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segunda-feira, 11 de março de 2019

Action Comics Especial





















Em 2018 o Homem de Aço completou 80 anos de sua primeira publicação. Para comemorar, a DC lançou uma edição especial da Action comics, a revista na qual o personagem estreou (lançada agora aqui pela Panini). Além da data, mais um ponto interessante: é a revista de número mil, provavelmente o único gibi a alcançar essa marca. (Nota do Laboratório: Levando em conta que a revista Detective Comics está se aproximando desta marca, certamente trata-se de um dos poucos a alcançar esta numeração. Vale lembrar também que um dos membros desse clube seleto é sem dúvida o Pato Donald cuja revista no Brasil passou da numeração 2400).

Action comics Especial é um mix de histórias curtas realizadas por diversos roteiristas e desenhistas conhecidos. É uma equipe única, mas de resultado variável. Há HQs muito boas, algumas boas, algumas poucas medianas e uma realmente ruim.
A fina flor dessa edição é “Terra da ação”, com roteiro de Paul Dini (os mesmos dos desenhos animados da DC da década de 90), lápis de José Luís Garcia-López e arte- final de Kevin Nowlan. A história reconta a trajetória do personagem, brincando com sua mitologia. E o desenho é simplesmente lindo, digno de ser apreciado com lupa. São apenas cinco páginas, mas suficientes para valer a edição. 




















Há histórias que não têm tramas, são apenas reflexões sobre ou do personagem. Um bom exemplo é “Carro”, de Geoff Jons e Richard Donner com desenhos de Oliver Coipel, que homenageia a primeira história do personagem e o mostra como justiceiro social que ele era nas primeiras HQs. Já “Do amanhã”, de Ton King e arte de Clay Mann segue o mesmo caminho com resultados bem medianos.
A pior história do volume é “A verdade”, de Brian Michael Bendis e arte de Jim Lee. Bendis apresenta do nada um personagem super-poderoso, capaz de matar o homem de aço (como se já não tivéssemos visto isso na morte do Super-homem) 
(Nota do Laboratório: O vilão chamado Rogol-Zaar rendeu piadas entre os fãs brasileiros devido a cacofonia em seu nome). Em meio à briga dos dois e tentativas mal-sucedidas da Super-moça de interferir no conflito, diálogos “descolados” e deslocados de duas moças sobre a cueca do Super-homem. É uma história que destoa de todo o resto do volume. Aí, na última parte descobrimos que essa história é apenas um trecho de uma HQ da nova fase do personagem.


























Para promover essa nova fase, a DC resolveu colocar uma arte de Jim Lee como capa. No final, uma galeria de capas alternativas mostra pelo menos umas dez capas muito superiores, como destaque para as de Steve Rude, Gabrielle Dell´Otto, Stanley Artegerm Lau e até o brasileiro Felipe Massafera.
(Nota do Laboratório: O próprio Jim Lee apresentou uma arte mais arrojada tanto na edição capa dura quanto em uma das capas variantes. Aliás é importante registrar que "capas variantes" constituem acima de qualquer coisa um artifício de vendas. Foram cerca de 50 capas alternativas e antes do lançamento os varejistas norte-americanos poderiam encomendar capa com um artista específico constando aí 3000 exemplares exclusivos desta capa para a loja).
















IDEIAS DE JECA TATU (blog de Gian Danton)

http://roteiroquadrinhos.blogspot.com/











VEJA TAMBÉM:
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/04/porque-o-superman-e-tao-legal-por.htmlhttp://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/03/porque-o-batman-e-tao-legal-por-dennis.html 
http://laboratorioespacial.blogspot.com/2016/04/porque-mulher-maravilha-e-tao-legal-por.html

 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Analisando a Capa de Supeman VS The Amazing Spider-Man




O desenho apresenta o óbvio: Super-Homem e Homem-Aranha na iminência de um conflito épico. Nem tão evidentes, entretanto, são as motivações do conflito. Ao fundo, o autor do leiaute faz a opção por representar a extensão do campo de batalha no qual se desenrolará o embate. Portanto, os elementos que compõem este belo trabalho são os dois heróis supracitados e uma densa metrópole. Posto isso, vejamos como são arranjados, magistralmente, esses componentes.

