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domingo, 1 de julho de 2018

Pensando Quadrinhos: Ótimos Filmes Ruins!





—Viu o novo filme do (...) com aquele cara, o (...)?
—Vi. Achei uma bosta.
—Ah, vc é um chato. O filme é irado porque...
—Velho, o filme é uma bomba porque...

É. Estou certo que você já se deparou com a situação acima. Mas, espere um minuto. O que faz um mesmo filme ser, simultaneamente, tão bom e tão ruim? Bem, é disto que trataremos a seguir.

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2015/08/quatro-razoes-pelas-quais-esse-quarteto.html












Os filmes, livros, quadrinhos, as peças de teatro podem ter ou não uma estrutura narrativa. Há produções artísticas cujo objetivo não é contar uma história, mas explorar um assunto, instigar certas emoções, comentar ou questionar algo, mas aqui trataremos de filmes cujo objetivo é o que chamarei de narração de entretenimento. Claro que a narração pode ser usada para fins educativos, informativos, históricos, ilustrativos, mas a narração de entretenimento visa... adivinha?! Exato! Entreter.

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2015/08/o-quarteto-que-nunca-veremos.html













Quem conhece o trabalho de Joseph Campbel e de Christopher Vogler ou Syd Field ou mesmo se você já viu muitos filmes —como a Lisbela (do Filme Lisbela e o Prisioneiro, filme de Guel Arraes, 2003)—já se deparou com padrões reconhecíveis nas narrativas cinematográficas. Os quadrinhos gozam de uma liberdade estrutural maior talvez por ser uma mídia distinta, talvez pelos valores de produção não serem exorbitantes, enfim, embora haja uma tendência atual de alongar as narrativas nos quadrinhos, terminando as revistas com um "continua" no final de cada edição para fisgar o leitor, embora os conflitos e ações sejam diluídos em favor de estender as tramas, não há, nos quadrinhos a paranoia de seguir uma estrutura narrativa de modo tão enfático como nas produções cinematográficas.

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2016/03/batman-vs-superman-um-filme-que-dividiu.html

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2016/03/batman-vs-superman-ame-ou-odeie-por-jj.html











Disto isto, é bem possível que você faça parte de um público que está adaptado aos picos de emoção promovidos pela estrutura narrativa, com os momentos de apresentação de personagem, apresentação do conflito, dúvida, negação, ameaça, viradas surpreendentes, tomada de decisão, derrota aparente, superação da perda, triunfo e reconstrução de status quo. Bem, usei termos distintos, mas tudo isso está no trabalho dos autores mencionados anteriormente: Joseph Campbel, Christopher Vogler, Syd Field— se ficou curioso procure-os no Google. Caso você já esteja adaptado a este formato e sinta-se confortável com ele, qualquer produção que fuja desse esquema vai provocar um ruído na sua compreensão. Algumas vezes você vai odiar o filme porque algum dos elementos narrativos com os quais você estava habituado não se fez presente. Em alguns outros casos, as explicações e justificativas para as ações de um ou outro personagem podem parecer irreais, frágeis ou inverossímeis — isso também pode estragar o filme pra você. A falta de uma linha clara de condução começo, meio e fim, a falta de conexão lógica entre algumas cenas, a falta de justificativa para algumas dessas cenas. Bem, a quantidade de coisas que podem estragar sua apreciação são inúmeras. Mas também é fato que o filme pode ser considerado ruim por uma maioria esmagadora de pessoas e você, contra tudo e contra todos, sentir uma alegria contagiante vendo o mesmíssimo filme.

http://laboratorioespacial.blogspot.com/2015/11/a-guerra-de-cada-um.html




Por mais comercial que seja um filme, por mais que se detenha a estruturas, regras, truques de roteiro e construção, por mais técnico que ele seja ainda há ali o fator humano, ainda há um discurso não dito, um discurso que, eventualmente as pessoas podem ler de distintos modos influenciadas pelo seu histórico emocional, por seu nível cultural, por suas experiências de vida etc. Um mau dia no escritório pode estragar a experiência de um filme ou exaltá-la.


