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domingo, 25 de agosto de 2019

KUTANG - O Rei do Universo !

























Por JJ Marreiro

Aos olhos de hoje a alcunha “Rei do Universo” pode parecer megalomaníaca ou mesmo soberba, mas aos olhos dos anos 60 com seus Reis do Rock, Reis do Iê-Iê-Iê, Reis dos Calouros, Reis dos Quadrinhos... o termo Rei parecia usual e plenamente adequado. Sem mencionar o caráter ingênuo e pueril que vinha a reboque. Joás Dias de Lima (como também é conhecido o cartunista Jodil) criou um personagem que, de certo modo, combinava um caráter místico e tecnológico. Poderia muito bem ser associado às idéias de Novo Aeon ou das disciplinas de ordem exotérica típicas daqueles anos 60 tão telúricos, mas tratava-se apenas de um personagem divertido que, a exemplo do Capitão Marvel ou de Jack Marvel (Marvel Man), usava uma palavra mágica para acessar seus dons superiores e proteger os necessitados.

Jodil, artista gráfico, publicitário, cartunista, ilustrador, faneditor (Fã Sim HQ, Túmulos Vazios) talvez não tenha imaginado que aquela sua revista de criança pudesse inspirar e instigar tanta gente ao ponto de seu personagem ser catalogado por Lancelott Martins no rol dos personagens brasileiros de histórias em quadrinhos ao lado de ícones como RaioNegro, Judoka e Capitão 7.

Abaixo você pode ver as páginas de Kutang produzidas por Jodil nos anos 60 e logo em seguida um preview da revitalização proposta nos anos 2000.

















Falando sobre o personagem e sua revitalização: Conheci o personagem Kutang por meio dos fotologs. Alguém havia postado uma imagem de um quadrinho infantil produzido em 1964. Achei curioso e o tempo se encarregou de colocar-me em contado com Rod Gonzalez que após ver alguns de meus desenhos sugeriu que reformulássemos o personagem. Após a devida permissão do Joás (criador do personagem que viria a se tornar amigo de ambos) iniciei os estudos e fiz algumas páginas. No entanto, necessidades mais prementes me impediram de finalizar o projeto na época, mas ainda há esperança desse material vir a público, principalmente porque hoje em dia existem várias maneiras de fazer isso. Veremos no que dá.

Abaixo, o material extraído do HQQuadrinhos de Lancelott Martins, o maior catálogo de personagens brasileiros da internet. 





E agora, pra encerrar, uma curiosidade. O Capuz usado pelo herói, com seu formato cônico, somado a letra 'K' estampada em seu peito tornaram o herói alvo de críticas que alegavam tratar-se, estes elementos, de referências à Ku Klux Klan (instituição extremista norte-americana que se opunha à luta pelos direitos civis), algo que obviamente jamais passou pela mente criativa do autor.

O 'K' no peito se justifica pelo nome do herói, que, caso fosse escrito com 'C' não traria a mesma aura exótica. Aliás, Kutang é um termo da língua indonésia usado para vestes, camisola ou colete. Quanto ao chapéu em cone, os membros da Klan podem tê-lo associado a uma rotina de terror, perseguição e ódio, mas sua origem remonta a procissões religiosas medievais e está ligada à modéstia, penitência, humildade e fé. Ao mesmo tempo que simboliza os soldados romanos cumprindo obedientemente sua obrigação, o chapéu, cobrindo o rosto, também representa a vergonha de ter sacrificado o Cristo. O formato do cone, como uma seta para cima, indica uma conexão com o céu e com o divino que habita acima dos homens. Desde suas origens os penitentes (chamados encapuzados, nazarenos ou farricocos) usam esta indumentária como maneira de seguir a procissão expiando os próprios pecados sem revelar publicamente suas identidades.

