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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Um Adeus a Stan Lee (por Gian Danton)


Morreu Stan Lee, o homem que mudou o quadrinho, pessoas e o mundo

Sem Stan Lee não existiria Gian Danton.
No final da década de 1950 a grandiosa DC dominava o mercado de quadrinhos quase sozinha. Uma de suas concorrentes era editora pequena, composta apenas de uma sala, um editor e uma secretária. Poucos anos depois, essa editora secundária se tornaria o Davi que iria derrotar o Golias nas vendas e na imaginação do público. 


Stan Lee, o editor da Marvel, era a mente por trás dessa mudança. Junto com Jack Kirby ele criou o Quarteto Fantástico, o grupo de heróis que revolucionaria os quadrinhos com personagens bidimensionais, brigas internas, histórias em continuidade e muita, muita ação.
O método criado por ele (chamado hoje de método Marvel) permitia que artistas como Jack Kirby imprimissem um ritmo, uma agilidade, um movimento que fazia parecer que as histórias do Super-homem aconteciam em câmera lenta. Por outro lado, o texto de Lee humanizava e caracterizava cada personagem. Até mesmo personagens terciários, como o Surfista Prateado, ganhavam um background, uma história de vida, um modo de falar, uma personalidade. 


E Lee fazia questão de colocar créditos nas histórias. Ao contrário da DC, que fazia questão de esconder os nomes dos desenhistas e roteiristas, a Marvel alardeava aos quatro ventos que tinha os melhores artistas e escritores e dava nome a cada um. E mais: seus textos faziam acreditar que a Marvel era um verdadeiro mundo mágico, a casa das ideias e que a produção de quadrinhos eram uma nova forma de arte (Se estivessem vivos, Shakespeare e Michelangelo estariam fazendo quadrinhos, dizia ele). 


Fazer quadrinhos era uma grande aventura!
Como resultado, os leitores começaram a prestar atenção em quem fazia as histórias – e descobriram que havia alguém que escrevia as HQs, os roteiristas. Também como resultado, o público universitário se viu atraído pelos gibis e, com o tempo, isso abriu caminho para todo um campo acadêmico, o de pesquisadores de quadrinhos. 


Como editor, Lee tinha uma máxima, que passou ao seu pupilo Roy Thomas: se uma revista está vendendo bem, deixe o time criativo livre. Isso fez com que a Marvel explodisse em criatividade nos anos 1970, com trabalhos impressionantes como o Dr. Estranho de Steve Englehart e Frank Brunner, que levou a psicodelia do personagem ao seu nível máximo e o texto a um nível poucas vezes alcançado, antes e depois. 


O sucesso da Marvel balançou a DC, fazendo com que ela saísse de seu confortável conservadorismo. Durante anos a Distinta Concorrência, como chamava Stan Lee, fez de tudo para ser tão criativa quanto a Marvel – e conseguiu na década de 1980, quando trabalhos inovadores como os Novos Titãs, Crise nas infinitas terras e as séries autorais Cavaleiro das trevas e Watchmen balançaram a indústria de quadrinhos. 


Eu lia quadrinhos desde pequeno, principalmente quadrinhos infantis como Turma da Mônica e Disney. 


Ali pelos 15 anos eu já tinha me enjoado desse tipo de leitura. Foi quando, numa fila de banco, caiu em minhas mãos um exemplar de Superaventuras Marvel. Eu simplesmente pirei na revista e em especial naquele Doutor Estranho diferente, que flertava com a psicodelia (e que se tornaria por anos meu personagem predileto, ao lado dos X-men). E pirei mais ainda ao ver, nos créditos, o nome de quem fazia as histórias. Sim, cada HQ tinha um desenhista ... e um roteirista! Ali surgiu o sonho de ser roteirista. 


Anos depois, o compadre Joe Bennett me emprestou Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Foi um impacto incomparável, que me fez buscar tudo que achasse escrito por Alan Moore – e fez com que eu aceitasse escrever uma história desenhada pelo compadre, a Floresta Negra.
Se Stan Lee não tivesse transformado a Marvel no que ela se tornou, eu não teria lido aquela Superaventuras Marvel e nunca teria tido o sonho de ser roteirista de quadrinhos. Se não existisse a eterna concorrência com a Marvel, a DC continuaria sendo uma editora conservadora e nunca teria publicado trabalhos tão revolucionários como Monstro do Pântao e Watchmen – e, portanto, eu não teria tido o impulso de começar e o norte do tipo de histórias que queria contar como iria contá-las.
Se não fosse a geração de universitários criada pela Marvel, que a passou a ver os quadrinhos além do preconceito, eu nunca poderia ter escrito meu TCC, minha dissertação e minha tese sobre quadrinhos.
Stan Lee mudou não só a indústria de quadrinhos. Mudou a minha vida e a de muitas outras pessoas. De certa forma, ele mudou o mundo. 


Eu poderia dizer descanse em paz, mas duvido que ele gostaria disso. Deve estar agora agitando as coisas lá no céu dos criadores.