http://laboratorioespacial.blogspot.com/2012/09/aventureiro-de-marte.html



http://laboratorioespacial.blogspot.com/2012/03/uma-princesa-de-ontem-de-hoje-e-de.html
Nestes tempos de redes sociais cada pessoa defende suas opiniões como verdades absolutas e poucos parecer ter humildade para aceitar que a opinião do outro é simplesmente distinta da sua. A arrogância de estar certo acima de tudo e de todos é o padrão que fomenta um colonialismo irascível de opiniões. Estar acima do outro, ser maior, melhor, mais inteligente tudo isso parece mais importante que viver sua própria experiência e respeitar a experiência do outro. O Spoiler , por exemplo, é antes de tudo um desrespeito à experiência do outro. O que nos leva a um questionamento essencial para esta reflexão textual: Um mesmo filme pode ser, ao mesmo tempo: ótimo e péssimo? Claro! Pois quem vivencia sua percepção é você. Tudo bem se todos odeiam seu filme favorito, ele nunca deixará de ter um significado íntimo e pessoal para você. Isto não é motivo para discussões inflamadas nem para fins de relacionamentos ou amizades. Respeito é uma atitude que inspira reciprocidade. Então, lembre-se: o próximo filme (ou Quadrinho) excelente ou horrível ao qual você tiver chance de assistir (ou ler, no caso dos quadrinhos) sempre terá fãs e detratores. Simplesmente porque, por mais comercial que seja, aquilo também é arte.

MAIS:
http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/05/dicas-de-producao.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/02/nas-perigosas-trilhas-de-ur.html

terça-feira, 15 de maio de 2018

Pensando Quadrinhos: Ir além













Fazer Arte é mais do que seguir padrões técnicos e objetivos, fazer arte requer pensar os significados, o mundo e o homem em seus múltiplos contextos. Daí a origem da reflexão que segue. O artista precisa de uma Arte que o leve além, assim como o Sistema Educacional precisa de Professores que estejam dispostos a ir além da Teoria, investigar a própria Teoria, discutir a Teoria, DESAFIAR a Teoria. 

Ainda há muitos Professores que respondem as perguntas dos estudantes com frases do tipo: 
—É assim que as coisas são!
—Você tem que aprender isso! Se não aprender, DECORE!
—Não importa pra quê serve isso! O importante é passar na prova!
—Não interessa como isso vai afetar sua vida. Aprenda a resolver o problema e tire a nota que precisa! Tirar a nota certa é o que importa pra sua vida!

No entanto há professores que respondem até as mais complexas perguntas com uma verdade mais profunda, com uma honestidade desafiadora. Instigando os estudantes a procurar respostas, pensar sobre as respostas, refletir sobre os conteúdos. E, curiosamente, esses são os Professores que as Universidades parecem não querer! O que as Instituições procuram é o Professor dócil que responda a tudo com um "Sim, senhor" tímido e em voz baixa. Instigar, estimular uma turma inteira a buscar soluções, estimular as perguntas, questionamentos ajudar os alunos a desenvolverem autonomia dá trabalho e talvez a remuneração não valha o esforço, mas será que as pessoas não valem?



















O próprio termo "Ensinar" precisa ser repensado e, pelo menos na cabeça do Professor precisa ser ressignificado para: Estimular, Instigar, Provocar. Aprender pressupõe abandonar um estado de ânimo mental estático e mudar de frequência para um estado de ânimo alerta. Significa puxar as pessoas para fora do "sim, senhor" e colocar a sua disposição o "porque isso?". Vivendo em uma sociedade onde Vestibulares e Concursos são vistos como o patamar superior da evolução humana para ter três refeições e pagar aluguel, essa "ousadia" parece inadequada, equivocada ou mesmo ofensiva. Mas ofensa maior é ter um Sistema Educacional que tolhe o senso crítico e Universidades cujo conhecimento "Universal" se limita a reproduzir pensamentos, copiar práticas e imitar posturas que não possuem significado para a vida prática, para a vida real. A Interdisciplinaridade é um estímulo à criatividade, um estímulo a conexões neurais que podem resultar em novas soluções para problemas antigos e novos. Por isso é tão importante lutar contra o preconceito, por isso é tão importante desenvolver outros olhares, desenvolver outras reflexões, fazer outras interpretações. Por isso é tão importante que (já que as Instituições não o fazem) os Professores transformem o Mundo em sua sala de aula. Existem relações muito próximas entre Física e Música, Desenho Artístico e Matemática... Todo o conhecimento possui conexões. Se a compartimentabilização deste conhecimento ajuda a estruturar uma base de organização porque ignorar essa inter relação durante o aprendizado?