Algumas procissões da Semana Santa (tradição religiosa cristã que culmina na ressurreição do Cristo) na Espanha incluem a chamada Procissão do Fogaréu (Em cidades como Málaga, Sevilha—considerada a maior comemoração de Semana Santa do Planeta!), Valladolid, Salamanca, Cádiz, Monóvar, Pamplona, Tudela, Zamora e outras) e em Portugal (Braga, Óbidos e outras). Estes festejos datam da Idade Média e possuem elementos ritualísticos próprios. Algumas ocorrerem à noite ao som de tambores, com os participantes sendo precedidos por tropas à cavalo. As tochas e as indumentárias dos clérigos e dos penitentes também são carregadas de simbolismo. No Brasil, as famosas Procissões do Fogaréu, que ocorrem em Guarulhos-SP, Lorena-SP, Goiás-GO, Paraty-RJ, Petrópolis-RJ, Santa Luiza-PB, Reriutaba-CE e em várias outras localidades, são descendentes diretas destas manifestações europeias. O capuz, ou chapéu em cone, está lá, trazendo aquele ar de solenidade, misticismo e mistério aliado à sua herança medieval.




Sobre as procissões:
Semana Santa em Málaga (Espanha)
http://desbravandomadrid.com/2015/03/31/especial-semana-santa-procissoes-curiosas-em-espanha/
http://www.panosso.pro.br/2011/04/semana-santa-em-valladolid-espanha.html
https://www.icce.com.br/blog/2014/4/18/o-icce-deseja-uma-feliz-pscoa-conhea-um-pouco-sobre-as-tradies-da-semana-santa-na-espanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Confraria
http://lumeear.blogspot.com.br/2015/04/a-semana-santa-em-espanha.html
http://www.periodistadigital.com/religion/turismo/2015/10/13/el-pp-quiere-declarar-la-semana-santa-como-manifestacion-representativa-del-patrimonio-cultural-inmaterial-religion-iglesia-congreso.shtml
Nazarenos - Os encapuzados (wikipedia)
http://pt.aleteia.org/2017/04/10/procissao-do-fogareu-fe-e-tradicao-na-semana-santa/
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/33878-procissao-do-fogareu-em-goias
https://semlimitesjornalinovador.blogspot.com.br/2014/04/procissao-do-fogareu-antes-missa-com-pe.html
http://viagemeturismo.abril.com.br/destinos/procissao-do-fogareu-encena-perseguicao-a-cristo-em-goias-velho/

http://blog.comshalom.org/carmadelio/49950-fe-e-cultura-popular-a-variedade-das-procissoes-de-semana-santa

Procissão do Fogaréu (wikipedia) 

Procissão Ecce Homo  em Braga - Potugal (wikipedia)

Matéria originalmente publicada no blog Campo dos Sonhos - Link

sábado, 12 de novembro de 2016

Projeto HQ-CE & ANTOLOGIA HQ!
















A Fundação Demócrito Rocha é uma instituição criada em 1985 pelo Grupo de Comunicação O Povo, focada em educação, cidadania e desenvolvimento humano. E foi esta Instituição que deu um passo preciso, direto e decidido na direção das Histórias em Quadrinhos neste ano de 2016 por meio do Projeto HQ-CE, encabeçado pelo escritor, editor e produtor cultural, Raymundo Netto com a colaboração do quadrinista Daniel Brandão.










A coragem desta iniciativa levou os coordenadores a reunir artistas de vários segmentos da produção de arte sequencial e um corpo técnico de especialistas nas áreas de editoria, design, web, tv e cinema. Com financiamento da Secretaria Municipal da Cultura da Prefeitura de Fortaleza (por meio de convênio), o projeto como um todo acabou por fomentar a produção, conectar a comunidade com a arte dos quadrinhos e mostrar que este meio tem muito potencial mercadológico.

Um curso online foi produzido por cerca de 20 autores —cada autor, ou time de autores, trabalhou um tema específico— para materializar web-aulas em vídeo e fascículos temáticos com versão impressa distribuídos gratuitamente como encarte do jornal O Povo. A versão em PDF, publicada online —junto com ferramentas tipo blog, fórum, galeria de fotos, calendários de eventos entre outras— foi disponibilizada no site do Curso HQ-CE. Um sistema de avaliação creditava o participante a receber um certificado de formação. Aqui vale notar a importância de documentos dessa natureza, não apenas para a vida acadêmica, como também para encorpar um currículo profissional.

Partindo da implementação do Curso de Quadrinhos Online, o projeto ramificou-se oferecendo cursos, oficinas e treinamentos presenciais, mais palestras e mesas redondas com editores da área, produtores culturais e secretarias de cultura (município e estado) o que promoveu para alguns a percepção do terreno fértil que é o mercado da arte sequencial como um todo.