O título dispensa detalhamento por não integrar o desenho original, porém convém observar que ele figura em um fundo branco, o que dá uma ideia de amplitude, na medida em que transforma tudo o que consta abaixo em uma só massa composicional.




Os contendores (Super e Spidey) preenchem uma porção generosa da imagem. Talvez mais de um terço da porção horizontal. Centralizados de esquerda à direita, as silhuetas dos personagens geram uma sinuosidade, um movimento fluido nessa área. Nisso se destacam os contornos curvos combinados com as poses dos personagens.

Abaixo, no último terço horizontal da página, figuram vários blocos de prédio em perspectiva aérea. Dois desses blocos com perspectiva ou pontos de fuga distintos, o que, ao tempo que torna mais verossímil a representação da urbe, gera também uma dinamização na imagem. O mesmo argumento se aplica ao contorno superior da cidade (a orla) que, sendo curva e acidentada (como uma orla de fato o é), rompe com o padrão de linhas retas comuns aos prédios e enriquece a capa com mais um pedrão de movimento.

Unindo o centro e a parte de baixo da capa, há uma antena, em franca diagonal, acentuando a profundidade como também a sensação de queda. Metaforicamente, em termos de argumento/discurso, poderíamos teorizar se não seria essa antena uma forma de ligar o conflito sobre-humano aos interesses dos espectadores terrenos que a tudo assistiam ali debaixo.




Especulação à parte, a capa em questão assoma dentre outras não só por apresentar o primeiro encontro de dois dos personagens fictícios mais famosos do mundo, como também pela harmonização de grandes conceitos da composição, perspectiva e proporção.

Faz-se por bem prestar una menção honrosa para as cores onde as primárias nos uniformes são o primeiro plano e as cores secundárias como violeta e laranja ocupam o cenário de fundo, entre ambas o cinza, que segundo alguns autores é um valor neutro e não uma cor. E esta neutralidade aparece justamente entre os dois planos. Talvez estes comentários possam parecer simplistas dada a quantidade de elementos que poderiam ser analisados. Sim, pois muito ainda pode ser dito sobre a riqueza de detalhes que se encontra neste trabalho. Detalhes que, numa primeira e breve leitura, escapariam até mesmo à visão de raio x do mais capaz dos jornalistas.




Nota do Editor: Este crossover está entre um dos mais memoráveis encontros ou batalhas de Super-Heróis de todos os tempos. Os dois personagens mais populares das masters DC Comics e Marvel Comics. O design inicial da capa foi feito pelo então Editor Carmine Infantino, depois de várias idas e vindas e avaliações por parte de ambas editoras (Marvel e DC) o resultado final teve arte de Ross Andru e Neal Adams com arte final de Dick Giordano (nos personagens) e Terry Austin (Cenários).

MAIS:
Sups x Spidey Carmine Infantino at his Best
Sups x Spidey cover
Super Hero Covers 
Arte de Diêgo Silveira

https://herocover.blogspot.com.br/


sábado, 25 de novembro de 2017

LIGA DA JUSTIÇA: CONSIDERAÇÕES


Antes de mais nada quero deixar claro que isso não é uma crítica, mas sim minhas considerações pessoais. Meu objetivo não é ficar analisando minuciosamente cada qualidade técnica do filme desde o roteiro até os efeitos especiais, mas sim dar minha opinião como fã da Liga da Justiça. Aqui minha análise tem por objetivo dizer se foi ou não uma boa adaptação, se como uma história da Liga em si funciona e é um filme que empolga segundo minhas impressões pessoais, que pode ser diferente da sua, mas nem por isso mais ou menos importante.

