O Ceará já tem nomes de grande destaque nos quadrinhos e outras cidades do interior, como Limoeiro e Itapipoca, exportam talentos para o mercado internacional, mas para Alemberg Quindins, Pacoti tem potencial de se tornar a cidade dos quadrinhos cearenses. “Durante a programação da Mostra, o Sesc vai realizar a assinatura de um convênio com o Ecomuseu de Pacoti. Essa parceria irá viabilizar a promoção do HQ através de oficinas, palestras e exposições durante o ano todo. Nós vamos inserir murais na cidade trazendo a arte dos quadrinhos para a paisagem urbana, além disso, o Sesc vai fazer a doação de uma Gibiteca especializada para o ecomuseu de Pacoti”, destaca o gerente de Culturas do Sesc.
terça-feira, 11 de outubro de 2022
1ª Mostra Sesc HQs Pacoti
segunda-feira, 20 de junho de 2022
Cavaleiro das Trevas (uma resenha crítica de Gian Danton)
PARTE 01 ( Por Gian Danton)
No início da década de 1980, Frank Miller era o grande nome dos quadrinhos americanos. Depois de salvar a revista do Demolidor do cancelamento, transformando-a num campeão de vendas, ele foi contratado para a DC Comics na qualidade de astro.
Seu primeiro trabalho para a editora, Ronin, foi aplaudido pela crítica, fez sucesso e abriu as portas para a invasão dos mangás, mas não chegou a ser algo bombástico. O grande sucesso mesmo viria com a minissérie Batman - Cavaleiro das Trevas, de 1986 (veja no box alguns fatos marcantes deste ano).
Cavaleiro das Trevas foi um arrasa-quarteirão que mudaria para sempre a história dos quadrinhos de super-heróis, a começar pelo formato de luxo em que foi lançado, chamando atenção dos leitores adultos e da imprensa.
A história se passa em um futuro em que os super-heróis foram proibidos. Aposentado após a morte de seu parceiro Robin, Bruce Wayne é um homem amargurado pelos fantasmas do passado e pela percepção de que a cidade que protegeu durante anos está se transformando em um completo caos de violência urbana.
Sua volta à ação marca também o retorno dos vilões Duas Caras e Coringa e a tensão com o Super-Homem, o único herói com autorização para agir.
Miller foi revolucionário em tudo, a começar pela forma de contar a história, usando e abusando das elipses. Elipses são pulos na narrativa, partes não mostradas pelo quadrinista e que são completadas pelo leitor. Os quadrinhos usam as elipses o tempo todo: o personagem se levanta da cadeira, no quadro seguinte está na porta de casa: todo o trajeto entre uma ação e outra é completado pela imaginação do leitor. Miller levou o recurso a patamares nunca explorados em especial na sequência em que o Batman volta à ação: o leitor nunca vê o herói, e sim as consequências de sua ação. Quando ele finalmente surge é numa grandiosa Splash Page, de enorme impacto. (nota: Splash Page é uma página onde o quadrinho toma a página inteira).
Outra revolução de Miller foi introduzir quadros televisivos como elementos narrativos. Após vermos Batman pela primeira vez, por exemplo, as telas mostram pessoas comuns comentando sua aparição. Além disso, a narrativa televisiva muitas vezes ajudando o leitor a entender as elipses – exemplo disso é a mulher cuja bolsa é revistada pela gangue mutante e que sai feliz ao descobrir que não foi roubada – na sequência, uma jornalista informa: “Mulher explode numa estação de metrô! Noticiário completo às onze...”.
As telas de televisão também funcionam como um acréscimo de aprofundamento ao mostrar debates sobre a ação do herói. É nesses inserts que Miller irá colocar uma das questões mais interessantes da obra: seriam os vilões uma consequência dos super-heróis? Ou seria o contrário? A obra não dá respostas fáceis, deixando muito mais perguntas que certezas.
Outra inovação de Miller foi mostrar o Batman como alguém que capaz de qualquer coisa para conseguir seus objetivos – inclusive usar uma criança como aliada no combate ao crime ou torturar um bandido para conseguir uma informação. Maníaco? Visionário? Herói? Vilão? Junto com A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, Cavaleiro das Trevas transformou o Batman em um herói tridimensional, um dos mais complexos do universo DC.
Miller continuou sua abordagem sobre o personagem em uma outra série, Batman Ano Um, com desenhos de David Mazzuchelli, em que contava os primeiros anos do herói. Como resultado, Batman se tornou o herói mais popular da época, uma verdadeira mania, com várias revistas derivadas e especiais.