Some-se a toda essa gama de desmembramentos, shows de Rock e exposições artísticas que tiveram culminância na exposição "Um Recorte em Quadrinhos" e no lançamento da ANTOLOGIA HQ-CE, um álbum organizado por Daniel Brandão reunindo vários artistas com produções dos mais diversos  gêneros.

Uma ANTOLOGIA como esta é um cartão de apresentação do quadrinho cearense e uma grande oportunidade para cada artista mostrar seu melhor trabalho. Uma chance de apresentar-se a editores, patrocinadores, investidores, caça-talentos e sobretudo aos leitores. Não bastasse isto, a importância desta publicação é histórica, pois poucas vezes —no Estado do Ceará— um espaço tão nobre e com tanta qualidade gráfica foi dado a autores de quadrinhos. Esta publicação completa o ciclo HQ-CE com chave de ouro, fazendo o que poucos que editam material didático de quadrinhos fizeram: editar/publicar os próprios quadrinhos. 


ANTOLOGIA HQ
Edições Demócrito Rocha
Organizador Daniel Brandão
Autores: Alex Lei, Brendda Lima, Daniel Brandão, Dharilya Sales, Deleon Stu, Cristiano Lopez, Denilson Albano, Fernando Lima, Guabiras, Heron, Jean Sinclair, JJ Marreiro, João Belo Jr, Júlia Pinto, Karlson Gracie, Lene Chaves, Lincoln Souza, Lucas Pascoal, Lucas Rebelo, Luís Carlos Sousa, Mano Araújo, Marcus Rosado, Nath Garcia, Pedro Brandão, Rafael Dantas, Ramon Cavalcante, Robério Leandro, Rod Mendez, Rodrigo Matos, Sirlaney, Thyago Cabral, Walber Feijó, Weaver.


MAIS:
Fundação Demócrito Rocha
Para adquirir publicações das Edições Demócrito Rocha

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vai procurar tua TURMA...





Todo dia alguém joga uma pedra no Quadrinho Brasileiro. Todo dia essa pedra é usada para construir uma fortificação, pois as opiniões dos detratores do quadrinho nacional a cada dia ficam mais frágeis quando materiais no nível de Turma da Tribo ganham vida.

A fórmula para um quadrinho excelente nem sempre pode ser repetida, pois conta com muitas variáveis, entretanto nesta edição é fácil perceber a união de um ótimo roteiro com um ótimo desenho e um ótimo acabamento gráfico. Financiado via edital e reunindo elementos da cultura brasileira, folclore, cenários e tipos, o resultado é um quadrinho imperdível com uma personalidade única.

Pronta para ser utilizada nas escolas como material paradidático, a Turma da Tribo oferece uma leitura que diverte, informa e estimula o debate. Saiba mais através das palavras dos próprios autores em nossa mini-entrevista:

MARREIRO: Você acha que temas brasileiros são pouco explorados pelos autores brasileiros? E nesse contexto porque exatamente "Índios"?
 
GIAN DANTON: O preconceito contra temas brasileiros já foi maior. Houve uma época que mesmo os quadrinistas torciam o nariz para um personagem com nome brasileiro. Mas mesmo assim ainda existe preconceito. E nós temos uma rica mitologia, basta que ela seja bem explorada. Quando comecei a pensar na Turma da Tribo a ideia era fazer algo nos moldes do Asterix. Sempre gostei da forma como os franceses valorizam sua cultura e isso fica bem claro no caso do Asterix. Se eles têm os gauleses resistindo aos romanos, nós temos os índios resistindo aos diversos invasores, dos portugueses aos madeireiros. Era uma forma também de chamar atenção para um tema muito atual, que é as invasões que as reservas indígenas sofrem de pessoas interessadas em ouro, madeira... Ou seja: o tema era atual e interessante. Tinha tudo para dar uma boa HQ.

Os editais de cultura são uma boa opção para viabilizar um segmento de quadrinhos mais voltados para a cultura?
 
Sem dúvida. A Turma da Tribo só se tornou viável graças a isso, até porque é um trabalho detalhado, todo em policromia, papel couchê, mas de personagens desconhecidos.
 
Só para atiçar a curiosidade dos nossos leitores, Gian, como é a Turma da tribo?
 
