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terça-feira, 14 de maio de 2013

Como fazer para Trabalhar com Quadrinhos? Parte 2




Quanto dinheiro ganha um profissional do desenho? Assim como na Arquitetura, Medicina, Direito ou qualquer outra profissão os valores variam. Esta é uma pergunta comum em convenções e eventos. Dinheiro é importante, mas não deveria ser o fator mais importante de uma vida, ele é um meio e não um fim.

Perguntar aos artistas o valor de suas páginas ou quanto ganham por mês é - pra começo de conversa – no mínimo deselegante. Salário é assunto que compete apenas a quem paga e quem recebe. Não estou dizendo para fugir do assunto financeiro, mas é preciso saber com quem conversar e em que momento. Se seu portfólio for adequado às necessidades de mercado, um agente, ao avaliá-lo e perceber seu potencial, pode falar com você em termos de valores.
Você quer ser profissional: Aja como tal. Cuide de seu trabalho, cuide de seus clientes (as pessoas pra quem você presta serviço), respeite seus leitores, trate bem as pessoas, quer seja o faxineiro quer seja o editor-chefe. Mantenha hábitos de higiene nas suas páginas e em si. Embora a mídia underground explore o contrário, ninguém gosta de gente suja ou fedendo. Mantenha uma pasta apresentável para seu trabalho. Sua apresentação é uma questão de higiene, mas também de profissionalismo. Cuide de sua imagem. Quadrinhos implicam eventualmente em contatos com o público. Todas aquelas suas fotos desenhando sem camisa, ou de camiseta regata e chinelo de dedo na internet fazem você parecer um “trabalhador escravo” e não um autor de quadrinhos. Você não é o Tarzan, então não ajude os gringos a pensar que os brasileiros vivem em casas nas árvores e se locomovem por meio de cipós. Se você quer ser um artista, precisa se portar como tal. Que imagem você quer que os leitores tenham de você? Como são as fotos que você já viu de artistas como Alex Raymond, Will Eisner, Maurício de Sousa ou Ziraldo? Que imagem você faz desses autores?


Cerque-se de pessoas que possam te ajudar a caminhar. Para isto é que existem os agentes, eles são responsáveis por posicionar seu trabalho no mercado editorial. Além disso, um bom agente vai planejar sua carreira com você, discutir que títulos deve pegar, que projetos podem ser interessantes para sua carreira. Muitas vezes um título pequeno e desconhecido é melhor que um muito famoso. A pressão é menor e a liberdade de experimentação é maior. Se seu foco é o mercado brasileiro será importante travar contato com diversos editores e apresentar-se a eles. No Brasil os jornalistas especializados e os designers gráficos podem sugerir ao editor usar seu traço por ser adequado a esta ou aquela situação. Quanto mais gente do mercado editorial você conhecer, melhor será para seu trabalho. É fato que existem pessoas difíceis de lidar, mas lembre-se todo mundo quer trabalhar com o pessoal mais boa-praça.

Como Trabalhar com Quadrinhos: Introdução
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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Como fazer para trabalhar com Quadrinhos? Parte 1




Assim como o ramo desenho favorece muitas possibilidades de atuação, os quadrinhos também. Editor, diagramador, desenhista, roteirista, colorista, letrista são alguns desses campos de atuação mais diretos. É possível trabalhar com quadrinhos em diversos segmentos indo da informática à comunicação social. Um bom número de pessoas, entretanto, ao optar por esta área, tende a se interessar por escrever e/ou desenhar.

No Brasil um elemento importante para o artista de quadrinhos é a versatilidade, ou seja, transitar entre o traço acadêmico e o cartum, o underground e o mangá, por exemplo. Essa característica ajuda a conseguir trabalhos de diferentes gêneros e estilos.

Jornais, revistas informativas, material didático, institucional ou publicitário, cursos e estamparia são algumas áreas de atuação. Lembrando que o bom quadrinista normalmente está apto a atuar como ilustrador, tirista, cartunista, chargista, e, em alguns casos, animador. Embora Angeli, Ziraldo, Maurício de Sousa e Ivan Reis sejam famosos, talvez por exercerem seu ofício com excelência, é bom lembrar que a grande maioria dos desenhistas (e alguns mesmo geniais) não são famosos.

Nenhum profissional se firma se não possuir domínio dos conhecimentos pertinentes a sua área de trabalho. Nenhum profissional se torna requisitado se não estiver disposto a aprender sempre mais e a se reciclar de vez em quando. Cursos, oficinas, palestras são sempre importantes. Independente de quanto tempo atue na área. Qualquer que seja a profissão de sua escolha: Você nunca vai parar de estudar e aprender. Deste modo faz sentido escolher uma área de atuação com a qual você tenha afinidade.
Um curso é mesmo útil? Sim e por vários motivos. Em um curso você vai desenvolver sua técnica seguindo os exercícios e seus prazos. Se o curso for bom, certamente haverá alguma pressão (coisa corriqueira nesse ramo). Você terá convívio com alunos (e profissionais) de diversos níveis interessados em outros temas e gêneros. Isso contribuirá para ampliar sua visão e seu repertório. E o curso, presencial ou online, tem ainda vantagens como metodologia de aprendizado, ordenação e compartimentabilização de conteúdos e momentos teóricos e momentos práticos. No entanto e importante lembrar que nenhum curso funciona de modo mágico e um aprendizado consistente requer empenho, dedicação e uma boa dose de autonomia e responsabilidade.

Aprenda a ouvir, ouça as críticas e retire delas o que for melhor para seu crescimento. Existem as críticas construtivas e as destrutivas (essas não servem para nada além de te por para baixo – ignore-as ou use-as para se motivar a virar o jogo). Uma boa crítica é aquela que aponta seu erro e o caminho para acertar. Quando algum profissional estiver avaliando seu trabalho fique mudo. Apenas ouça e avalie se está entendendo direito a mensagem. Lembre-se à partir do momento que encarar a arte como uma profissão muitas coisas chatas, desagradáveis e burocráticas surgirão no seu caminho, não é porque você gosta deste trabalho que ele vai deixar de ser um trabalho e assim sendo precisa ser encarado com seriedade e sobriedade.

Fique ligado no Laboratório Espacial, brevemente irão ao ar: Parte 2 e Parte 3.

LINKS:
Como fazer para trabalhar com Quadrinhos - texto introdutório
Como fazer para trabalhar com Quadrinhos - Parte 2
Quadrinho e desenho: Qualquer um pode aprender?
Para refletir sobre o trabalho
The Creation of Manga
How to become a comic book artist