No Brasil, Cavaleiro das Trevas foi a obra que inaugurou a era das Graphic Novels. O sucesso da série fez com que a Abril lançasse várias outras minisséries de luxo e até uma coleção, Graphic Novel, apenas com histórias fechadas, em papel couchê.
PARTE 02 (por JJ Marreiro)
Originalmente publicada em fevereiro de 1986 como uma mini-série em quatro partes. Chegou ao Brasil em março/abril de 1987. Em 1988 a Abril lança a versão encadernada (capa cartão). Em 1989 chega a segunda edição da versão encadernada ainda pela Ed Abril.
Sempre referenciada ao lado de Watchmen e Miracleman, O Cavaleiro das Trevas, marca um tratamento sóbrio do gênero dos heróis uniformizados. A trama é bem construída, bem pensada, cada painel possui um sentido de ser e nenhuma palavra é desperdiçada, desde as onomatopeias às gírias empregadas pelos personagem, tudo em Cavaleiro das Trevas foi milimetricamente medido e cada tom de cor somou ao discurso noir ao clima distópico de uma metrópole sitiada pela violência urbana.
As transições de quadros são fabulosas e favorecem uma experiência de leitura rica e envolvente. As combinações entre palavra e imagem completam-se para gerar uma terceira compreensão que transcende tanto a palavra quanto a imagem. Fica patente o esmero na elaboração desta mini-série: um traço numa estilização harmônica com a construção narrativa, uma arte-final coesa e objetiva, cores que colaboram na ambientação e na condição emocional da história. Uma trama lógica, coesa, com começo meio e fim numa abordagem que aprofunda o gênero e o trata com respeito. Bons diálogos e ótimas passagens de ação. Uma obra que possui conteúdo e superfície irretocáveis isto é mais do que se pode dizer de muitas obras (em qualquer manifestação artística).
DK2: The Dark Knight Strikes Again, a controversa mini-série de três edições que continua a saga do Morcego não-tão-aposentado foi lançada em dezembro de 2001. A mesma equipe criativa retorna implementando um aspecto visual diferente, experimental (no design e nas cores) o que desagradou a grande maioria dos fãs. O traço de Frank Miller mais cartunizado, menos refinado, um redesign exótico de personagens e as cores supersaturadas com uso exagerado de efeitos chamam mais atenção que a trama. Nem de longe esta "continuação" se alinha com o nível de qualidade técnica e filosófica da obra original. Citando Marcelo Cassaro, premiado roteirista e editor brasileiro: "Miller fez DK2 para que não houvesse um terceiro". A edição brasileira saiu em 2002.
DKIII - Cavaleiro das Trevas III, mesmo com todas as críticas ao DK2, a máquina de dinheiro da DC Comics sabia que ainda havia muito a se explorar da obra original de Miller e já estava capitalizando em desenhos animados, estatuetas e infinitos colecionáveis baseados no trabalho original de Miller. Uma prova da baixíssima aceitação pública de DK2 é a inexistência de produtos agregados e esta mini-série. A Terceira parte chegou em 2016.E depois do desastre da parte 2, a editora cercou Miller de talentos para evitar outro fiasco. Para o desenho Andy Kubert, cujo traço é um dos mais potentes da atualidade e cuja narrativa segue a rica e criativa linha estabelecida pelo seu pai, o astro da era de prata dos quadrinhos, Joe Kubert. E, encarregado de evitar novos devaneios oníricos desconexos de Miller, um dos roteiristas TOP da DC: Brian Azarello. Embora o resultado seja visívelmente superior ao DK2 ainda fica devendo muito à potencia da obra original. Não é um quadrinho ruim de ler, aliás seria um razoável material para um título de linha. No entanto, para ser uma sequencia de Cavaleiro das Trevas o resultado é sem vivacidade, sem encanto, sem grandes recursos narrativos e absolutamente ausente de inspiração. A trama centrada numa invasão da Terra por Kandorianos, os habitantes da cidade engarrafada de Krypton. Uma falha gritante é ausência de protagonismo de Batman, isto sim: um crime.
Curiosamente, cada edição de DKIII é acompanhada por um mini-comic (uma revista fininha em formatinho) com capas e parte do material interno feito por Frank Miller. Isto deveria ser uma ampliação do universo do Cavaleiro das Trevas, mas também não logra êxito ficando restrito a "mais do mesmo". Aliás, menos do mesmo, pois são histórias fracas, algumas porcamente desenhadas.