É uma história em quadrinhos infantil, mas que os adultos também vão gostar. Tanto o desenho quanto o roteiro são na linha franco-belga, com piadas visuais e trocadilhos. Na história, a reserva indígena é invadida por um madeireiro (o Doutor Malino, que fica emburrado quando alguém não o chama de Doutor!) e seus ajudantes atrapalhados. Os indiozinhos protagonistas serão responsáveis por evitar que ele consiga seus objetivos. 
MARREIRO: Na Turma da Tribo são notáveis os cuidados com figurinos, cenários. Vegetação e vida animal também são retratados de maneira muito crível. Qual o nível de importância da pesquisa para um trabalho como esse?
 
RICARDO MANHÃES: Vejo a “ambientação” de uma HQ, o cenário e o figurino, como uma ferramenta poderosa para contextualizar o texto e aproximar o leitor do roteiro no qual estou trabalhando. No caso da Turma da Tribo, a vegetação tem um papel fundamental visto que estamos falando das florestas brasileiras e da força da natureza.Evidentemente que nem todas aquelas plantas ou flores (vistas na HQ) existem na realidade, mas o objetivo é conceituar uma floresta “genérica” e deixar a criatividade rolar.
 
Nas artes cênicas é comum ouvir que fazer rir é bem mais difícil que fazer chorar. Como você vê essa relação nas artes gráficas?
 
Nas artes gráficas não é muito diferente. No caso da HQ de humor é necessário que os resultados gráficos façam sentido dentro do mundo fictício ou caricato que você cria, ou seja, mesmo se tratando de uma “distorção”, aquilo tem que funcionar dentro de um padrão estabelecido. Digamos que, sim, é mais difícil fazer rir do que chorar.
 
O que acha da utilização de temas brasileiros/regionais (boiadeiros, pantaneiros, cangaço, etc) para a produção de quadrinhos? Pode haver uma ligação maior entre esses quadrinhos e as escolas?
 
Acho que é um excelente caminho para as HQs nacionais. O que temos aqui no Brasil, como costumes e cultura só existem aqui. Quem melhor que nós mesmos para retratar o Brasil? Acho que o momento é esse.
Quanto à ligação entre quadrinhos e escola, vejo que a própria Turma da Mônica mostra que as HQs são um importante veículo na alfabetização e na criação de um futuro público leitor, seja de quadrinhos ou romances. Espero que o Brasil siga nesse caminho, que pelo menos no que diz respeito às HQs, promete um grande futuro.
Obrigado, João, pela entrevista. E continue sendo essa referência que você é.

Mais coisa:



terça-feira, 14 de maio de 2013

Como fazer para Trabalhar com Quadrinhos? Parte 2




Quanto dinheiro ganha um profissional do desenho? Assim como na Arquitetura, Medicina, Direito ou qualquer outra profissão os valores variam. Esta é uma pergunta comum em convenções e eventos. Dinheiro é importante, mas não deveria ser o fator mais importante de uma vida, ele é um meio e não um fim.

Perguntar aos artistas o valor de suas páginas ou quanto ganham por mês é - pra começo de conversa – no mínimo deselegante. Salário é assunto que compete apenas a quem paga e quem recebe. Não estou dizendo para fugir do assunto financeiro, mas é preciso saber com quem conversar e em que momento. Se seu portfólio for adequado às necessidades de mercado, um agente, ao avaliá-lo e perceber seu potencial, pode falar com você em termos de valores.
Você quer ser profissional: Aja como tal. Cuide de seu trabalho, cuide de seus clientes (as pessoas pra quem você presta serviço), respeite seus leitores, trate bem as pessoas, quer seja o faxineiro quer seja o editor-chefe. Mantenha hábitos de higiene nas suas páginas e em si. Embora a mídia underground explore o contrário, ninguém gosta de gente suja ou fedendo. Mantenha uma pasta apresentável para seu trabalho. Sua apresentação é uma questão de higiene, mas também de profissionalismo. Cuide de sua imagem. Quadrinhos implicam eventualmente em contatos com o público. Todas aquelas suas fotos desenhando sem camisa, ou de camiseta regata e chinelo de dedo na internet fazem você parecer um “trabalhador escravo” e não um autor de quadrinhos. Você não é o Tarzan, então não ajude os gringos a pensar que os brasileiros vivem em casas nas árvores e se locomovem por meio de cipós. Se você quer ser um artista, precisa se portar como tal. Que imagem você quer que os leitores tenham de você? Como são as fotos que você já viu de artistas como Alex Raymond, Will Eisner, Maurício de Sousa ou Ziraldo? Que imagem você faz desses autores?