Dito isso posso dizer que sob meu ponto de vista é um FILMAÇO! 

SOBRE O ROTEIRO
Porém se formos considerar a história comparando-a com a de outros filmes que tem um roteiro mais bem engendrado, complexo e adulto, logicamente poderá haver uma análise equivocada já que a trama de Liga da Justiça é enxuta, simples e direta.
O filme não possui dramas profundos, questões relevantes, filosofias intrincadas etc. Não tem a complexidade e a densidade de Capitão América – O Soldado Invernal, que além de ter uma temática mais madura ainda possui um roteiro que faz raciocinar cheio de reviravoltas surpreendentes e questões que nos fazem pensar.  Também não quis ser um “filme cabeça” com pretendia ser Batman vs Superman, com atmosfera sombria, realista e até mesmo depressiva.
O erro da maioria das críticas, me perdoem a audácia em dizer isso mas você também pode discordar, é querer comparar um estilo com outro diferente. “Ah mas são todos filmes de super-heróis, estão comparando o mesmo gênero! ”. Sim, contudo dentro do gênero super-herói temos diversos subgêneros, cada qual com um objetivo e uma forma diferente de se desenvolver.
Se levarmos em conta Batman O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, teremos uma pequena obra prima com um fundo mais de espionagem e policial do que de super-herói. Um roteiro que se aproxima mais de um filme de arte do que de uma aventura heroica. Comparar esse filme com o filme da Liga por exemplo, já colocaria o segundo em evidente desvantagem. Seria o mesmo que compararmos um roteiro mais linear e simples como um álbum de Asterix com uma história de Sandman, que tem temática adulta, uma trama não linear, complexa e cheia de referências. A de Asterix seria considerada simplória e infantil em relação a Sandman. O que não é verdade pois todos sabemos da genialidade por trás das histórias do pequeno gaulês escritas por René Goscinny.

Sendo assim a análise tem de ser feita de acordo com o que se pretendia. E o que se pretendia? Um roteiro com uma história básica de super-heróis com aventura e diversão sem grandes encucações e enrolações e uma mensagem otimista. Uma trama leve que divirta e inspire sem que precisemos ficar raciocinando para montar um quebra cabeça complicado. Cenas de ação espetaculares e personagens apresentados da forma como conhecemos sendo fieis as suas contrapartes dos quadrinhos tanto na sua essência quanto na aparência. E apesar de ser um filme que pretende apenas divertir, são nítidos os valores nobres que se passa sobre determinação, força de vontade, companheirismo, justiça, altruísmo e principalmente heroísmo. E é inegável o tom épico e sensação de grandiosidade ao assisti-lo.
E isso o filme conseguiu.
Desta forma em se tratando em um filme do Universo DC e também como um filme da Liga da Justiça, é memorável sim. Pois é a primeira vez em que se faz um filme com uma equipe de heróis reunidos da DC Comics, ainda mais a equipe principal da editora. Só isso já o faz memorável. Ou alguém acha que seria esquecível um filme com a primeira vez em que se reúnem Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman e Cyborg  nas telas?  

 AQUAMAN




O filme é cheio de cenas empolgantes que nos remetem aos quadrinhos e cada personagem está perfeito em sua adaptação. Até mesmo Aquaman que é o único que mais difere de sua contraparte nas HQs ficou bem. E honestamente, gostei muito desta nova interpretação que o aproxima mais de uma criatura marinha com um um visual que lembra o próprio Netuno, o Deus dos Mares. O cabelo comprido e a barba não ficam muito longe do Aquaman dos quadrinhos que já teve essa aparência em uma fase de suas histórias nas revistas durante um período e foi aproveitada até mesmo em algumas animações como Batman the Brave and the Bold.