 




Um dos meus Professores favoritos me disse uma vez: "Qualquer coisa que você aprenda melhora todas as outras coisas que você faz". Dar aulas e explicar procedimentos técnicos (em desenho ou qualquer área do conhecimento) não é uma tarefa simples, mas fica "engessada" se for limitada a repetir sempre os mesmos padrões. Torna-se algo mecânico, frio, perde facilmente a alma e com isso perde o propósito. Torna-se um processo de lobotomia. Esse tipo de ensino adestrador é ótimo para concursos e vestibulares. Mas o que ajuda um ser humano a caminhar na direção de sua plenitude é retirar-lhe os antolhos (aquela viseira que faz o animal olhar apenas em uma direção). Muitos de meus amigos de faculdade acabaram tornando-se também Professores e uma das minhas grandes alegrias é ver o quanto eles conseguem ir além dos programas das Instituições. O quão eles conseguem ser instigadores levando adiante uma pequena tradição qua aprendemos com nossos próprios Professores Instigadores. Quem sabe deste modo —mesmo aos poucos — não seja possível remover as viseiras que impedem o próprio sistema de funcionar de modo pleno à serviço do homem e não a serviço de sua escravização.


Seguem algumas dicas de filmes cujo tema tem sintonia com o desta coluna. Fique à vontade para expandir a lista de recomendações dos comentários:
Sociedade dos Poetas Mortos (1989) Dir: Peter Weir
Sorriso de Monalisa (2003) Dir: Mike Newell
Coach Carter - Treino para a vida (2005) Dir: Thomas Carter












PENSANDO QUADRINHOS: 
—Lápis, Borracha, Papel e uma Ideia
—Curiosidades sobre as primeiras tiras
—Editor e Juiz de Futebol:ofícios e alvos
—O Bom, o mau e o "muito bonito, hein"?

http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/p/quadrinhos.html

http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2018/05/dicas-de-producao.html




http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/03/20-anos-da-estonteante-mulher-estupenda.html

terça-feira, 8 de maio de 2018

DICAS de PRODUÇÃO!





O Laboratório Espacial é um espaço para compartilhar informações e experiências bem como testar e descobrir coisas novas sobre quadrinhos, series e afins. Nesta postagem vamos listar algumas dicas úteis para pensar e produzir Quadrinhos. Parabéns, você está no Laboratório Espacial!


http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/02/sobre-tiras.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/02/tiras-tamanhos-e-proporcoes.html

 
 

http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/06/como-funciona-um-gabarito-de-quadrinhos.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/05/dicas-para-montar-e-apresentar-um.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/07/criacao-de-personagens-por-jj-marreiro.html


http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/07/criacao-de-personagens-por-jj-marreiro_22.html




http://laboratorioespacial.blogspot.com/2016/07/os-22-paineis-de-wally-wood-que-sempre.html



http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/11/lapis-borracha-papel-e-uma-ideia.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/08/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html











-Pensando Quadrinhos: Ótimos Filmes Ruins

-Pensando Quadrinhos: Ir Além!

-Pensando Quadrinhos: O Bom, o Mau e o "Bonito, hein?!"

-Pensando Quadrinhos: Editor e Juiz de Futebol: Ofícios e Alvos

 

http://jjmarreiro.blogspot.com/2013/10/sobre-desenho-e-alem.html







http://jjmarreiro.blogspot.com/2014/04/do-zero-ao-desenho.html







http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/10/o-esqueleto-das-coisas-por-jj-marreiro.html



http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/06/roteiro-uma-peca-tecnica.html


http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2013/04/preview-do-laboratorio-como-fazer-para.html









http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/p/quadrinhos.html







http://laboratorioespacial.blogspot.com/2018/05/dicas-de-producao.html

Abaixo estão listadas algumas obras em versão digital que podem ajudar você do desenvolvimento do seu traço ou no desenvolvimento de sua capacidade narrativa. Torça para o link estar ativo:
Figure Drawing - Andrew Loomis:  link 01 - link 02 - link 03
Dinamic figure drawing - Burne Hogarth  link 01 - link 02
Drawing Head and Hands - Andrew Loomis:  link 01 - link 02
Narrativas Gráficas, Will Eisner: Link 01, Link 02


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Pensando Quadrinhos: O Bom, o Mau e o "muito bonito, hein?!"