 









IDEIAS DE JECA TATU (blog de Gian Danton)

http://roteiroquadrinhos.blogspot.com/

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2010/10/o-astronauta-de-mauricio-de-sousa-por.html


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

THOR: O Deus do Trovão! (por Gian Danton e JJ Marreiro)


No rastro das inovações pelas quais a Marvel estava passando, Stan Lee pediu a Jack Kirby que fizesse um herói baseado na mitologia nórdica. Essa era uma mitologia muito pouco explorada nos quadrinhos, mas segundo Lee, era a mais dramática. Roberto Guedes, no livro Quando surgem os super-heróis, diz que ¨Kirby estilizou de forma ímpar os deuses asgardianos, indo além do figurino trivial dos marmanjos vikings. A cidade de Asgard mais parecia um planetóide alienígena, de charme inigualável¨. O personagem principal, o deus Thor, foi mostrado não como um viking cabeludo, mas como um jovem loiro, de cabelos longos, antecipando o visual dos hippies (posteriormente, Mark Millar exploraria isso na série Os Supremos, mostrando Thor como um hippie ecologista).

Kirby tinha uma mente incrível para grandes sagas e personagens fantásticos. Assim, ele criou vários personagens ou locais marcantes, como Ego, o planeta vivo, a montanha de Wundagore, os colonizadores de Rigel e O Registrador. Lee colaborava com o lado humano e com as tramas bem elaboradas.

Um expediente comum era colocar o personagem numa situação insolúvel no final da revista. Na revista seguinte, a situação era solucionada, apenas para dar lugar a uma situação ainda mais complicada. Thor vivia uma verdadeira vertigem de aventuras. Além disso, Kirby usou na série um expediente absolutamente inovador: colagens de fotos que eram misturadas aos seus desenhos, dando um charme especial às histórias.

http://ivancarlo.blogspot.com.br/





O frágil Dr. Donald Blake durante um passeio nas montanhas, ao adentrar uma caverna descobre um martelo encantado com as inscrições: Aquele que empunhar este martelo, se for digno, terá o Poder de THOR. COm isso o frágil Dr. Blake dá lugar ao filho de Odin. Mais tarde é revelado que Don Blake foi criado como um artifício de Odin para que seu filho contivesse sua arrogância e prepotência, aprendesse a lidar com a responsabilidade de um grande poder e a respeitar a vida daqueles mais frágeis. Jack Kirby, Larry Lieber ficaram encarregados de desenvolver o visual de Thor enquanto Stan Lee produzia os textos e as primeiras narrativas dos grandes feitos do Deus do Trovão, agora um Super-Herói que ganharia em pouco tempo a companhia de Hulk, Homem de Ferro, Vespa e Homem-Formiga na equipe original dos VINGADORES. 

 






 

A primeira animação com o personagem surgiu em 1966, usando como base a arte das revistas em quadrinhos. Se por um lado a técnica de animação era precária o frisson entre os fãs era catártico pois a TV estava mostrando as aventuras dos mesmos heróis dos quadrinhos com o mesmo tipo de traço e com as mesmíssimas aventuras. Uma fidelidade à obra original pouquíssimo vista nos dias de hoje. Thor aparecia também nas aventuras dos Vingadores no desenho animado do Capitão América (cujas aventuras também possuíam arte de Jack Kirby). 

Nos anos 80 e 90 Thor faz algumas aparições na animação do Homem-Aranha e ganha sua primeira versão live action no telefilme A Volta do Incrível Hulk (1988). Nos anos das décadas de 2000 e 2010 Thor dá as graças nas animações dos Vingadores. E em animações especiais produzidos diretamente para vídeo. Mas o auge do poderoso filho de Asgard ficam por conta dos filmes: Thor (2011), Thor- O Mundo Sombrio (2013) e Thor-Ragnarok (2017) e Os Vingadores (2012) e Vingadores Era de Ultron (2015). 













Os filmes da Marvel são claramente bem produzidos, mas é curioso ver o fenômeno provocado pela fama de um personagem. Produtoras menores resolveram aproveitar o filão do Deus Viking e criar suas próprias versões da lenda — já que o Deus Viking não possui copyright. Apoiando-se nisso foi lançado em 2009 THOR: o Martelo dos Deuses, uma bomba vexatória em termos de roteiro, produção e filme. Uma co-produção Bulgária-EUA reunindo talvez o pior do cinema dos dois países; Em 2011 no filme Almighty THOR: Odin, Balder e Thor fogem de Loki (Richard Grieco renascido das cinzas) que quer destruir Asgard. A única ajuda que Thor encontra para enfrentar Loki é da copeira de Odim , Jarnsaxa. É. É um nome feio mesmo, mas a atriz continua bela, embora esquecida,  Patrícia Velasquez (Anck-Su-Namum do filme A Múmia, de 1999); Na trama de God of Thunder (2015) Thor acorda na terra sem memória e sem poderes e só os recupera a 15min do final do filme.












Com tantas versões de Thor não é difícil imaginar a nova recém-reformulada Igreja de Odin ganhando popularidade (veja matéria nos links) ainda mais com THOR - Ragnarok da Marvel trazendo mais uma aventura do Deus do Trovão.













Cultura e Religião Viking
Islandeses voltam a adorar Odin
14 momentos de Thor na TV
Número de adoradores de Thor  duplica na Islândia
THOR: O  Martelo dos Deuses (2009)
Filme completo no Youtube - Não veja! 
O Poderoso Thor (2011) - crítica
God of Thunder Thor (2015) - o filme completo no youtube (Não veja!!!) 

 http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/05/jack-kirby-100-anos.html