sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MIRACLEMAN. o personagem que nos tornou adultos!



Primeiro veio o Super-Homem (1938), alienígena de poderes gerados pela energia solar que se disfarçava de humano. Depois veio o Capitão Marvel (1941) um garoto órfão que pronunciava uma palavra mágica para acessar poderes vindos de deuses/heróis mitológicos. O sucesso de vendas absurdo em cima do super-homem fez a editora DC Comics entrar na justiça contra a Fawcett Publications (Editora do Capitão Marvel). Não estava em jogo nenhuma  idoneidade criativa, honra ou integridade, o motivo puro e simples do processo foi: "Estamos perdendo dinheiro para esse outro personagem voador, vamos processar seus editores".

A ação ficou na justiça até 1953, quando o gênero dos heróis uniformizados não era mais um bum de vendas. Insistir numa ação judicial não-lucrativa era bobagem, o que move o mundo editorial é o lucro. Assim a Fawcett desistiu da briga que só traria prejuízos e o Cap. Marvel saiu das bancas. Entretanto na Inglaterra o Cap Marvel ainda era sucesso estrondoso de vendas. Sem novas histórias e sem os direitos de produzir novas aventuras, a Editora Lenn Miller encomendou ao artista Mick Anglo um personagem que pudesse substituir o Cap. Marvel e manter as vendas. Assim surgiu o MARVELMAN (em 1954). No Brasil chamado de Jack Marvel. Junto com Young Marvelman e Kid Marvelman estava formada a Família Marvelman — alusão direta à Família Marvel. O sucesso prosseguiu até 1963 quando Marvelman deixou de ser publicado.

Em 1981 ocorre o retorno de Marvelman na revista Warrior (da Editora Quality), arte de Gary Leach e Alan Davis, textos de Allan Moore. Devido ao sucesso crescente dos roteiros de Moore, Marvelman aporta nos Estados Unidos pela editora Eclipse Comics em 1985. Para evitar problemas com a gigante Marvel Comics, Marvelman é rebatizado como Miracleman. Para aqueles que tiveram contato com o personagem ainda nos anos 80 a abordagem — mais madura e a narrativa mais sóbria, algumas vezes até agressiva com imagens e acontecimentos fortes — foi uma prova de que os quadrinhos mainstream estavam amadurecendo. Posteriormente o estilo de Moore e seu Miraclemen influenciariam todo o mercado jogando os heróis uniformizados num contexto mais sombrio, mais pesado, sob certo aspecto, mais realista.

A Eclipse havia reformulado o personagem com uma autorização verbal de Mick Anglo. Após a falência da Eclipse, Todd McFarlane comprou todo o material da editora acreditando levar consigo o Miracleman, erroneamente, pois uma cláusula contratual determinava em caso de falência a ida dos direitos do herói aos artistas Neil Gaiman, Alan Moore e Mark Bukingham. Em 2004 Neil Gaiman obteve os direitos do personagem e em 2009 os vendeu a Marvel Comics

As histórias produzidas por Mick Anglo eram inspiradas diretamente no Capitão Marvel de Charles Clarence Beck inclusive na disposição dos painéis, no ritmo das histórias e no encadeamento das ações. 
A recontextualização do personagem proposta por Moore é copiada por 90% dos escritores de quadrinhos modernos. Todo o drama, amadurecimento pessoal, catástrofes e perdas que Marvel e DC submetem a seus personagens possuem raízes aqui. Moore lançou mão de muitos artifícios criativos que se tornaram moda e acabaram virando lugar comum de tanto copiarem. É difícil ver um roteirista "destruindo" ou "desconstruindo" um herói e não pensar em Alan Moore. 

Miracleman evolui a cada edição e sua visão de mundo idem. Ele sai do herói combatente para o herói de pensamento estratégico global até beirar a desumanização. A narrativa também se complexifica. Definitivamente não é uma trama para todos os públicos.

Em 2014 a Marvel Comics começou a relançar as HQs originais escritas por Moore com a intenção de publicar toda a saga, indo até a publicação de material inédito de Neil Gaiman e Grant  Morrison. Essas novas produções que devem começar a ser vistas em 2016. Já existem planos para lançamento de edições encadernadas após o fim da série, informação divulgada pelo Editor Levi Trindade no Fest Comix 2015.