FLASH 





Outro personagem que aparentemente está diferente é o Flash, pois Barry Allen nunca foi cômico daquele jeito. No entanto, na ausência de Barry quando Wally West assume o lugar do Flash, o personagem era apresentado desta forma. Forma esta que ficou conhecida e amada pelos fãs através das animações da Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites. E como vinha sendo anunciado, Ezra Miller realmente surpreende e encanta com seu Flash apesar de no início até mesmo eu ter ficado com um pé atrás por  sua escolha. Ainda mais por estar acostumado com o Flash da série de TV da Warner, eu tinha impressão que este novo era um intruso. Mas ao assistir ao filme essa impressão passou.




BATMAN


Já o Batman, apesar de fazer pequenas piadas durante o filme, não é nada que o torne um personagem engraçado. Se quando assisti Batman vs Superman já havia enxergado o personagem da forma como sempre imaginei, aqui ele está ainda mais Batman do que nunca. Alguns fãs do morcego podem discordar, mas esses pequenos momentos de alívio cômico não interferem a meu ver na personalidade do herói. Pela primeira vez consigo enxergar o Batman dos gibis que sempre quis ver nas telas, tanto visualmente quanto na personalidade e maneira de agir, bem como os perigos que enfrenta. Aqui ele está mais heroico. Ao contrário de Batman vs Superman em que se limitava a atirar e escapar do Apocalypse, neste ele enfrenta os parademônios e até mesmo o Lobo da Estepe no mano a mano. O Batman líder, investigativo, cheio de artifícios e sempre com um Ás na manga. Até mesmo em Christian Bale que foi um excelente Batman e é um ator excepcional, eu não enxergava o Cavaleiro das Trevas do gibi ali. Não por culpa dele, mas pelo próprio roteiro em si que queria algo mais realista e diferente das HQs. 

Essa é uma ilustração de Neal Adams ou Jim Lee? Não, péra...


MULHER-MARAVILHA

E a Mulher-Maravilha? Ah... a Mulher-Maravilha... (suspiro)!
Não tem como não se apaixonar por ela! Se Gal Gadot já havia me surpreendido em Batman vs Superman e me encantado em seu filme solo tornando-se um dos meus preferidos de Super-Heróis, neste ela está simplesmente fascinante! Incrivelmente linda e sexy sem perder sua força e seu empoderamento.  Com um sorriso no rosto o tempo todo, mostra uma heroína veterana e confiante que evoluiu da princesa inocente do filme anterior. Assim como Ben Affleck se tornou o Batman definitivo para mim, Gal Gadot é a personificação da Amazona em carne e osso. Apesar de eu ser fã de Lynda Carter e reconhecer que sua Mulher-Maravilha é imortal, me sinto mais atraído pela personagem de Gadot e a vejo como seria a heroína se ele existisse de verdade no mundo real. Posso afirmar que é um gosto pessoal, mas se tivesse de classificar ambas, as colocaria em um mesmo nível cada qual em sua época e com sua interpretação. Sou apenas eu quem gostou mais de Gadot e não que ela seja melhor.  Ademais ela protagoniza cenas de ação incríveis! 

SUPERMAN


Finalmente o Superman!
Um fato similar ao da Mulher-Maravilha ocorre com o Superman de Henry Cavill, que ao meu ver é tão bom quanto o de Christopher Reeve!  Mas nesse caso gosto dos dois iguais, cada um deles no seu estilo e de acordo com o Homem de Aço de sua época. Desde o início gostei de Cavill, mesmo com a interpretação de um Superman amargurado, inseguro e que despertava medo e insegurança no povo. No entanto, ele tinha algo que me fazia enxergar o Superman, acreditar que ele era o Kryptoniano. Só faltava mudar essa interpretação dando-lhe mais confiança, luz, cores. Apenas isso para se tornar “O Superman”. E nesse filme finalmente aconteceu. Sem dar spoilers, apenas comentando o que já é esperado por todos, afinal desde o início da construção do personagem Snyder já dizia que ele retornaria na Liga igual ao que herói que todos conhecemos.
Da personalidade ao uniforme e tudo o que inspira e representa o personagem, Cavill retornou da forma mais clássica possível, fazendo-nos crer não apenas que o homem pode voar, mas que ainda pode existir um Superman em carne e osso. As cores do uniforme são iguais ao das HQs! O Azul não é quase preto, o vermelho não é marrom e o amarelo não é branco. As cores são vivas até mesmo em cenas escuras. Em uma delas mais clara,  você fica maravilhado com as cores! E quando surge pela primeira vez vestido com seu manto, é a figura heroica, confiante, sorridente que até mesmo chega a lembrar Reeve em alguns pontos. Um filme solo do herói seria muito bem-vindo agora.