Quando se escreve histórias em algum momento você acaba sendo levado a refletir sobre o que é o mal, a maldade ou que tipo de coisa define um vilão. Quais ações fazem com que um personagem seja encarado como o malvado da história? Essas ações vem de um desejo interior de prejudicar os outros ou surgem de algo maior no qual ele acredita? Certamente há milhares de explicações e perfils de vilões juntamente com uma infinidade de motivos para que alguém proceda assim, entendendo o Mal como aquilo que se opõe a virtude e prolifera prejuízo a uma ordem harmoniosa de convivência abalando-a ou trazendo ruína. Para deixar o texto com um ar didático (e até mais leve) vou arriscar uma enumeração que pode ganhar acréscimos e interpretações futuras e que certamente é apenas um ensaio superficial sobre este tema, cuja complexidade e profundidade vão muito além de uma coluna ou artigo.

01- Ele se acha o Herói
Para o vilão, o Herói é ele. Ele é quem está certo e quem se opõe está equivocado. Essa dicotomia pode gerar situações, diálogos, dramas muito curiosos. Exemplo: Dr. Doom, Darth Vader, Ozymandias, Lex Luthor.

01,5- Malvado Blasé
Ele não se importa com sua condição de vilão.
Esse tipo de classificação não dá conta de definí-lo. Distinções entre bem e mal são insuficientes para definir suas ações e sua condição.
Ex: Galactus, Thanos, Esfinge, Conde Nefária, Ra's Al Ghul

02- Malvadinho dodói
Existe também o caso do mal patológico. Tipo uma doença onde o perverso se alimenta da perversidade. Fazer o mal para esse tipo de personagem é quintessencial, o define.  Trata-se de um mal biplano, o mal pelo mal que se opõe ao bem e ponto. Não há outras camadas, não há margem para refletir sobre motivações. O personagem é mal e todas as suas ações são voltadas ao prejuízo da coletividade e se opõem enfaticamente a qualquer coisa que tenha relação com o bem comum. Exemplo: Mefisto (Marvel), Loki (versão dos Quadrinhos Marvel), Doomsday (DC Comics), Coringa (DC)


02,5- Malvado pero no mucho
O cara é da treva, mas oculta um lado positivo
que faz questão de deixar trancado no armário.
O problema de guardar coisas no armário é que uma hora elas saem. Neste ítem se enquadram também os vilões que possuem nobreza e são oponentes valorosos. Pode-se dizer que eles são o oposto dos Anti-Hérois, aqueles heróis que querem sempre bancar os mauzões, tidos como grosseirões, com barba malfeita, tapa-olho, garras, etc.
Eventualmente os vilões pero no mucho podem acabar se tornando heróis.
EX: Magneto (Marvel), Fênix Negra (Marvel), Exterminador (DC Comics), Rainha Branca (Marvel).


03- Malvado Idiota
Outro tipo de maldade vem da burrice, termo pesado, né? Ok, troquemos por ingenuidade. Aqui o imbecil se acha muito mais esperto do que realmente é. Subestima a inteligência e a percepção alheia. Podemos até dizer que este também é um caso de maldade patológica, mas está mais para burrice patológica porque muitas vezes o vilão imbecil nem é exatamente mal, mas pode ser facilmente levado a fazer o mal reagindo à influencias externas num padrão que ele julga superior. Vilões imbecis:  Dick Vigarista (Hanna-Barbera), Kylo Ren (Abramsverse Star Wars).

04- Mal Social
Expandindo um pouco os horizontes podemos pensar num mal social provocado por ações que deveriam conduzir ao bem. Uma cidade dessas imaginárias dos quadrinhos onde o super-herói resolve todos os problemas de violência urbana acaba gerando um mal social quando as pessoas e as instituições se acomodam e deixam tudo nas mãos desses herói. Neste caso o heroísmo gera uma dependência e uma estagnação na comunidade, uma quebra no fluxo de evolução social onde os movimentos das pessoas comuns (e do estado) ou a própria dialética entre ambos deveria dar combate àquilo que causa um prejuízo social.
























05- Mal Massivo
A presença do Mal normalmente provoca o surgimento de forças contrárias. Entretanto quando o poder malévolo é imensamente superior e fragiliza a oposição por meio de infinitos planos de contigência o que sobra para a sociedade é a apatia. Isto ocorre no planeta Apokolips (DC Comics) onde as forças que se opõem a Darkseid esgueiram-se nas sombras sem uma real chance de modificar o contexto em que vivem. Este tipo de Força Massiva do Mal é o que vemos, por exemplo nos livros 1984 (George Owell) e Farenheit 451 (de Ray Bradburry), onde o Estado é um instrumento de estagnação social. 