No Brasil a revista é lançada pela Panini e, nos moldes da revista americana, trás entrevistas, estudos de páginas e de criação de personagens, material de divulgação, capas não usadas, Hqs originais do Marvelman de Mick Anglo e outras atrações curiosas. Em ambas versões, na edição norte-americana e na edição brasileira, devido a desentendimentos com a Malvel, Alan Moore é creditado como "O Autor original", uma alcunha de duplo significado já que originalmente Moore é autor dessas hqs e, embora polêmico, não há como negar que uma de suas características é de fato a originalidade.




MAIS: 


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

De Gian Danton - COMO ESCREVER QUADRINHOS. Resenha: Ricardo Quartim



Quando você começa a ler o livro o difícil é querer parar. “Como escrever quadrinhos” de Gian Danton (pseudônimo de Ivan Carlo Andrade de Oliveira) é uma obra interessante até mesmo para quem não pretende criar e/ou roteirizar uma HQ. Uma leitura bem agradável e informativa.

Ao contrário de outras obras similares, Danton escreve de maneira clara, muito bem explicada e de fácil entendimento até mesmo para o leitor eventual apesar dos termos técnicos abordados. Termos esses inclusive que além da explicação durante o próprio texto, ainda constam em um Glossário no final do livro. O que facilita ainda mais a consulta.

Foi justamente por falta de um manual específico do gênero e devido a certas dificuldades que o próprio Danton passou ao fazer sua transição de romances para quadrinhos que ele resolveu criar esse guia. Por isso logo no início demonstra que escrever para gibis é bem diferente de escrever livros.

“Como escrever quadrinhos” ajuda até mesmo para o mero leitor compreender melhor o que lê, fazendo-o aproveitar ainda mais a leitura conhecendo as técnicas abordadas pelo autor. Bem como entender melhor as entrelinhas e referências de uma trama, nem sempre perceptíveis ao leitor menos atento.

Além de tudo não deixa de ser também um registro de um momento histórico do quadrinho nacional, pois Gian como exemplo cita e comenta várias HQs suas em parceria com Joe Bennett nos desenhos (na época Bené Nascimento) já consideradas obras clássicas do terror nacional dos anos 90 que revolucionaram o gênero.

Desta forma o leitor tem sua curiosidade aguçada fazendo-o querer conhecer melhor tais histórias. O que já poderá ser possível em breve já que Danton e Bennett estão com o projeto “Margem Negra” no Catarse para financiar um álbum com todas as histórias daquela época.

Enfim, “Como escrever quadrinhos” é um manual completo de leitura obrigatória e fundamental que não pode faltar na prateleira de nenhum roteirista que almeja criar um roteiro bem estruturado e coeso.

E também de todo leitor de quadrinhos que pretende ter um pouco mais de compreensão e aprofundamento da nona arte.O livro poderá ser adquirido através contato com o próprio autor aqui pelo Face ou pelo e-mail: profivancarlo@gmail.com

Gian Danton é professor da Unifap (Universidade Federal do Amapá) e roteirista de quadrinhos desde o ano de 1989 sendo um dos colaboradores da revista MAD. Danton foi vencedor de vários prêmios de quadrinhos e literatura dentre eles o HQ Mix, o Araxá, PADA e o troféu Ângelo Agostini.




Ricardo Quartim
Jornalista especializado em quadrinhos e cultura pop.
Membro da equipe da Revista Mundo dos Super-Heróis,
editor do blog Chamando Superamigos,
responsável pelo DROPS Ricardo Quartim no Youtube,
colecionador e aspirante a escritor com uma obra não publicada:
Os Senhores de Ur: O início - autor Ricardo Quartim.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

HCuma? HWhat? HQuê?


Produzir arte em lugar nenhum do mundo é tarefa fácil: requer uma paciência especial, dedicação, tempo. Com a velocidade da informação cada vez mais rápida, com a pressa e a urgência do mundo digital, com as pessoas cada vez mais nervosas e o mundo cada dia mais violento, deter-se a produzir arte é um ato heróico. E é deste ato heróico de um grupo de artistas de Araraquara que nasceu a revista HQuê?

Os três primeiros números da revista possuem características muito próprias do underground: a liberdade temática, a variedade de traços, estilos, a multiplicidade de temas, o experimentalismo. Alguns temas inclusive muito pertinentes como a crítica política e social.



Enquanto alguns autores da revista mostram textos e artes mais maduros é possível ver o potencial crescente de colaboradores mais jovens e inexperientes, todos porém partilhando o desejo de fazer quadrinhos. E eles estão no caminho correto pois a melhor maneira de aprender a fazer algo é fazendo.  A cada edição a equipe de produção tem demonstrado evolução de texto e traço. Alguns detalhes editoriais como expediente, endereço para contato e minibiografia dos artistas viriam bem a calhar nas próximas edições. 