CYBORG


Quanto ao Cyborg, por ser um herói menos conhecido do público, mais pelas animações dos Jovens Titãs que é uma versão cômica do personagem, o objetivo inicial do filme seria fazer dele o ponto central da trama. Porém muito de suas cenas foram cortadas para a redução do tempo do filme. Mesmo assim seu drama pessoal foi abordado de maneira mais densa e ele está sendo considerado uma das surpresas do filme. Já com relação ao CGI de sua armadura foi muito criticado pela artificialidade. Alguns consideraram um CGI mal aplicado e alegam que tem-se impressão de que o traje não se encaixa nele além de ser feio. Algo que não notei. Pelos comentários imaginava algo muito tosco e mal-acabado, mas realmente não me incomodou.  E o ator, assim como todo o restante tem muito carisma e encarna bem seu personagem.

A INTERAÇÃO ENTRE OS HERÓIS


A interação entre os membros da Liga foi algo que também me agradou e me fez ver a verdadeira Liga da Justiça dos quadrinhos e animações.  O filme é praticamente um episódio da série animada Liga da Justiça Sem Limites em live action (com atores em carne e osso). A maioria dos fãs que assistiu ao filme afirmou isso e nenhum ficou decepcionado com a equipe. Principalmente aqueles que conhecem melhor os heróis. Portanto se você quer ver a Liga da Justiça de verdade, pode ir assistir tranquilo que não irá se arrepender.

DOS ERROS E ACERTOS


Um dos maiores acertos no filme foi conseguir o meio termo entre os filmes anteriores da DC que eram muito sombrios e os filmes da Marvel coloridões e cheio de piadinhas.
Sai o clima depressivo e amargurado de Batman vs Superman para dar lugar a esperança e cores. E para aqueles que temem excesso de piadas podem ficar tranquilos, elas são feitas de maneira equilibrada em uma quantidade relativamente menor do que nos da Marvel. E apesar do filme estar mais colorido e vivo, ainda tem uma textura mais escura em alguns momentos, mas sem ser excessivamente sombria. Ou seja, pelo menos para mim o filme conseguiu ser leve, colorido e apesar das piadas conseguiu manter sua seriedade sem ser depressivo.