 

 

A título de não deixar essa texto tão determinista, vale a pena registrar que talvez o próprio conceito de Bem versus Mal seja limitante, um olhar estreito, equivocado talvez e talvez se apoie numa construção social arcaica, bidimensional e sem profundidade. No entanto pensar, refletir e questionar essas construções sociais podem instigar o surgimento de novos prismas e novos pensamentos. As Histórias em Quadrinhos com toda sua amplitude temática tem explorado este tema em múltiplas abordagens, nenhumas delas definitiva mas todas com a capacidade de nos instigar algum tipo de reflexão.


 









Mais:
Superinteressante: As Profissões com mais psicopatas
Dr Kevin Dutton

PENSANDO QUADRINHOS:
-Curiosidades sobre as primeiras tiras
-Lápis, Borracha, Palel e uma Ideia
-Editor e Juiz de Futebol: Profissões e Alvos

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http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/12/surfista-prateado-o-heroi-filosofo-por.html


sábado, 31 de dezembro de 2016

Pensando Quadrinhos: Editor e Juiz de Futebol — Ofícios e Alvos



Numa partida de Futebol, o Juiz, auxiliado pelos Bandeirinhas é responsável por fazer as Regras do Jogo serem cumpridas. No mercado Editorial o Editor se encarrega de defender as regras da Editora. A moda, as tendências mercadológicas, a opinião pública, a opinião de grupos e nichos específicos, o patrulhamento do politicamente correto e os patrulhamentos ideológicos, preceitos e preconceitos estão entre os elementos aos quais o Editor precisa dar atenção antes de publicar algo. Adequar um produto a um público específico não é uma tarefa fácil, por isso editores às vezes são tão xingados quanto Juízes de Futebol.

Veja só o tipo de coisa que um editor precisa observar: O nível do texto está acessível à faixa etária? A sensualidade dos/das personagens agride ou agrada o público pretendido? O traço está em sintonia com o gênero? O discurso do texto pode gerar polêmicas desagradáveis — ou as polêmicas são pretendidas pela linha editorial? Esse produto editorial pode gerar subprodutos? É possível ir além do público alvo com pequenos ajustes de texto ou imagem? O formato gráfico está sintonia com o conteúdo? E por aí vai.

O trabalho de um Editor é regido também por prazos. Uma obra precisa estar afinada antes de ir para a gráfica, então é necessário saber quando parar de fazer ajustes e retoques. Editores de Arte, Revisores, Copydesks, leitores-beta auxiliam o Editor-Chefe em suas tarefas. Mas em muitos casos, no Brasil, o Editor ocupa todas essas funções e mais algumas. Por isso os Editores dão preferência a escritores, artistas e autores que facilitem o processo de edição.

Entre todas as tarefas do Editor, uma das mais fascinantes é a de "conseglieri". Ler o material que vai ser publicado em seus estados embrionários e servir de navegador para auxiliar o artista a dar o melhor de si e chegar ao melhor resultados que ele puder oferecer. Quando recebe obras fechadas o Editor fica impossibilitado de ajustar o curso e o destino pode ser bem diferente do pretendido.


Um bom Editor conhece acima de tudo sua Linha Editorial: o que pode ou não pode ser publicado por ele. Mas é bom lembrar que: o que é bom para uma editora pode ser ruim para outra. E o que é ruim para uma editora pode ser bom para outra. Veja: um artista de traço sensual, daqueles que desenham "mulher boazuda" pode não estar em sintonia com um Editor de quadrinhos infantis, mas isso não impede o Editor de procurar saber se tal artista possui outras facetas de traço. Ou ainda, isto não o impede de redirecioná-lo a algum outro editor que tenha sintonia com a linha de trabalho deste artista. Isto seria o ideal, embora este tipo de direcionamento possa ser melhor realizado por um Agente que por um Editor. 

Normalmente o discurso do Editor é: Nós publicamos  coisas no estilo X, Y e Z. Para se adequar ao que eu publico é preciso fazer "isto" e "isto". Por falta de tempo, tato, atenção, paciência ou outra coisa, muitas vezes o artista não entende o que está sendo dito, ou o Editor não se faz entender completamente. Em ambos os casos a busca de informações deveria ser mais importante que as certezas.

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