Depois de tantos produtos e subprodutos ligados ao universo do morcego imaginado por Frank Miller é difícil pensar que a DC vai parar por aí. Aparições deste universo já foram vistas nas revistas de linha e possivelmente ganhem novos subprodutos, versões, expansões, talvez uma saga reunindo todas as revistas da editora centradas no universo do Cavaleiro das Trevas, sabe-se lá. O certo é que a DC nunca vai largar esse osso.
Batman - The Dark Knight Returns (wikipedia)
Capas das edições em português de Batman Cavaleiro das Trevas (Guia dos Quadrinhos)
DKR Trintão (Batdeira)
PODCAST Confins do Universo: Cavaleiro das Trevas 30 anos (UniversoHQ.com)
Cavaleiro das Trevas Edição Definitiva (review UniversoHQ)
DK2 (review UniversoHQ)
IDEIAS DE JECA TATU (blog de Gian Danton)
quinta-feira, 10 de março de 2022
THE BATMAN - O Batman que precisávamos? Sem Spoilers!
Por Jacko e Daywid
Assistido o tão esperado filme de Matt Reeves sobre o homem morcego, trazendo Robert Pattinson como personagem principal. E devo confessar que tempos atrás quando vi a escolha, fui daqueles que tacou o pau, mas, depois de filmes como Mulher Maravilha e Aquaman, respirei fundo e pensei: calma. Vamos esperar pra ver algo pra poder criticar.
Foi a melhor coisa que fiz, esperar.
Muita
gente critica o filme por ser longo demais, arrastado, que poderia ser
menor e resolver as coisas mais fáceis e simples, mas não dá. Pelo
contrário, se você viu o filme, viu que faltou tempo pra explicar muita
coisa como por exemplo, fatos sobre o Charada que ficam mais explicados,
mais detalhes sobre o Pinguim, coisas sobre as cenas finais que não
tiveram explicação, que pra mim não é furo, foi escolha sobre o que
apresentar, e tentar diminuir o tempo do filme.
A trama é cheia
de mistérios, com elementos até então estranhos para nós fãs, como o
Batman andando lado a lado com a polícia, sendo encarado por todos,
menos pelo capitão Gordon, que é preciso ressaltar que Jeffrey Wright
entrega um Jim Gordon sério, honesto, que acredita no Batman, e com um
puta moral de poder até enfiar o dedo na cara do Morcegão, sem nem
piscar. Me lembrou muito o Gordon de Batman Ano Um.
Outra personagem
que ficou muito boa, e também remete a Batman Ano Um é Selina Kyle. Zoë
Kravitz ficou tão bem no papel que nem precisa de roupa de couro,
enfeites ou coisas do tipo, ela entrega uma Mulher Gato diferente de
qualquer outra, que é ágil, rápida, boa de briga, esperta e bonita.
Um
personagem pouco explorado por outro lado foi o Alfred, tendo Andy
Serkis no papel, pouco se mostrou no filme, mas foi necessário quando
surgiu.
O filme aborda coisas que outros não fizeram, como falar do
passado da família Wayne, de ligações perigosas com o passado da cidade,
as alianças que passam a assombrar o presente de Bruce Wayne,e é isso
que dá o ar sombrio e sério de Bruce durante todo o filme.
O Charada
por sua vez, deu um show a parte, mas eu diria que mais pelo ator que
pelo personagem. Pois ficou faltando coisas sobre o personagens,
detalhes não explicados, porém, Paul Dano foi perfeito na atuação.
Tivemos o Pinguim, que pra mim, assim como o Alfred, foi pouco explorado, mas é preciso dizer:
- Que PINGUIM É ESSE?
Colin
Farrell, irreconhecível, dá um show de interpretação: é nojento,
covarde, bobalhão, traidor, vingativo e chefão. O "Os" dele é
responsável por uma das melhores e mais vibrantes cenas do filme, quando
é perseguido pelo Batman no maravilhoso Batmóvel. um verdadeiro pega
pega na cidade, com muita explosão, reviravoltas e um final de
perseguição hilário.
O Batmóvel pra mim foi um dos melhores já
feitos, porque se isso é uma adaptação das HQs, então também é possível
fazer algo o mais parecido com as hqs possível certo?
E Reeves pensou assim, pois esse Batmóvel é muito mais próximo das HQs que seus anteriores.
Agora vamos falar do Batman.
Acho que chegou a hora de deixar essa história de Crepúsculo de lado, né?
Robert
Pattinson entregou um dos melhores Batmans do cinema até hoje. Resgatou
o Batman detetive, investigativo, porradeiro, violento, que não mata,
que não precisa de amigos super poderosos nem de roupas especiais para
evitar ser mordido por cães pra provar que pode entregar umas das
melhores, senão a melhor,atuação do morcegão, para os cinemas.