Cerque-se de pessoas que possam te ajudar a caminhar. Para isto é que existem os agentes, eles são responsáveis por posicionar seu trabalho no mercado editorial. Além disso, um bom agente vai planejar sua carreira com você, discutir que títulos deve pegar, que projetos podem ser interessantes para sua carreira. Muitas vezes um título pequeno e desconhecido é melhor que um muito famoso. A pressão é menor e a liberdade de experimentação é maior. Se seu foco é o mercado brasileiro será importante travar contato com diversos editores e apresentar-se a eles. No Brasil os jornalistas especializados e os designers gráficos podem sugerir ao editor usar seu traço por ser adequado a esta ou aquela situação. Quanto mais gente do mercado editorial você conhecer, melhor será para seu trabalho. É fato que existem pessoas difíceis de lidar, mas lembre-se todo mundo quer trabalhar com o pessoal mais boa-praça.

Como Trabalhar com Quadrinhos: Introdução
Como Trabalhar com Quadrinhos Parte 1
Quadrinho e desenho: Qualquer um pode aprender?

10 mentiras pra enrolar Ilustradores inexperientes
Thais Linhares: Nós, ilustradores, somos autores.
Thais Linhares: Como o ilustrador pode cobrar pelo seu trabalho?


terça-feira, 30 de abril de 2013

Grafipar: Histórias e Memórias


Embora as maiores editoras do país estejam em São Paulo capital, foi Curitiba (PR) que gerou uma das mais apaixonantes e envolventes histórias dos bastidores da produção nacional de histórias em quadrinhos. Em pleno período da Ditadura Militar, em meio a repressão, perseguições políticas e enaltecimento de falsos moralismos, uma editora de quadrinhos tomou de assalto a atenção do mercado editorial com quadrinhos. Júlio Shimamoto, Flávio Colin, Franco de Rosa, Mozart Couto, Watson e Wilde Portela, Itamar, Gustavo Machado, Rodval Matias, Vilachã e Sebastião Seabra foram alguns artistas que colaboraram com a editora produzindo um material que hoje é indubitavelmente clássico.

Os temas de tom erótico lideravam as vendas, mas havia espaço para terror, ficção, aventura e humor. Alguns dos melhores desenhistas contratados pela editora foram convidados a morar em Curitiba e acabaram morando muito próximos uns dos outros dando origem à histórica Vila dos Quadrinistas. Chefiados por Cláudio Seto (o pioneiro do mangá no Brasil) a equipe criativa da Grafipar produziu páginas memoráveis e viveu histórias inesquecíveis. Agora este pedaço da História da Arte Sequencial brasileira está devidamente registrada num livro que resultou de uma pesquisa de 20 anos realizada pelo roteirista Gian Danton.

O livro, cujo texto é imersivo e quase hipnótico, apresenta fotos, capas e páginas de quadrinhos, histórias, lendas, depoimentos e entrevistas com os artistas que viveram intensamente este período de ebulição criativa do quadrinho brasileiro. Pesquisadores, fãs de quadrinhos, curiosos e artistas terão muito o que explorar nas páginas desta edição. A memória da editora Grafipar e seus heróicos artistas agora está devidamente registrada com o devido reconhecimento ao mérito de cada herói desta saga dos quadrinhos brasileiros.

Ficou curioso? Quer saber mais? Siga o rastro:
Idéias de Jeca-Tatu: Blog do roteirista Gian Danton com informações sobre como adquirir o livro.
Tesouros da Grafipar: Site do evento que reuniu os artistas da Grafipar 30 anos depois do seu auge.
Baú da Grafipar: Entrevistas, matérias e depoimentos sobre o material produzido pela editora Grafipar, seus artistas e o cenário do quadrinho nacional num dos mais prósperos períodos da HQ Brasileira.
Projeto Grafipar: Quadrinhos para download

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Flávio Colin em versão Digital para um Brasil mais Brasileiro!


