítulo IV, é permitida a citação e uso de trechos para fins de resenha e estudo. O Laboratório Espacial sugere a aquisição da obra original dada sua importância, e também porque é uma leitura irada!
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022
O Bárbaro e a MARVEL ! por Gian Danton
No final da década de 1960 os super-heróis começaram a entrar em crise. O final da era de prata dos quadrinhos foi marcado pelo desaparecimento de várias editoras e títulos. Na década de 1970 começaria a chamada era de bronze. Foi um período em que os editores se viram obrigados a testar novos formatos e gêneros na tentativa de manter o interesse do leitor. Um personagem que encarnou essa época foi Conan, o bárbaro.
Conan, criado pelo escritor texano Robert E. Howard, surgiu na história The
Phenix on the sword, publicada na revista pulp Weird Tales, em 1932. Na década
de 1960 suas histórias foram republicadas, chamando a atenção de Roy Thomas, o
roteirista mais importante da Marvel, depois de Stan Lee. Os dois resolveram que
aquilo daria um bom quadrinho. O dono da Marvel, Martin Goodman, não
gostava do personagem. Afinal, ele era amoral, vingativo, ladrão e adorava uma
bebedeira e uma orgia. Para quem achava que os quadrinhos eram lidos só por
crianças, esse parecia um personagem que não iria agradar. Stan Lee, no
entanto, convenceu-o a publicar.
Para a desenhar a história foi designado um ilustrador inglês, novo no meio, chamado Barry Smith. Ele fez um Conan com visual art-nouveau que chamou a atenção do público. Apesar do sucesso, Smith acabou abandonando os quadrinhos para se dedicar a outras variantes artísticas. Para substituí-lo foi chamado um veterano da Marvel, John Buscema, que mudou o personagem, tornando-o mais másculo e mais bárbaro, definindo o que seria o visual do personagem dali para a frente. Quando a revista deixou de ser colorida e passou a ser publicada no formato magazine (maior que o dos gibis), as vendas estouraram, pois a revista alcançou um público bem mais adulto, que já tinha desistido de ler super-heróis.
O sucesso de Conan também esteve ligado aos ótimos arte-finalistas de origem
filipina, como Ernie Chan e Alfredo Alcala, que distanciavam o traço de Buscema
daquele que ele usava nos super-heróis.
O sucesso absoluto do personagem fez com que surgissem vários outros personagens
nos mesmos moldes. No começo, a própria Marvel aproveitou para publicar outros
personagens criados por Robert E. Howard, como Kull, o conquistador e Sonja, a
guerreira, que fez muito sucesso no traço de Frank Thorne. Tratava-se de uma
mulher que só podia entregar sua virgindade ao homem que a vencesse em combate.
Como isso nunca acontecia, a história se equilibrava entre a sensualidade e a
ação.
A DC entrou na onda com O Guerreiro (Warlord), criação de Mike Grell, sobre um piloto da
força aérea norte-americana que vai parar no centro da terra, onde existe um
mundo dominado pela espada e pela magia.
Na década de 1980 Conan ganhou uma versão cinematográfica, estrelada por Arnold
Schwazenegger, o primeiro sucesso cinematográfico do ator. (Nota do Editor: Scharzennegger encarna o cimério em 1982 e em 1984. A ideia inicial era fazer uma franquia nos moldes de 007, no entanto o herói só retornou aos cinemas em 2011,vivido desta vez por Jason Momoa).
Conan fez um sucesso extremo no Brasil, onde continuou popular mesmo quando a Marvel não estava mais produzindo novas histórias. Por causa disso, as editoras (inicialmente a Abril e depois a Mythos) continuaram a revista apenas com republicações. Depois o personagem foi adquirido, nos EUA, pela editora Dark Horse (ficando por lá de 2003 a 2018), nesse período a fase assinada pelo roteirista Kurt Buziek e pelo desenhista Cary Nord conseguiu agradar aos velhos fãs. (Nota do Editor: Conan retorna à Marvel em 2019 em quadrinhos de esmerado cuidado gráfico e editorial. O objetivo parecia ser o de superar visualmente o material produzido pela Dark Horse ao mesmo tempo em que se apresentava uma maior refinamento visual, houve uma retomada de um character design mais alinhado com o de John Buscema. Os contos originais de Conan entraram em domínio público em vários países da Europa e no Brasil. O Direito Patrimonial , ou seja o direito de editar/adaptar os contos está em domínio público nestes países. Isto significa que as histórias podem ser reimpressas e reeditadas livremente sem no entanto contar na capa o nome CONAN, que segue como marca registrada da Conan Properties International).
segunda-feira, 21 de novembro de 2022
RUBENS DE AZEVEDO: Um Cearense Espacial
Em 29 de outubro de 2021 (véspera do centenário de Rubens de Azevedo) foi anunciado que o asteroide 84342, descoberto por Charles Juels e pelo brasileiro Paulo Holvorcem em 2002, foi nomeado oficialmente como (84342) Rubensdeazevedo. O planetário do Centro Cultural Dragão do Mar (um dos agradáveis pontos turísticos da capital do Ceará) foi denominado, desde sua criação como Planetário Rubens de Azevedo. A esta altura, caso não conheça a história, você poderia se perguntar o porquê tantas homenagens. Calma, a resposta está a seguir.
Em 1938 Rubens de Azevedo desenhou o primeiro mapa brasileiro da Lua, em 1947 criou a primeira associação amadora de astronomia do Brasil, em 1948 fundou o primeiro Observatório Popular do país, em São Paulo fundou a Sociedade Brasileira de Selenografia. Descobriu um Vale na Lua, posteriormente confirmado por astrônomos chilenos e também um fenômeno Lunar Transitório na Cratera Aristarco, confirmado pelo astronauta Edwin Aldrin quando em órbita lunar.
No estado de São Paulo, foi professor de Selenografia na Escola Municipal de Astrofísica, professor assistente de Astronomia e Astronáutica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba e na Universidade Estadual do Ceará, professor de Geografia Astronômica. Fundou o Observatório Astronômico da Paraíba e participou durante seis anos como membro ativo do Lunar International Observers Network, criado pela Nasa para assessorar as missões Apolo.
É notório que alguns cientistas se iniciaram na carreira após terem a curiosidade científica atiçada pela Ficção (seja por meio de novelas de rádio, livros, filmes ou quadrinhos), Rubens quando jovem não apenas nutriu apreço por variada literatura, mas dedicou-se também a produzi-la. Entre suas obras estão livros sobre astronomia, desenho e símbolos nacionais.
Para os fãs de quadrinhos, o trabalho de Rubens Azevedo continua sendo uma preciosidade quase arqueológica, já que não existem reimpressões de seus trabalhos nessa área. Notadamente:
-A Tira de humor SACHA, O DETETIVE PARTICULAR (1937)
-A Tira
tablóide de aventura e Ficção Científica: UMA VIAGEM A SATURNO (1941) publicada inicialmente de modo serializado no suplemento infantil do jornal O ESTADO. O material foi compilado posteriormente com patrocínio da casa Brasil & Matos Ltda - comestíveis e bebidas nacionaes e estrangeiras.
-Adaptação para quadrinhos: As Aventuras de Simbad o Marujo
-Tira de humor: Na Vila da Caixa Prego
-HQ de aventura
sci-fi: PRISIONEIROS DE HYPERION (1961)
LINKS:
Sasha, o Detetive (em Tiras Memory)
Uma Viagem a Saturno (Tiras Memory)
Rubens de Azevedo homenageado com nome num Asteróide (Olhar Digital)




