A Revista que surgiu de uma Oficina de HQ autoral ministrada pelo Quadrinista Luciano Salles chega à terceira edição, com qualidade crescente, mostrando que essa turma tem muito fôlego para desbravar esse grande oceano dos quadrinhos seja com maré alta ou baixa, estando ou não para peixe.


HQuê? Volume 1: Abimael Martins, Carlos Marques, Celso Ludgero, Eder dos Santos, Jackie Franco, Julia Moraes Truchlaeff, Kadi, Marcelo Caraciolo Tucci, Maurício Salazar, Piu Franco, Ricardo Lucchiari, Rodrigo Romão, Rubens Baquião, Thiago Alencar, Vinil, Vitor Deivid, Zamo. Editorial por: Daniel Lopes (Editor de Quadrinhos e apresentador do programa Pipoca e Nanquim)

HQuê? Volume 2: Abimael Martins, Amanda Onishi , Caio Delfini, Carlos Marques, Celso Lugero, Eder dos Santos, Gustavo Cerni, Marcelo Tucci, Rubens Baquião, Raquel Franco, Kadi, Thaís de Campos, Vitor Deivid, Zarmo. Posfácio: Luciano Salles (Quadrinhista).

HQuê? Volume 3: Abimael Martins, Amanda Onishi , Carlos Marques, Celso Lugero, Eder dos Santos, GAbe, GAlu, Marcelo Caraciolo Tucci, Ricardo Lucchiari, Rubens Baquião, Sergio Bazanella, Zamo. Editorial por: Gustavo Vicola (Revista Mundo dos Super-Heróis); Posfácio: Edgar Franco (Artista Transmídia, Pós-Doutor em Arte e Tecnociência pela UNB).

Grupo HQuê - Contato:
artedoeder@gmail.com
Eder dos Santos
AV. Antônio Bento Chiossi, 560 - Jardim Cambuy
CEP 14805-425 - Araraquara/SP





quarta-feira, 8 de julho de 2015

Classificar Para Otimizar!


No Brasil se vende cigarro e bebida para crianças: isto é um fato!...E a maioria dos adultos consegue entender como isso é equivocado. Do mesmo modo como cigarro e bebida são vendidos indiscriminadamente, há muitas produções na web sem classificação. E elas vão de quadrinhos a videocasts. Embora seja fácil crer que os produtores sabem a qual público se destina sua produção, não custa dar uma forcinha pra quem está começando a produzir conteúdo e ainda não atinou que: Entender a classificação pode ajudar na produção. Você não precisa classificar seu produto, mas pode entender mais claramente a quem ele se destina.

Ao elaborar uma narrativa seja em quadrinhos, seja um livro, seja um game ou outro meio qualquer, o autor é livre para explorar todos e quaisquer temas, gêneros e assuntos. Entretanto é necessário a percepção de qual público se destina sua obra. Isso também é válido para produtores de conteúdo para web como videocasts, podcasts, etc. É fato de conhecimento público que a cognição e o aprendizado infantil diferem substancialmente dos adolescentes e adultos, daí a compreensão de que certos temas e abordagens possuem intrinsecamente públicos específicos.

Um sistema classificatório foi desenvolvido pelo Ministério da Justiça com intuito de direcionar melhor a obra ao público a que se destina. Esta classificação é indicada para televisão, mercado de cinema e vídeo, jogos eletrônicos e jogos de interpretação – RPG, entretanto pode ser de utilidade para outras áreas e mídias não listadas.

Aos que interpretem esse sistema como censura, é bom lembrar que trata-se de uma classificação de conteúdos visando adequação de público, ou seja não é um impedimento de veiculação, mas um indicador de direcionamento desta veiculação.

O Guia prático da classificação indicativa (disponível no site do Ministério da Justiça) pode ser usado pelos próprios autores para uma auto classificação de sua obra em projetos culturais, editais, etc. Obviamente deveria ser também utilizado por avaliadores de projetos culturais e editais para classificar os trabalhos que avaliam. Ele ajuda a perceber que elementos estão contidos nos trabalhos e a que faixas etárias melhor se destinam.


A título de exemplo, uma classificação Livre permite a chamada Violência fantasiosa, como nos desenhos animados em que os personagens se deformam, são amassados por bigornas ou martelos gigantes e logo em seguida retornam ao estado normal; A presença de armas sem violência, sangue, fraturas expostas é permitida; Mortes sem violência ou lesões. Por exemplo: um corpo inerte é encontrado por um detetive numa cena após o crime. Para maiores detalhes o Guia pode ser baixado gratuitamente no site do Ministério da Justiça. (Link abaixo da matéria).