Já sobre o visual do filme, é fantástico! A fotografia linda em algumas cenas apesar do CGI artificial em outras! Mesmo que Snyder dirija cenas de ação como ninguém, ele tem obsessão por filmar quase tudo com fundo verde. Até as coisas mais simples e desnecessárias. Muitas vezes esse recurso é necessário e desejável, como as cenas que mostram Gotham que são espetaculares, afinal não existe uma cidade real como aquela. Mas tem horas em que não haveria necessidade. Não que fique cansativo, pois você nem percebe o tempo passar durante o filme, porém em alguns momentos percebe-se um artificialismo e perde-se a oportunidade de filmar em uma locação de verdade. Essa é a diferença do filme da Mulher-Maravilha, pois a diretora Patty Jenkins já declarou preferir fazer tudo o que for possível em locações reais, o que deu uma plasticidade maior em sua obra. 
Algumas cenas também são memoráveis, como a Mulher-Maravilha defendendo as crianças de uma metralhadora com seus braceletes que é quadrinhos puro! (parte da cena vista no trailer) 
A primeira cena pós crédito é empolgante para qualquer fã! (quem assistiu já sabe, mas se você ainda não viu e não liga para spoilers vá até o final da matéria).  A primeira aparição de Superman com o uniforme também emociona! Tudo isso e algumas outras também, me causaram a sensação de estar folheando um gibi, como se os personagens de repente criassem vida e saltassem das páginas da revista protagonizando todas aquelas situações bem ali, na minha frente! Ponto para a Warner.
O filme também é recheado de fan service, as referências são bem feitas e não simplesmente jogadas ali. Uma delas talvez a mais explícita, é a tensão sexual entre Bruce e Diana. Apesar de recentemente ter pedido a Mulher-Gato em casamento nas HQs, tanto na animação da Liga quanto nos quadrinhos Batman chega a ter um relacionamento com a Mulher-Maravilha. Falando em Bruce, neste filme ele está mais humano assim como todos os outros heróis. 
A perseguição inicial de Batman ao parademônio de Darkside pelos prédios de Gotham City, uma referência explicita a primeira cena da HQ que reconta a origem da Liga nos Novos 52. Essa cena inclusive foi escrita por Joss Wedom após sua entrada como diretor.
Veja abaixo a comparação entre a cena da HQ com arte de Jim Lee e o filme.

O ponto mais fraco foi o mesmo do filme da Mulher-Maravilha: o vilão. Assim como o Deus da Guerra Ares não estava bem desenvolvido no filme da Amazona, aqui o Lobo da Estepe padece do mesmo defeito. O que já era esperado. Não pelo fato de não ser um vilão de peso do Universo DC, mas pela forma como foi criado inteiramente em CGI que novamente foi utilizado sem muito esmero. Não havia um ator o qual inseriam o recurso por cima, era unicamente computação gráfica e não tão bem feita. Não que fosse das piores, mas por ser um filme com o orçamento milionário como esse, deveriam ter caprichado mais. Mas isso não prejudica o prazer de assistir ao filme. Nem mesmo a forma rápida como vencem o Lobo da Estepe. Fiquei com a sensação que ele ainda iria retornar pois parecia ter sido muito simples a forma como foi vencido, nos privando de um clímax mais impactante. 

MAS PORQUE A BILHETERIA NÃO FOI A ESPERADA?
Em vista disto tudo, Liga da Justiça é um filme que merece ser visto. Esse é  o filme da Liga que sempre quisemos assistir e que merecemos! 
No Brasil, Liga da Justiça bateu recordes impressionantes como o maior dia de abertura de cinema de todos os tempos, ultrapassando a Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2; O maior dia de abertura de um filme de super-heróis de todos os tempos, batendo Capitão América: Guerra Civil; maior dia de abertura histórica da Warner Bros. Pictures.; maior dia de abertura geral de 2017, na frente de Velozes e Furiosos 8 e maior dia de abertura de um filme de super-heróis em 2017, ganhando de Homem Aranha: De Volta ao Lar. Aliás o filme é o maior dia de abertura da Warner Bros. no ano, na frente de It – A Coisa! (dados fornecidos pelo http://cinepop.com.br)
 E apesar do filme ter sido muito bom, agradando a maioria dos fãs que assistiram, a bilheteria não foi a esperada na estreia dos Estados Unidos, arrecadando US$ 93 milhões, um valor abaixo do esperado e a menor arrecadação dos filmes da DC, com uma previsão ainda de dar prejuízo aos estúdios. O que pode ter atrapalhado na bilheteria de abertura, é o histórico dos filmes da DC que já vem sido muito criticados, excetuando-se Mulher-Maravilha. O que parece haver com parte dos fãs é a não aceitação como Snyder vinha conduzindo o Universo DC nos cinemas.  Outro fator pode ser o cronograma do estúdio que é confuso com projetos surgindo e desaparecendo a todo o momento. Agora mesmo com a entrada de Joss Whedon para dirigir as refilmagens após a saída de Snyder devido a tragédia pessoal, já ficou a prevenção do público e com isso muitas pessoas já não compraram ingresso, reduzindo assim a bilheteria de abertura. E o fato da bilheteria de abertura não ter sido a esperada, já faz mais potenciais espectadores não irem ver o filme sem conhecer já deduzindo que é ruim, tornando-se um ciclo vicioso. Uma pena.