Não é fácil encontrar a unanimidade, mas é possível se aproximar bastante dela. Flávio Colin foi um dos mais brasileiros autores de quadrinhos brasileiros, redundantemente brasileiro em todos os bons usos do conceito de brasilidade. Dono de um traço polêmico e – para alguns– agressivo, transformava os temas regionais numa área onde transitava com franco conforto. Norte, nordeste, sudeste, centro-oeste ou sul, em todos os recantos do país o nankin de Flávio Colin deixava sua marca trazendo força, personalidade e sensualidade aos mais diversos tipos. Os mais jovens não conheceram o quadrinho nacional durante seus momentos mais férteis (quando eram publicados para bancas dando vazão ao trabalho de muitos autores e títulos) por conseguinte não acompanharam os trabalhos de Colin nas revistas de investigação, terror ou mistério. Uma geração inteira, ou melhor, gerações inteiras corriam o risco de ficar sem conhecer a magnitude do trabalho de Colin não fosse a coleção digital lançada por Lancelott Martins.


O motivo principal deste lançamento está expresso no editorial da coleção: Preservação e Tributo! É claro que todos concordam que um trabalho tão significativo para as HQ brasileiras não deveria ficar esquecido e que mereceria render proventos para a família do autor. Num país com posturas culturais mais sólidas essas questões nem precisariam ser levantadas. Aqui já é uma vitória que o artista não seja esquecido. Mas, quem sabe? Talvez alguma editora tradicional abra os olhos para a importância deste tipo de material e se inspire em lançar uma versão capa dura com material semelhante.



O fato é que estamos diante de um trabalho de pesquisa hercúleo realizado pelo faneditor Lancelott Martins conhecido também como o maior catalogador de personagens em terras brasileiras. Até a edição 9 foram cerca de 1000 páginas escaneadas e tratadas mais diagramação de capas, chamadas e editoriais. Outros artistas mereceriam também este tipo de homenagem, esperamos que o exemplo de Lancelott seja seguido e mais coisa possa ser recuperada e resgatada do esquecimento para que possamos combater com fatos a máxima que diz ser o Brasil um país sem memória.
 
O HQ Quadrinhos apresenta também outras
publicações de material nacional e internacional,
catálogos de personagens além do histórico de centenas de personagens.
HQ Quadrinhos

ATUALIZAÇÃO (25/Abril/2019)
A Coletânea Flávio Colin foi retirada do ar
pelo Editor Lancelott Martins atendendo a
solicitações de familiares do artista. Deste modo removemos os links de todo este material.
O Laboratório Espacial torce para que novas
opções de resgate a memória e a arte do Mestre Flávio Colin sejam encontradas, o trabalho de um Gênio da Arte Sequencial não pode ser
perdido nas brumas da falta de memória da cultura brasileira.



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Laboratório Espacial no SANAFEST 2013


Janeiro em Fortaleza é bem movimentado para quem curte quadrinhos e cultura Pop. Além do Dia do Quadrinho Nacional (celebrado na Gibiteca de Fortaleza-entrada franca) a cidade oferece a quem tenha o bolso mais folgado o Sana Fest (que ocorre no Centro de eventos do Ceará) que tem uma área interessante para os fãs da 9a Arte: A Fortaleza Comicon.


O time do Laboratório Espacial estava lá com revistas do Laboratório e de diversos editores independentes do Ceará (numa iniciativa da Banca do Brasil), Mesas de Heroclix (Um game de tabuleiro e miniatura com personagens Marvel e DC), exibição de episódios do videocast Fora de Órbita, autógrafos, desenhos e animados bate-papos.


O único supervilão real encontrado no evento foi o barulho de vários aparelhos de som com músicas diferentes, isto somado à animação natural do evento dificultou a realização de atrações anteriormente programadas, entretanto a criatividade e uma pequena dose de boa vontade superaram as adversidades deixando bons resultados de saldo. Foi ótimo reencontrar os amigos e trazer novas pessoas para conhecer as experiências realizadas no Laboratório Espacial, uma área de testes cujo maior perigo é a diversão. Agradecimentos à turma do Heroclix-Fortaleza, Insonia Nerd e Rafael Menezes e Diêgo Silveira.