Enquanto as mídias relacionadas a cultura, educação e entretenimento se tornam áreas mais rentáveis e abrem espaço para novas atividades, o profissionalismo dos produtores faz-se cada vez mais necessário exigindo-lhes mais conhecimento sobre o mercado que os cerca e sobre a elaboração e veiculação de suas produções, sejam animações, games, rpgs ou quadrinhos.


Mais:
Guia de Classificação 
Guia de Classificação para Artes Visuais
Ministério da Justiça Página Consulta, Procedimentos e Regulamentação


http://laboratorioespacial.blogspot.com/p/blog-page.html

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Damas a Todo Vapor!

Esta caprichada publicação da Editora Draco com texto de Zé Wellington, arte de Di Amorim e Wilton Santos é um porto iluminado no mar de escuridão e depressão que são os quadrinhos de hoje, todos com seus personagens maníaco-depressivos trajando preto num universo igualmente soturno. O Velho Oeste aparece muito bem retratado nas cores quentes e claras produzidas magistralmente por Ellis Carlos.  A presença do sol é vívida e as cenas de deserto chegam quase a provocar calor.  O uso de tons de sépia nos flashbacks mantém o clima de western e casa perfeitamente com a construção da linguagem da obra.

A narrativa visual é moderna e alinhada com as tendências do mercado norte-americano de quadrinhos. Boas imagens de impacto com figuras exuberantes e ação crescente marcam o ritmo.

A tecnologia vapor-punk  tem presença massiva na edição mostrando um cenário onde todos estão presenciando o desabrochar das maravilhas tecnológicas. As 76 páginas, emolduradas por uma capa cartonada com aplicação de verniz, apresentam Sue e Rabiosa numa jornada de vingança num western luminoso, moderno e convidativo. No final há pistas claras de que este não será nosso único contato com estas belas e fortes damas da pólvora.

Serviço:
Steampunk Ladies - Vingança a vapor
Editor: Raphael Fernandes
Roteiro: Zé Wellington
Arte: Di Amorim e Wilton Santos
Cores: Ellis Calos
Letras e Grafismos: Deyvison Manes
76 páginas, cor, capa cartonada, verniz localizado
Lançamento Editora Draco
Compre online AQUI

http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/p/quadrinhos.html

domingo, 24 de maio de 2015

GRALHA - O Herói de um Mundo Pós-Moderno!

Pós-modernidade: a época das incertezas. O estado atual da arte onde tendências, estilos e gêneros mesclam-se à mídia, efemeridade, complexidade e significados infinitos que podem não levar a lugar algum. A perda de referenciais, a resignificação destes referenciais ou a negação da existência do referencial. Pós-moderno é o mundo exatamente do modo como não o conseguimos explicar.

Criado de uma experiência de brainstorm saído da mente de nove diferentes autores (escritores e artistas—ver box), o Gralha nasceu como materialização de elementos da cultura curitibana. A ave símbolo da cidade dá-lhe nome e suas aventuras se passam num futuro não muito distante. Prédios cada vez mais altos onde os espaços reduzidos impulsionam a vida vegetal para o topo destes arranha-céus.

Gustavo Gomes, devidamente aliterado, descobre um uniforme e duas orbes (as gemas do poder) que lhe conferem poderes sobre-humanos. O personagem teria sido criado em homenagem a um personagem obscuro dos anos 40 chamado Capitão Gralha, um factóide criado para dar um molho especial ao seu background.

A revista especial Metal Pesado de 1997 homenageava os 15 anos da Gibiteca de Curitiba estampando o Gralha em sua capa e trazendo uma matéria sobre Francisco Iwerten, suposto criador do Capitão Gralha. Anos depois com o boca-a-boca elevando o fictício autor à categoria de Mestre do Quadrinho Nacional, os autores vieram a publico explicar que Iwerten e o Capitão Gralha eram de fato um artifício criativo que acabou se tornando lenda urbana.


Hoje virou moda reunir vários artistas para desenvolver diferentes concepções visuais (ou versões) à partir de um personagem para homenageá-lo. Entretanto o Gralha já nasceu deste modo, pioneiro, materializado em diferentes traços com múltiplas interpretações de seu histórico e ambiente. Suas tiras foram publicadas por dois anos no jornal A Gazeta do Povo e compiladas no belo álbum O GRALHA em 2001. Enquanto a fama do personagem se espalhava e ele ganhava versões em filmes curta-metragens dirigidos por Tako X, um de seus criadores, a possibilidade de um retorno aos quadrinhos tomava forma.