E para você que ainda não assistiu se tranquilizar, veja a seguir algumas opiniões de colegas meus da revista Mundo dos Super-Heróis que também gostaram do filme. Profissionais especializados e também nerds, ou seja, gente que entende do que fala tecnicamente e como fã!

Após os depoimentos vem dois spoilers das cenas pós crédito.










E agora para finalizar, se você ainda não assistiu o filme e não quiser spolier não passe daqui.


SPOILER












A CORRIDA ENTRE O FLASH E O SUPERMAN



A primeira cena pós crédito citada acima nessa matéria, foi uma referência aos quadrinhos onde o Superman e o Flash costumam a apostar corrida para medir qual é o mais veloz.  Esse fato já ocorreu inúmeras vezes ao longo das décadas tanto nas HQs quanto nas animações, tornando essa disputa clássica. 

Já houveram vários resultados. Em algumas o Superman ganha, em outras o Flash ou até mesmo um empate. Mas recentemente ficou estabelecido que o Flash é o mais rápido do Universo DC vencendo o Superman mesmo que por milésimos de segundos.

Veja algumas capas de histórias com a disputa dos dois:




 Nessa cena mais clara pode-se ver perfeitamente o uniforme do Homem de Aço, que infelizmente aqui nas fotos não está com o brilho e textura do filme por não ser em alta definição e sim uma imagem capturada da tela do cinema por algum fã.  Mas mesmo assim nota-se o azul mais claro e brilhante e o vermelho vivo!



 O EXTERMINADOR




A segunda cena pós crédito foi uma surpresa para mim que não esperava mais já ver Joe Manganiello como Slade Wilson ou o Exterminador, pois já haviam boatos que com as mudanças de roteiro de The Batman ele haveria sido descartado da produção de filme de Matt Reeves

Mas após as declarações de Reeves de que The Batman não será um prequel como fora dito inicialmente nem um reboot, mas sim uma continuação direta do filme da Liga, então essa cena pode ser uma indicação de que Manganiello viverá o vilão no filme solo do morcego.

A cena em questão, mostra policiais descobrindo que Luthor fugiu da prisão e na sequência vemos o Exterminador dirigindo-se a um iate onde encontrava-se Lex. Ao tirar a máscara, outra surpresa! A aparência do personagem, ao contrário do Exterminador da série Arrow, onde é interpretado por Manu Bennett, é idêntica a dos gibis. 





Luthor também estava de terno e ainda calvo já mais similar a sua contraparte nas HQs. 
No momento em que se encontram Luthor diz que precisam também formar uma Liga, o que certamente deverá ocorrer em um dos próximos filmes da Liga da Justiça se realmente ocorrerem.
A cena original mostrava o Exterminador tirando Lex Luthor da prisão mas foi um dos cortes para a redução de tempo do filme.

Vamos aguardar e torcer agora para que seja possível uma sequência não só para um filme da Liga mas para mais filmes do Universo DC. E que todos possam manter o nível deste para melhor, mais colorido, heroico, com uma mensagem otimista e de esperança!

Afinal, você não pode salvar o mundo sozinho!

Crítica de Maurício Muniz:Pastel Nerd

Crítica de Társis Salvatore: Papo de Quadrinho

Crítica de Eduardo Marchiori: Raio X

https://www.youtube.com/c/DROPSRicardoQuartim
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/05/jack-kirby-100-anos.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/04/porque-mulher-maravilha-e-tao-legal-por.html
 http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/04/porque-o-superman-e-tao-legal-por.html