Ele
é rápido, violento, brutal, pouco apela pros seus apetrechos no cinto.
Sua roupa é tática, flexível, pouco apresenta enchimentos, deixando-o
mais natural e real possível.
- Ele não Ri! - Nem tem por que ou onde
rir. Tudo no filme é melancólico, sombrio, triste, violento, não tem
espaço para risadas, piadas, brincadeiras. Ele corre contra o tempo para
derrotar o Charada, evitar novas mortes, resolver enigmas sobre seu
passado que se revelam sórdidos e contradiz com o que ele mesmo pensa
sobre ser o Batman.
O traje é perfeito, simples, diferente das
armaduras e enchimentos dos outros filmes, e apresentou a melhor
máscara, na minha opinião, já feita até hoje, onde mostra a abertura
longa no queixo, deixando parte do rosto a mostra, com detalhes de couro
que marcam sem parecer falso e dar aquele semblante sério e malvado que
conhecemos. Até o elemento "sombra" usado nos olhos para deixar os
olhos dele com o capuz mais sombrios, aqui foi dado ênfase, deixando
claro que o Batman usa maquiagem pra esconder sua identidade, e não que
usa e finge não usar. Até isso deixa tudo mais real, pois Pattinson sem
máscara e com a maquiagem escorrendo, dá um ar de tristeza, e ao mesmo
tempo de vingança, além de lembrar o Corvo.
Talvez, o único momento que me queixei sobre o filme foi sobre o Pattinson como Bruce Wayne, que fica longe daquele biotipo estilizado que temos na mente das HQs, até mesmo distante de Bale e Affleck, mesmo assim, com o passar do filme, acabei acostumando, e ele consegue provar que é bom também sem a máscara.
Um grande ponto positivo do filme é que, aqui, vemos um filme do Batman. Aqui ele não é coadjuvante, é o principal. Pattinson passa mais da metade do filme com a máscara, agindo como Batman, diferente dos outros filmes que abordam demais Bruce Wayne, até pra poder dar mais crédito ao ator, mostrar seu rosto e assim aumentar seus ganhos com sua imagem. Aqui, Batman é a estrela, e como falado em uma cena, Batman é a verdadeira face de Bruce Wayne.
Se o filme tem furos no roteiro, não parei pra ver isso, me atentei a história contada, aos personagens que nela estão, no Batman, no Pattinson, e apesar de ter ficado algumas coisas sem resposta, isso pra mim não desmereceu o filme. Precisarei ver d novo pra encontrar esses "furos".
Não dá pra esquecer as cenas finais no Arkhan, ou mesmo a cena pós crédito, que quebra a tradição dos atuais filmes e proporciona algo digno eu diria de, Ferris Bueller, lembra dele? Lembra de "Curtindo a Vida Adoidado"? Pois é.
The Batman é o filme que esperávamos e Zack Snyder não soube apresentar.
É o melhor até hoje?
No quesito porrada e investigação, sim.
No quesito "fiel as hqs", sim.
No quesito história, sim.
Personagens? Sim.
Então, "em que momento o filme é ruim", você pode até perguntar, mas só posso dizer que ainda estou procurando, porque não lembro uma cena que não tenha curtido, ou vibrado, ou até mesmo chorado.
Quando as coisas se invertem, e vingança passa a representar esperança, não consegui segurar as lágrimas.
THE BATMAN é O Batman que precisamos.
terça-feira, 8 de março de 2022
GUARDIÕES DA JUSTIÇA
terça-feira, 20 de outubro de 2020
domingo, 4 de outubro de 2020
SURFANDO ENTRE AS ESTRELAS (porJJ Marreiro) repost
Um Surfista Prateado
MAIS:
sábado, 4 de julho de 2020
SURFISTA PRATEADO: Amargo Regresso !
Na década de 1980, Stan Lee já estava aposentado dos quadrinhos. Mas voltava de tempos em tempos para escrever uma história de seu personagem predileto. E qual era seu personagem predileto? O Surfista Prateado.
Em 1982 ele e John Byrne (que a esta altura já era uma estrela de quadrinhos graças à sua passagem pelos X-men) se uniram para produzir uma revista única do herói, que acabava funcionando como canto do cisne para o personagem e fechava algumas pontas soltas.
Chegando lá ele descobre que seu planeta está arruinado graças à vingança de Galactus por seu arauto ter se voltado contra ele na Terra.
O grande momento da história é o final, triste, mas poético. Seria o final perfeito caso essa fosse a última história do personagem.
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