O lançamento do álbum O GRALHA: Tão banal quanto original ocorreu durante a Gibicon de 2014 junto com exposições, palestras e o lançamento de uma estátua de luxo do personagem em padrões de qualidade dignos das principais empresas de colecionáveis do mundo. Lançada em edição limitada a estatueta do Gralha vem numa embalagem especial com material exclusivo incluindo uma HQ inédita do personagem.

O livro Tão banal quanto original chega pela Editora Quadrinhópole, retomando o personagem com características multifacetadas, vários artistas, vários traços, adicionados desta vez a uma trama que costura sub-repticiamente todas as HQs. A sensação é de se estar vendo uma temporada completa de uma série de TV dessas modernas com revira-voltas e revelações. Não há necessidade de informações prévias sobre o personagem para apreciar o exemplar que tem ares de auto-contido, mas encerra com um sabor de “quero mais”.



E esse quero mais pode vir dos outros projetos relacionados ao personagem, como o álbum do Capitão Gralha (Editora Quadrinhópole) ou o Artbook do Gralha, um livro ricamente ilustrado contando em imagens e textos a evolução do personagens desde seu surgimento e hqs nunca antes publicadas. Por ser um material de alto nível sua produção está sendo levada a cabo num projeto financiado via crowdfunding. Abaixo você pode ver o vídeo e saber como se tornar um apoiador do projeto.




O Gralha, mantendo suas raízes culturais e sua ligação íntima com Curitiba, é um desses maravilhosos personagens que consegue ser regional e ao mesmo tempo universal. Um dos mais importantes heróis dos quadrinhos brasileiros, leitura obrigatória para apreciadores dos heróis uniformizados e uma leitura divertida para neófilos.
Para apoiar O GRALHA-ARTBOOK no catarse clique aqui.

MAIS:
O Gralha.com.br
O Gralha (Facebook)
Gralha O Herói (facebook)
O Gralha (Grupo do Facebook)
O Gralha - ARTBOOK no CATARSE 

 

O Laboratório Espacial agradece a Alessandro Dutra, Antonio Eder, Augusto Freitas, Edson Kohatsu, Gian Danton, José Aguiar, Luciano Lagares, Nilson Muller e Tako X sem os quais essa matéria seria impossível.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

KYRBIANS: A Pulsação do Rei ecoando pela Eternidade


Pode levar um tempo para um neófilo se acostumar com o traço estilizado e pungente de Jacob Kurtzberg – ou melhor, Jack Kirby. Pode ser inclusive que o leitor nunca venha a entender ou apreciar seu estilo. Mas, pode ser que, ao reservar-se o direito de uma mais cautelosa observação descubra o ritmo alucinante de suas cenas de ação, o movimento vívido e imersivo nas cenas cotidianas, o impacto de suas as transições e diagramações, a abrangência cósmica de suas páginas duplas e a grandiosidade dos universos criados por ele. E tudo isso com um lápis, um pincel e umas páginas de quadrinhos. Kirby não apenas escreveu e desenhou histórias: revolucionou o meio, criou tendências, gêneros e estabeleceu padrões seguidos até hoje.


Daniel Hdr é um artista de Porto Alegre que produz quadrinhos para o mercado norte-americano, mas possui um vasto currículo que vai desde aulas em Universidades a trabalhos para agencias de publicidade, apresentação de podcasts, videocasts e além. Não é um artista que se possa denominar com um só adjetivo ou determinar por meio de uma atividade apenas. Hdr é um agitador dentro do meio dos quadrinhos – talvez partilhe com Kirby o mesmo tipo de energia cinética irrefreável própria dos criativos  e partiu dele e do Estúdio Dínamo a iniciativa de tão merecida homenagem.


Kirbyans é o nome da galeria online no Tumblr que reúne artistas brasileiros (selecionados por Hdr) desenhando personagens criados ou co-criados por Jack Kirby. Cada autor reconhece ter sido influenciado em algum ponto pelo trabalho deste Mestre e aqui tem uma pequena oportunidade de prestar seus devidos respeitos e homenageá-lo. Para muito além do tributo, a galeria traz personagens famosos e personagens esquecidos, criações diversas que retornam as rodas de conversa e reavivam na memória o fato de que, assim como o Rock, os Quadrinhos também possuem seu REI! 

Clique aqui para visitar a galeria KIRBYANS